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São Paulo

Estudo da Unesp encontra compostos ligados ao câncer em espumas e plásticos

Estudo encontrou compostos em materiais descartados que contêm substâncias tóxicas. Cientistas alertam para contaminação

30/09/2026 10:57
Divulgação/Fapesp
estudo unesp substâncias câncer plástico

Um estudo liderado por pesquisadores brasileiros da Universidade Estadual Paulista (Unesp) encontrou altos níveis de compostos tóxicos associados ao câncer em materiais acumulados em locais de descarte e desmanche espalhados pelo Brasil.

As substâncias tóxicas foram encontradas em espumas, plásticos descartados e artigos infantis. Esses compostos eram utilizados antigamente pela indústria como plastificantes retardantes de chama. Os cientistas alertam que, caso esses materiais sejam reaproveitados sem análise química prévia, a reciclagem pode favorecer a contaminação de novos produtos e do meio ambiente.

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O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICTS) da Unesp de Sorocaba, interior de São Paulo, em parceria com a Universidade de Birmingham, no Reino Unido. Os compostos encontrados pelos pesquisadores já foram aplicados em produtos como espumas de móveis e colchões, carcaças plásticas de produtos eletrônicos, artigos infantis e espuma de isolamento para construção civil.

Essas substâncias eram altamente usadas por conta da sua estabilidade térmica e baixo custo. Eles possuem uma ação tóxica e podem provocar problemas no sistema endócrino e reprodutivo, além de favorecer o aparecimento do câncer.

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De acordo com o estudo, a contaminação pode acontecer através do contato direto com o objeto no qual eles foram usados, pela ingestão ou pela inalação da poeira liberada no ambiente em decorrência da degradação do material em questão.

“Nossos resultados mostraram que 95% das amostras continham pelo menos um desses compostos em baixas concentrações, sendo que 13 excederam o nível mais preocupante”, afirma o engenheiro ambiental David Burgos da Unesp.

A pesquisa

No total, foram coletadas 207 amostras de quatro categorias principais: resíduos de construção e demolição, veículos em fim de vida útil, estofados e artigos infantis. Os materiais foram coletados da região metropolitana de Sorocaba, incluindo um centro de desmanche de veículos, um aterro sanitário e associações de reciclagem.

Um dos pesquisadores do estudo destacou que algumas dessas substâncias retardantes já foram proibidas por tratados internacionais, como a Convenção de Estocolmo, da qual o Brasil é signatário desde 2004. De acordo com a avaliação dos especialistas, a responsabilidade de fazer a triagem química dos compostos é de diversos órgãos.

Em nota, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima esclareceu que o uso de PBDEs (retardantes bromados) na fabricação de novos aparelhos eletroeletrônicos já é proibido no Brasil, seguindo os acordos internacionais. O risco atual está nos equipamentos antigos, como televisores e monitores de tubo fabricados antes de 2005. Por lei, o Brasil tem permissão para reciclar esses materiais antigos até 2030.

Segundo a pasta, “os instrumentos de logística reversa atualmente vigentes fornecem a estrutura para coleta, triagem, rastreabilidade e destinação dos resíduos eletroeletrônicos, mas não estabelecem protocolo específico de análise ou teste para determinar a presença de PBDEs”.