Casas Bahia: Saul exibe DNA negativo de suposto irmão e cobra herança
Disputa pela herança multimilionária de Samuel Klein pode chegar ao fim após teste de DNA negar vínculo entre varejista e Moacyr Ramos
atualizado
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A disputa pela herança multimilionária de Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, pode chegar ao fim depois de mais de 10 anos, após novos exames de DNA descartarem o vínculo biológico de um suposto herdeiro com o empresário.
Conforme o laudo dos exames, ao qual o Metrópoles teve acesso exclusivo, os testes foram realizados de forma consensual pela Genomic Engenharia Molecular, em abril deste ano, e envolveram os três filhos de Moacyr Ramos de Paiva Agustinho Júnior — que afirma também ser filho de Samuel —, além de Saul Klein, de 72 anos, filho comprovado do varejista.
O resultado apontado pelo exame foi de ausência de vínculo genético. Foram destacadas, ainda, exclusões diretas no cromossomo Y entre o neto de Moacyr e Saul — evidência considerada “determinística” pela defesa do filho do varejista, dado que o cromossomo Y é transmitido inalterado pela linha genética paterna.
“Com um LR (Likelihood Ratio, ou Proporção de Probabilidade) menor que 0,01 e uma probabilidade menor que 1%, os resultados obtidos através desta análise não demonstram a existência de vínculo genético”, diz o laudo da Genomic.
Com a divulgação dos resultados, a defesa de Saul protocolou, nesta quinta-feira (7/5), um pedido de homologação parcial do acordo de partilha de bens de seu pai, com início imediato do pagamento do seu quinhão de R$ 220 milhões.
No pedido, também verificado pelo Metrópoles, há uma alegação de urgência devido a um diagnóstico de câncer de pele e à tramitação do inventário por mais de uma década. Ainda de acordo com o texto protocolado, a parcela contestada por Moacyr Ramos de Paiva deve ser mantida em reserva judicial até a conclusão definitiva da ação de paternidade.
A defesa de Saul também destaca que a continuidade da paralisação causa prejuízo econômico real, dado que o acordo não prevê correção monetária.
Ainda no ano passado, após colocar seu DNA à disposição da Justiça, Saul alegou que não tinha dinheiro para pagar o tratamento médico para seus problemas de saúde, destacando que o plano de saúde do herdeiro, aquele que viabilizou a internação hospitalar anterior, foi pago por outra pessoa e “não por ele próprio”.
“Os custos com a equipe médica que procedeu no atendimento emergencial e acompanhamento de Saul foi igualmente arcado por esse terceiro”, afirmava a petição. As afirmações, no entanto, foram contestadas por Michael Klein, irmão de Saul e também herdeiro da Casas Bahia.
Entenda o imbróglio
Moacyr Ramos de Paiva Agustinho Júnior é autor de uma ação de paternidade na qual defende ser filho de Samuel Klein. Nascido em 1976, ele teria ouvido de sua mãe, Rita de Cássia, que ele era filho do “rei do varejo”. A confidência teria sido feita em 2008, dois anos antes dela morrer. Antes disso, havia apenas rumores sobre o caso.
Em 2011, Agustinho Júnior entrou com a ação na Justiça. Nela, afirmou que o relacionamento entre Rita e Samuel teria começado quando sua mãe tinha 17 anos. O dono da rede de lojas, nessa época, completara 45 anos. Agora, o processo no qual Agustinho Júnior se apresenta como filho biológico do empresário se encontra em grau de recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
