Excesso de ambulantes leva “Bloco dos Marretas” da euforia à frustração
Patrocinadora oficial do Carnaval de Rua de SP cadastrou 15 mil ambulantes, que fizeram fila para tentar acesso aos maiores blocos da cidade
atualizado
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A expectativa de faturar um dinheirinho extra com o badalado Carnaval Rua de São Paulo virou frustração para milhares de ambulantes que se cadastraram para vender bebidas nos diversos blocos que desfilam pelas ruas da capital paulista.
Isso porque o excesso de vendedores nos cortejos e megablocos elevou muito a concorrência e derrubou o faturamento — ao todo, a Ambev, patrocinadora do evento, cadastrou 15 mil ambulantes para trabalhar no Carnaval, que ocorre oficialmente entre 7 e 22 de fevereiro.
A aglomeração de ambulantes neste sábado (14/2) ocorreu tanto nos grandes blocos do Ibirapuera, como o Carnalau, da cantora sertaneja Lauana Prado, e o Agrada Gregos (foto em destaque), que teve Gretchen e Gloria Groove, como nos blocos que saíram no centro, entre eles o Tarado Ni Você.
A cada quarteirão, dezenas de ambulantes disputavam a atenção dos foliões que acompanhavam os blocos. Era fácil perder a conta do número de guarda-sóis amarelos, cor do patrocinador do evento.
“É o Bloco dos Marretas”, brincou Matheus Messias, um dos vendedores — marreta é como os ambulantes se chamam nos blocos de Carnaval.
Apesar da piada, ele contou que a concentração grande de ambulantes virou sinônimo de prejuízo. Até 13h30, quando conversou com o Metrópoles, Matheus só tinha vendido R$ 67. A meta para aquele horário era já ter passado de R$ 500.
“Geralmente, a essa hora a gente já teria vendido uns R$ 600, R$700, por aí. A gente vai ter que dar um jeito de vender. É um dinheiro que a gente tira de onde não pode pra poder ter um lucro”, afirmou.
O problema nas vendas era compartilhado entre todos. “Não vendi nem R$ 100”, disse Andreia Victor. A marreteira queria, na verdade, um lugar no Parque Ibirapuera, onde estão os megablocos. Mas não conseguiu vaga.
“Era 20h ontem, a gente foi lá pra porta, mas não consegui pegar a fila. Tava quilométrica. Eu já sabia que não ia conseguir entrar. Aí a gente veio pra cá”, disse. “Tem muito ambulante que não tinha pra onde ir e veio pra cá”, contou.
A falta de acesso ao Ibirapuera foi citada por vários dos ambulantes com quem o Metrópoles conversou. Sob condição de anonimato, eles afirmaram que há um esquema de venda de lugar para trabalhar no Ibirapuera, com pessoas guardando lugar na fila para grupos inteiros. O número de vendedores autorizados a entrar no local, segundo eles, teria sido limitado a cerca de 1.200 pela Prefeitura.
Segundo as denúncias do esquema ilegal, cada marreteiro precisaria desembolsar R$ 150 para ter a vaga garantida. O valor é pago a outros ambulantes que garantem a entrada.
Uma marreteira com quem o Metrópoles conversou disse que eles chegam a perguntar de “qual grupo você é” ao chegar na fila. Ela não conseguiu a vaga.
“A gente não conseguiu entrar porque tinha pessoas na fila que criaram um grupo e cada um guardava lugar para [outros] 40, 50 ambulantes. Nem quem dormiu lá de ontem pra hoje conseguiu entrar”, contou.
O local foi palco de shows que levaram multidões às ruas, como o megabloco da cantora Ivete Sangalo com o bloco Quem Pede, Pede. Cerca de 1,2 milhão de pessoas se juntaram à festa na semana passada, no Pré-Carnaval, segundo a Prefeitura.






































