Pai que levou polícia à escola após desenho de orixá é soldado da PM

Segundo Portal da Transparência, pai de menina é soldado da 1ª Classe da Polícia Militar de São Paulo. Caso foi revelado pelo Metrópoles

atualizado

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Material cedido ao Metrópoles
Desenhos que alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, fizeram em atividade sobre religiões de matriz africana. Pai chamou a polícia por conta de desenho de orixá. - Metrópoles
1 de 1 Desenhos que alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, fizeram em atividade sobre religiões de matriz africana. Pai chamou a polícia por conta de desenho de orixá. - Metrópoles - Foto: Material cedido ao Metrópoles

O pai que acionou a Polícia Militar depois de a filha fazer o desenho de uma orixá durante uma atividade na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Antônio Bento, na zona oeste da capital paulista, é policial. Segundo o Portal da Transparência do governo estadual, o homem é soldado da 1ª Classe da Polícia Militar de São Paulo.

Como revelou o Metrópoles, o pai chegou a rasgar um mural em que estava o desenho da menina e levou quatro policiais à escola para questionar a direção sobre a atividade. Testemunhas afirmam que os agentes entraram armados na unidade, um deles com uma metralhadora. De acordo com os relatos, os policiais teriam sido hostis com funcionários, dizendo que a criança estava sendo obrigada a ter aula de “religião africana”.

A direção da escola explicou aos agentes que o desenho fazia parte de uma atividade com um livro infantil sobre mitologia afro-brasileira, e seguia leis que determinam o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas em todo o país.

Mesmo com as explicações, os policiais ficaram mais de uma hora na escola e teriam feito acusações de que a religião da família da criança, que é cristã, estava sendo desrespeitada.


Qual era a atividade escolar?

  • A atividade estava ligada à leitura do livro infantil “Ciranda em Aruanda”, da autora Liu Olivina.
  • Na obra, a autora traz ilustrações de 10 orixás e apresenta, em textos curtos, as características das divindades – Oxóssi, por exemplo, é retratado como “o grande guardião da floresta”.
  • Uma professora da Emei leu a história para os alunos. Em seguida, cada estudante fez um desenho a partir da leitura. A menina, de 4 anos, desenhou Iansã, orixá ligada aos ventos e às tempestades.
  • Os desenhos foram expostos no mural da escola.
  • O livro têm o selo Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e faz parte do acervo oficial da rede municipal de ensino.

Os policias foram à escola no dia 12 de novembro, um dia depois de o pai da menina rasgar o mural onde estava o desenho. A diretora da unidade registrou um boletim de ocorrência sobre o episódio. No registro, obtido pelo Metrópoles, ela afirma que o pai disse, “em tom de ameaça”, que tomaria providências.

O homem também teria falado que a escola estava incluindo a “umbanda” na vida da filha e que ele, como cristão, não aceitava isso. O Metrópoles não conseguiu contato com o pai da criança. O espaço segue aberto.

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Desenhos de alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em atividade intitulada "Ciranda de Aruanda"
Desenhos que alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, fizeram em atividade sobre religiões de matriz africana
Desenho da orixá Iansã que motivou pai de aluna de escola infantil de São Paulo a chamar a polícia
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Desenho da orixá Iansã que motivou pai de aluna de escola infantil de São Paulo a chamar a polícia

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Desenhos de alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em atividade intitulada "Ciranda de Aruanda"
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Desenhos de alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em atividade intitulada "Ciranda de Aruanda"

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Desenhos que alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, fizeram em atividade sobre religiões de matriz africana
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Desenhos que alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, fizeram em atividade sobre religiões de matriz africana

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Depois que o caso foi revelado pelo Metrópoles, no domingo (16/11), moradores dos bairros Caxingui e Instituto da Previdência fizeram um abaixo-assinado em apoio à escola e cobraram investigação da Corregedoria da Polícia contra os agentes envolvidos.

Nessa segunda-feira (17/11), após repercussão do tema, a Polícia Militar afirmou que instaurou uma apuração sobre a conduta da equipe que atendeu à ocorrência, inclusive com a análise das imagens das câmeras corporais dos policiais.

Em nota anterior, a SSP tinha dito ao Metrópoles que o uso do armamento, que inclui metralhadora, faz parte do Equipamento de Proteção Individual (EPI) dos policiais e é portado durante todo o turno de serviço.

Já a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SME), informou que o pai da estudante recebeu esclarecimentos de que o trabalho apresentado por sua filha integra uma produção coletiva do grupo.

“A atividade faz parte de propostas pedagógicas da escola, que tornam obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena dentro do Currículo da Cidade de São Paulo”, reforçou a gestão municipal.

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