Entorno de Tarcísio cita “fator Doria” como alerta para ano eleitoral

Aliados de Tarcísio avaliam que “movimentos presidenciais” podem gerar pecha de traidor, a exemplo do que ocorreu com João Doria em 2022

atualizado

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Foto: Pablo Jacob /Governo do Estado de SP
Tarcísio de Freitas em solidade de aniversário de batalhão
1 de 1 Tarcísio de Freitas em solidade de aniversário de batalhão - Foto: Foto: Pablo Jacob /Governo do Estado de SP

Auxiliares próximos ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) têm comparado o atual momento do chefe do Executivo estadual, incensado desde o início do mandato a presindenciável, com o cenário vivido pelo ex-governador João Doria (sem partido).

O ex-tucano passou a ser visto como traidor pelos bolsonaristas após ser eleito na esteira da popularidade de Jair Bolsonaro (PL) em 2018 e, ao longo do mandato, ter tentado alçar voo próprio ao Palácio do Planalto na eleição seguinte.

Com o movimento, lembram os aliados de Tarcísio, Doria perdeu parte do eleitorado bolsonarista e continuou sendo rechaçado pela esquerda, esvaziando seu capital político.

No fim, a candidatura do ex-tucano acabou não decolando e seu candidato a sucessor em São Paulo, Rodrigo Garcia, perdeu a eleição para Tarcísio, então candidato de Bolsonaro no estado, colocando fim à longa hegemonia local do PSDB.

Interlocutores ouvidos pelo Metrópoles afirmam que Tarcísio não pode correr o mesmo risco. Isso faz com que o governador reafirme sua lealdade a Bolsonaro constantemente em falas públicas e, mesmo que timidamente, venha reforçando seu apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, após a indicação do ex-presidente, que está preso em Brasília.

“O governador está apanhando de três lados: da esquerda, dos bolsonaristas que acham que ele não está apoiando Flávio e dos aliados do Centrão que insistem em alçá-lo candidato. Ele tem que tomar cuidado para não virar o novo Doria”, alerta um secretário da gestão Tarcísio, que não quer ser identificado.

A comparação com Doria também foi feita recentemente pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL). Em entrevista a um podcast, disse que Tarcísio “não tem opção” a não ser apoiar a candidatura de Flávio e sair para a reeleição em São Paulo.

“O Tarcísio, até ontem, era um servidor público, um desconhecido da sociedade. Ganhou notoriedade sendo ministro da Infraestrutura e depois foi eleito em São Paulo graças ao presidente Jair Bolsonaro. Ele não tem a opção de ir contra o Bolsonaro. Se ele tentar qualquer medida para fazer alguma coisa diferente e sair candidato, no barato, ele vai se equiparar a João Doria. Eu tenho certeza que o Tarcísio é inteligente, ele não fará isso”, alertou Eduardo em entrevista ao podcast Santa Política nesta semana.

Do Bandeirantes ao Planalto

Não é apenas a direita e os aliados de Tarcísio que fazem a comparação. Deputados de oposição também costumam dizer que Tarcísio quer ser o “novo Doria” em referência aos movimentos de teor nacional feitos pelo governador ao longo do mandato, como as articulações no Congresso pela anistia aos condenados na trama golpista.

Opositores costumam dizer que, assim como Doria, Tarcísio estaria utilizando a cadeira de governador de São Paulo como “trampolim” para buscar a Presidência da República.

E caso ele for o candidato ao Planalto em um cenário sem Flávio, o eleitorado bolsonarista pode avaliar, segundo o entorno do governador, que os movimentos de Tarcísio, lentos em apoio ao filho do ex-presidente, foram premeditados na busca para ocupar a vaga bolsonarista de presidenciável.

Só que Tarcísio não entrará “de cabeça” na campanha de Flávio até haver melhor definição de cenário, como contou o Metrópoles. O governador costuma citar que há outros nomes competitivos na direita, como os governadores Ratinho Jr. e Ronaldo Caiado. Por isso, os movimentos devem ser calculados, avaliam.

Reafirmação de lealdade

Para evitar a continuidade das especulações, o governador e sua equipe têm evitado, por exemplo, aceitar convites para participar de eventos e painéis empresariais de caráter nacional e eleitoral.

Na última quinta-feira (22/1), após ter cancelado uma visita que faria a Bolsonaro na Papudinha, Tarcísio reafirmou em nota que será candidato à reeleição em São Paulo e que irá trabalhar por uma “direita unida e forte para tirar a esquerda do poder”.

“Qualquer informação diferente desta não passa de especulação. Irei visitar o presidente Bolsonaro, a quem sou e serei grato e leal, na próxima quinta-feira (dia 29/1) para prestar o meu total apoio e solidariedade”, disse.

Embora tenha afirmado publicamente que o adiamento da visita se dera por conflitos de agenda e por “razão pessoal”, nos bastidores, aliados dizem que Tarcísio cancelou a visita por incômodo com uma fala de Flávio.

O senador afirmou que Tarcísio ouviria da boca de Bolsonaro que a reeleição do governador paulista seria fundamental para a estratégia nacional de derrotar o PT nas urnas, e não como candidato a presidente da República.

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