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São Paulo

Dono da Voepass admite à PF que sabia de panes e alerta da Anac

Em depoimento à corporação, José Luiz Felício Filho disse saber da "cultura de omissão" nas falhas técnicas das aeronaves

08/08/2026 07:45
Divulgação/VoePass
José Luiz Felício Filho

O dono e presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, admitiu, em depoimento à Polícia Federal (PF), saber de uma “cultura de omissão” nas falhas técnicas dentro da companhia. O voo 2283 caiu em Vinhedo (SP), em 2024, e matou 62 pessoas.

No depoimento, o empresário revelou que já havia recebido um alerta da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) algumas vezes a respeito da conduta dos pilotos de não informarem quando a aeronave apresentava algum problema, a fim de não rete-las em solo e perderem a licença para voar.

“[Felício] admitiu ter ciência da cultura de omissão de reportes de panes, revelando inclusive que diretores da Anac o alertaram pessoalmente sobre esse padrão de conduta dos pilotos ao longo dos anos”,  diz o relatório da PF.

Um trecho do documento, ao qual o Metrópoles teve acesso, aponta que a falha técnica que contribuiu para a queda do voo 2283 não foi um evento isolado, mas sim o resultado de “reiteradas condutas de omissão na manutenção dos sistemas de degelo, potencializado por uma cultura de gestão da companhia aérea que priorizava a disponibilidade da frota em detrimento da segurança operacional”.

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José Luiz Felício Filho
Avião da VoePass após acidente em Vinhedo
Destroços de avião
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Destroços de avião

Reprodução
José Luiz Felício Filho
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José Luiz Felício Filho

Divulgação/VoePass
Avião da VoePass após acidente em Vinhedo
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Avião da VoePass após acidente em Vinhedo

Arquivo Pessoal

Antes da queda, os pilotos receberam ao menos cinco alertas que sinalizavam falhas operacionais, de acordo com a perícia técnica. Os avisos indicavam a necessidade de abandonar a área de formação de gelo e manter a velocidade mínima de segurança recomendada para condições severas, o que não aconteceu. Sem a execução imediata dos procedimentos adequados, houve perda do controle da aeronave.

Felício foi indicado pela corporação em agosto. A PF aponta que ele integrava a cadeia de decisões da empresa responsáveis por falha na gestão, manutenção e segurança, que contribuíram para o acidente.

A reportagem entrou em contato com a defesa do presidente da Voepass. Até a publicação, não houve resposta. O texto será atualizado em caso de manifestação.