Enel: Ricardo Nunes diz que foi “refém da inércia” do governo Lula
Três dias depois de se reunir com ministro de Lula, prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, cobrou governo sobre fim da concessão de energia
atualizado
Compartilhar notícia

Em meio ao processo que pode levar à caducidade do contrato da Enel para concessão de energia elétrica em São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) criticou, neste sábado (20/12), o governo federal e disse que pediu, na Justiça Federal, a antecipação do fim do contrato com a empresa italiana.
“Nós estávamos reféns, igual vocês, todas as pessoas que moram nessa cidade. Refém da Enel e refém da inércia do governo federal que não agia”, disse o prefeito em entrevista a jornalistas após a cerimônia de reabertura de um parque na zona oeste da capital paulista.
O prefeito informou que a Procuradora-Geral do Município, Luciana Nardi, entrou com um pedido na Justiça Federal para antecipar o processo de caducidade porque, segundo o prefeito, se dependesse do governo federal, o fim do contrato, que vence em 2028, só ocorreria em março.
“Se não, hoje, muito possivelmente a gente teria que engolir mais 30 anos de Enel”, acrescentou o prefeito. Segundo Nunes, o pedido foi acatado na sexta-feira (19/12).
Processo para fim do contrato
No último dia 12 de dezembro, Nunes e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se encontraram com o presidente Lula e cobraram providências sobre o contrato da empresa.
Quatro dias depois, na terça-feira (16/12), o governador e o prefeito se reuniram com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. A reunião, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, tratou do início do processo administrativo que pode levar à caducidade do contrato.
Silveira emitiu um ofício na quarta-feira (17/12) à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reiterando o pedido de “análise de falhas e transgressões” da concessionária.
“Nós não vamos sossegar enquanto o governo federal não fizer aquilo que é obrigação deles. Reconheço que, na minha fala com o presidente Lula, ele tomou uma iniciativa de pedir para o ministro de Minas e Energia vir conversar comigo, com o Tarcísio, ao qual eu agradeço, mas a responsabilidade é do governo federal e nós vamos ficar cobrando para que essa empresa saia da cidade de São Paulo”, insistiu Nunes neste sábado.
Intervenção na Transwolff
O prefeito também comentou outra decisão judicial de sexta-feira que a Transwolf, empresa de transporte que operava na zona sul de São Paulo e foi alvo de operação do Ministério Público paulista (MPSP) por suposto envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), contestou o processo de caducidade de contrato com o município paulistano.
A empresa ainda opera no município, mas está sob intervenção. Nunes criticou o juiz que deu uma decisão favorável à empresa e sugeriu que a Prefeitura deveria ter sido consultada antes da determinação judicial.
“Passa a ser zero, absolutamente zero, a possibilidade da Transwolff querer reassumir o serviço. Portanto, ela não vai reassumir o serviço, nós vamos fazer o recurso com relação a essa decisão, que o juiz deu sem consultar a Prefeitura de São Paulo. Vamos reverter e a gente vai dar continuidade na caducidade”.
