Explosão no Jaguaré: sem hotel, desalojados cobram auxílio-aluguel
Em protesto nessa sexta (22/5), atingidos pelo incidente denunciam falta de assistência do governo de SP e das empresas Sabesp e Comgás
atualizado
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Em protesto realizado nessa sexta-feira (22/5), moradores afetados pela explosão deste mês no Jaguaré condenaram a falta de apoio das empresas Sabesp e Comgás, após o incidente que destruiu casas e deixou dois mortos. Uma das demandas das famílias com o governo de São Paulo, após suposto encerramento de contrato que garantia hospedagem em hotéis, é um auxílio-aluguel digno.
“Colocaram R$ 800, mas ninguém aceitou… depois vieram com uma nova proposta de R$ 1500. Na região do Jaguaré, é muito difícil arranjar um aluguel nesse valor”, afirma uma das vítimas, ouvida pelo Metrópoles.
Outro atingido argumenta que a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) tinha prometido hospedagem até tudo se resolver. “Tem gente com criança, com cachorro, que foi expulso do hotel. E eles [o governo] falaram que iam dar o apartamento, a reconstrução, a carta de crédito. Aí agora já mudou de ideia, já falaram que a reconstrução parece que não vai ter. Está uma confusão total.”
A manifestação dessa sexta ocorreu na Avenida Presidente Altino. Uma das famílias desabrigadas (foto em destaque), por exemplo, está com todos os pertences dentro de um automóvel.
“Falaram para eu sair do hotel, ir para o Ibis. Chego no Ibis, não tem a minha vaga. Eu estou aqui, com o carro. Os dois cachorros e meu filho lá dentro, tudo que me restou. E agora é esperar a boa vontade deles pra resolver”, lamenta o pai.
Durante a manifestação, moradores atearam fogo em materiais e interditaram vias da região como forma de pressionar as empresas e o governo por mais assistência às famílias devastadas pela tragédia.
A Polícia Militar (PM) acompanhou o ato. Segundo a corporação, mais de 60 pessoas participaram do protesto. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e o Corpo de Bombeiros também foram acionados.
O que dizem o governo de SP e as empresas
Em nota, a Comgás afirmou que vem prestando assistência integral às famílias no Jaguaré. “A empresa tem disponibilizado hospedagens na região com o suporte e pensão completa, e segue atendendo às necessidades individuais. As famílias permanecem com vagas disponíveis em ambos hotéis pelo tempo que for necessário.”
Já a Sabesp, também em comunicado, disse que mantém, em parceria com a Comgás, uma força-tarefa para atendimento às pessoas impactadas pela ocorrência, com divisão definida de responsabilidades.
“A Comgás é responsável pela hospedagem emergencial e acomodação temporária das famílias desalojadas. Já a Sabesp atua nas ações de assistência social, pagamento do auxílio emergencial e recuperação dos imóveis atingidos na comunidade. A Sabesp mantém equipes mobilizadas diariamente no local, com suporte social, psicológico e atendimento às famílias”, informou o texto.
Segundo a Comgás, até o momento, 779 famílias receberam auxílio emergencial de R$ 5 mil. “Ao todo, 300 imóveis foram vistoriados, com ações de limpeza, reparos emergenciais e reformas definitivas já executadas em parte das residências impactadas. A Companhia reforça sua solidariedade às famílias atingidas e segue atuando para garantir assistência e recuperação das áreas afetadas.”
Além disso, o Governo de São Paulo alegou que está mobilizado, junto com as concessionárias Sabesp e Comgás, para dar soluções habitacionais às famílias que perderam os imóveis na explosão no Jaguaré. Também argumentou que os desalojados seguem hospedados em hotéis.
“O Estado, por meio da CDHU [Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano], está oferecendo aos moradores afetados alternativas habitacionais como transferência para apartamentos mobiliados, carta de crédito para aquisição de imóvel e auxílio-aluguel. O custeio das medidas habitacionais e da mobília será de responsabilidade da Sabesp e da Comgás”, comunicou a gestão Tarcísio.
De acordo com a gestão Tarcísio, até essa sexta (22/5), 31 famílias visitaram apartamentos sugeridos pela CDHU, das quais 20 aderiram ao imóvel proposto. “Outras seis famílias optaram por obter uma carta de crédito e deverão apresentar um imóvel para o atendimento definitivo”, complementa a nota.
Explosão no Jaguaré
- Em 11 de maio, uma explosão de gás matou dois homens e provocou um incêndio em diversas casas, em uma área próxima à Rua Dr. Benedito de Moraes Leme, no Jaguaré.
- A tubulação de gás foi atingida durante obra de remanejamento de tubulação de água da Sabesp, empresa de saneamento básico de São Paulo. O serviço foi paralisado na sequência.
- A Comgás, companhia paulista de gás, foi acionada, e as duas empresas adotaram os protocolos de segurança.
- Ao menos 35 imóveis foram atingidos pela explosão. Outros tiveram janelas e batentes de porta destruídos.
- Ao menos 46 imóveis foram interditados pela Defesa Civil e cerca de 160 pessoas afetadas estão sendo cadastradas para receber assistência, segundo o governo estadual.
- A área foi totalmente isolada para a buscas por possíveis vítimas. Os resgates foram encerrados pelo Corpo de Bombeiros por volta das 21h30 no dia. Por medida de segurança, a energia na área foi desligada.
- A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) afirmou que solicitaria às concessionárias todos os documentos e registros operacionais relacionados à obra realizada no local.
Privatizada na gestão Tarcísio, há quase dois anos, a Sabesp teve salto de lucro e aumento de reclamações de clientes, como mostrou o Metrópoles anteriormente. No caso do Jaguaré, moradores relataram, inclusive, que avisaram aos profissionais da empresa sobre a presença de uma tubulação de gás na área de obra da empresa, antes do vazamento que provocou a explosão.