Família procura por 7 anos filho enterrado como indigente em São Paulo
A história de Samuel de Andrade é uma das contadas pelo Metrópoles na reportagem especial Lula pelo Luto, sobre pessoas desaparecidas em SP
atualizado
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Enquanto uma família procurava desesperadamente por Samuel de Andrade, desaparecido aos 19 anos em 8 de dezembro de 2017, o jovem estava enterrado como indigente. Os pais, Sandro e Emília, acusam o Estado de negligência devido às falhas sistêmicas e à falta de cruzamento de dados.
“Cabia ao SBO [Setor de Busca e Ocorrências] informar à delegacia, cabia ao IML [Instituto Médico-Legal] informar à delegacia, cabia à delegacia procurar informação ali. A negligência foi em todos os órgãos”, afirma Sandro.
A história é uma das contadas pelo Metrópoles na reportagem especial Lula pelo Luto, publicada nesse domingo (5/4).

Desaparecido enterrado como indigente
Em 2024, após pressão política do deputado estadual Enio Tatto (PT), um novo investigador assumiu o caso. Ele identificou um corpo com características compatíveis com as de Samuel.
A confirmação veio por meio de exame de DNA, informado à família em 4 de junho de 2025. O laudo apontou como causa da morte asfixia mecânica por afogamento. A perícia também identificou perda de dentes e fratura no maxilar.
Desde o início, o pai reuniu mais de 100 páginas de documentos sobre o processo de busca por Samuel, desaparecido no Grajaú, região periférica da zona sul de São Paulo. Agora, sabendo que o filho está morto, ele ainda aguarda respostas. O desaparecimento deu lugar à busca por justiça.
Para Emília, a mãe, a descoberta de que o filho havia sido enterrado como indigente marcou uma despedida, ainda que tardia.
Luta pelo Luto
Neste domingo (5/4), o Metrópoles publicou a reportagem especial Luta pelo Luto. Em formato multimídia, o conteúdo focado em famílias que procuram por desaparecidos foi desenvolvido ao longo de mais de seis meses pelos repórteres Alfredo Henrique e Rebeca Ligabue.
Um levantamento exclusivo da reportagem mostra que, no estado de São Paulo, mais de 50 pessoas são registradas como sumidas todos os dias. Os dados evidenciam, por exemplo, que na capital os casos ocorrem sobretudo em regiões periféricas.
No Brasil, apenas em 2024, foram registrados 81.873 desaparecimentos, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025. Em média, no país, são quatro notificações por hora.
De acordo com especialistas, um dos principais alertas sobre o tema está relacionado aos desaparecimentos forçados, muitas vezes decorrentes da negligência do Estado. Esses casos estão ligados à atuação de facções criminosas nos “tribunais do crime” e até violência policial; crimes sexuais; homicídios; tráfico de órgãos; e, eventualmente, tráfico humano motivado por adoções ilegais de crianças
Erro 404: campanha do Metrópoles
Após esmiuçar o assunto na reportagem Luta pelo Luto, o portal Metrópoles mobiliza esforços na busca por pessoas desaparecidas. A partir desta segunda-feira (30/3), quando o usuário acessar um link quebrado do Metrópoles, será redirecionado para uma página na qual aparecerão a imagem e o perfil de uma pessoa desaparecida.
Na web, os links quebrados ocorrem devido a falhas de endereçamento e conduzem ao erro 404 – Página não encontrada.
As informações que estarão disponíveis na página 404 do Metrópoles vieram do Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), uma iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) para a coleta de dados e a divulgação de casos.
Especialistas em segurança pública consideram que a ampla e rápida divulgação sobre o desaparecimento de alguém é uma das estratégias mais eficientes para a localização.
Leia a matéria Luta pelo Luto.
