Desenho de orixá: pai que acionou PM não pode se aproximar de escola
Pai de aluna de 4 anos que desenhou orixá em escola está proibido também de entrar em contato com funcionárias da unidade educacional
atualizado
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O pai de uma menina de 4 anos de idade que acionou a Polícia Militar (PM) após a filha desenhar uma orixá em uma atividade escolar, em novembro do ano passado, está proibido de se aproximar a menos de 500 metros da escola. Não há informações se a criança ainda estuda na unidade.
O homem, que é soldado da PM, é alvo de uma medida protetiva de urgência, concedida pela Justiça no último dezembro.
Desde então, ele está impedido de se aproximar da Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Antônio Bento, no bairro Caxingui, na zona oeste de São Paulo, e também de ter qualquer tipo de contato com a diretora e mais duas funcionárias da unidade de ensino.
Ao pedir a medida protetiva, a diretora da escola alegou que a conduta do homem, que teria rasgado mural com desenhos feitos pelas crianças, evidencia “grave situação de ameaça e violência psicológica”.
Ela também destacou que, após o pai da aluna acionar a polícia, quatro PMs entraram armados na escola – um deles portando uma arma de grosso calibre.
Ao conceder a medida protetiva, a Justiça considerou que a determinação é uma “providência adequada e necessária para acautelar a integridade física e psíquica das vítimas”.
O Metrópoles contatou a defesa do homem para comentar o caso, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.
Em depoimento prestado à polícia uma semana após a concessão da medida, o pai da aluna afirmou ter conhecimento das restrições às quais está submetido.
Abordagem hostil
O episódio aconteceu em 12 de novembro do ano passado e foi revelado pelo Metrópoles.
A direção havia convidado o pai para uma reunião do Conselho da escola no mesmo dia em que as crianças fizeram os desenhos, mas ele não compareceu e decidiu chamar a PM. Quatro policiais foram à unidade e permaneceram por cerca de uma hora lá. Testemunhas afirmam que a abordagem foi hostil e assustou funcionários e famílias. A supervisora de ensino também acompanhou o caso.
A escola explicou aos agentes que a atividade está prevista nas leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena. As crianças ouviram uma história e fizeram um desenho, sem caráter religioso.
Em nota à época, a SSP afirmou que os policiais conversaram com ambas as partes e orientaram o registro de boletim de ocorrência. A SSP justificou o uso do armamento, incluindo metralhadora, dizendo que faz parte do EPI dos agentes. A Prefeitura de São Paulo confirmou que o trabalho integra o currículo antirracista da rede municipal.






