Empresário morto em Interlagos: 200 seguranças trabalharam em evento
Número de seguranças se tornou relevante após uma das linhas de investigação apontar que o empresário pode ter sido vítima de um mata-leão
atualizado
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Mais de 200 seguranças trabalhavam no Autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo, durante o evento de moto em que o empresário Adalberto Amarilio Junior, de 36 anos, foi visto com vida pela última vez, no dia 30 de maio.
O número de funcionários se tornou relevante após uma linha de investigação da Polícia Civil apontar que o empresário pode ter sido morto após um golpe de mata-leão feito por um segurança.
Apesar de parecer um avanço, a teoria policial esbarra no alto número de seguranças que trabalhavam no evento. De acordo com o divulgado pelas autoridades em uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (18/6), o evento contratou 188 funcionários para proteger o local, o restante faz parte da equipe do autódromo.
A polícia também revelou que tem uma lista com todos os nomes do seguranças do local e que já pediu imagens para mostrar quais funcionários estiveram no trajeto do autódromo até o carro de Adalberto.
As autoridades sabem que o empresário chegou no evento por volta das 12h, mas não sabe que horas Adalberto foi morto.
Laudos médicos
Na última terça-feira (17/6), os laudos da Polícia Técnico-Científica de São Paulo revelaram que o empresário morreu por asfixia.
Apesar da divulgação do relatório médico, a forma como o crime ocorreu ainda não foi esclarecida. Por essa razão, há duas possibilidades em investigação: morte por constrição torácica (provocada por pressão no tórax) ou asfixia resultante de pressão no pescoço.
O documento apontou que Adalberto sofreu lesões no joelho antes de morrer. À imprensa, o delegado Rogério Thomaz que atua no caso afirmou que os ferimentos podem ter acontecido no momento em que o empresário foi colocado no buraco em que foi encontrado, em uma área de obras do autódromo.
O laudo anatomopatológico analisou, entre outros órgãos, um fragmento irregular de pele do joelho com escoriações. O perito concluiu que a vítima tinha um ferimento na região a partir da observação de perda da camada superficial e afinamento da pele ao redor, além de sinais de inflamação intensa.
A mesma análise encontrou lesões no pulmão do empresário, que são compatíveis com condições de hipoxemia, que é uma diminuição anormal da quantidade de oxigênio no sangue arterial, e asfixia.
O laudo toxicológico não detectou a presença de álcool, drogas, fármacos, praguicidas ou outras substâncias no sangue de Adalberto, o que exclui a suspeita de morte por envenenamento ou intoxicação.
Essas informações vão de encontro ao depoimento do amigo que estava com o empresário em um evento no Autódromo de Interlagos no dia em que Adalberto desapareceu, em 30 de maio. Rafael Aliste afirmou à polícia que Adalberto havia consumido maconha e cerca de oito cervejas e que, por isso, estava “mais agitado que o normal”.
Um laudo também identificou a presença de Antígeno Prostático Específico (PSA) no pênis do empresário, que é uma proteína produzida pela próstata presente no sêmen. Esse tipo de achado é comum em homens. Os peritos também não encontraram espermatozoides nas cavidades oral e anal de Adalberto, o que afasta a hipótese de violência sexual.
Homicídio
A morte do empresário passou a ser investigada como homicídio após a divulgação dos laudos do Instituto Médico Legal (IML). Inicialmente, o caso era investigado como morte suspeita, mas as autoridades deixaram de lado a hipótese de um possível acidente após o laudo médico apontar que o empresário morreu por asfixia.
Adalberto desapareceu no dia 30 de maio, após não retornar de um evento de motos em Interlagos. Quatro dias depois, em 3 de junho, o corpo foi encontrado em um buraco, numa área de obras dentro no autódromo.
Na semana que encontraram o corpo, a diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHHP), Ivalda Aleixo, já acreditava que o empresário não teria caído no buraco e sim posto ali, já inconsciente. Além disso, o fato de Adalberto ter sido encontrado sem calças, sem os tênis e sem a câmera acoplada no capacete também levantou suspeitas.
À época, os investigadores também encontraram a vítima sem ferimentos aparentes, apenas com marcas no pescoço, que, segundo disse Ivalda Aleixo na ocasião, foram causadas pelo atrito com a fivela do capacete que o empresário usava.
Rafael Aliste, o amigo de Adalberto, chegou a ser considerado suspeito pela polícia. No entanto, apesar da investigação ter achado inconsistências no depoimento, a polícia descartou a participação dele por acreditar que não há indícios suficientes e entender que Rafael tem um álibi.
Desaparecimento
- Adalberto desapareceu na noite de uma sexta-feira (30/5), após não retornar de um evento de moto no Autódromo de Interlagos. Ele estava com um amigo.
- A esposa do empresário afirmou à polícia ter recebido uma mensagem de Adalberto, por volta das 20h, dizendo que iria ver uma corrida de motocross e seguiria para casa posteriormente.
- Rafael Aliste, amigo de Adalberto, contou às autoridades que curtiu o evento com o empresário normalmente, participaram de algumas corridas de moto, beberam bebidas alcoólicas e se despediram por volta das 21h.
- O caro do empresário estava estacionado no Kartódromo de Interlagos. O veículo, que tinha manchas de sangue em seu interior, foi apreendido pela polícia.
Quem era o empresário
Adalberto Júnior era dono da rede Óticas Angela, que tem unidades em Osasco e Barueri, na região metropolitana de São Paulo.
Ele era casado com Fernanda Dândalo. Nas redes sociais, a mulher publicou fotos do casal em viagens internacionais, como para Paris e Roma.
Adalberto também gostava de passear de moto, hobby que era dividido com a companheira. Na última publicação do casal, Fernanda aparece ao lado do empresário, em frente a uma moto, com a legenda “motoqueiros selvagens”.














