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São Paulo

Paulo Cupertino tentou se entregar e desistiu perto de delegacia

Cupertino, que passou três anos foragido após triplo homicídio, desistiu de se entregar por ver advogado concedendo entrevista, diz defesa

30/05/2025 15:52, atualizado 30/05/2025 20:17
Polícia Civil/Reprodução
Homem branco de cavanhaque com o semblante sério. Paulo Cupertino Matias - Metrópoles

Paulo Cupertino Matias, acusado de matar o ator Rafael Miguel e os pais dele em junho de 2019, tentou se entregar à polícia após supostamente cometer o triplo homicídio, mas desistiu próximo à uma delegacia, quando viu que o advogado que o acompanharia estava concedendo uma entrevista.

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Paulo Cupertino, sentado de camisa azul e cabeça baixa na frente de 3 policiais durante julgamento em 2024
Sala onde ocorre o julgamento de Paulo Cupertino em São Paulo
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Sala onde ocorre o julgamento de Paulo Cupertino em São Paulo

Divulgação/TJSP
Paulo Cupertino, sentado de camisa azul e cabeça baixa na frente de 3 policiais durante julgamento em 2024
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Paulo Cupertino, sentado de camisa azul e cabeça baixa na frente de 3 policiais durante julgamento em 2024

Divulgação/TJSP

A declaração foi dada pela advogada Mirian Nunes Souza, que faz a defesa do réu, em resposta ao promotor Thiago Alcocer Marin, do Ministério Público do Estado (MPSP), no Tribunal do Júri que julga o caso, nesta sexta (29/5), no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

Cupertino passou quase três anos foragido após o triplo homicídio, até ser encontrado pela polícia, após denúncia anônima, em um hotel na Avenida Interlagos, na zona sul de São Paulo, em 16 de maio de 2022. Na ocasião, o acusado portava objetos de disfarce, como uma bengala, tintura de cabelo e chapéus.

Thiago usou do fato para apontar ao Conselho de Sentença uma possível responsabilidade de Cupertino no cometimento dos homicídios. Em resposta, a defesa do réu afirmou que ele permaneceu foragido por medo de retaliações, uma consequência do “linchamento midiático, que podem acabar com a vida de uma pessoa”, disse Juliane.

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“Qual segurança o Paulo sentiria ao se entregar em uma delegacia? Qual segurança que o homem periférico iria ter que não iria acontecer nada com ele? Estar foragido não é nota de culpa”, disse a advogada.

O julgamento está no segundo dia. Nesta sexta, ocorrem os debates entre defesa e acusação. Na quinta (29/5), em interrogatório, o acusado negou ter cometido o crime.

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Plenário do júri de Paulo Cupertino, no Fórum Criminal de SP
Segundo texto, réu enfrenta diversos problemas de saúde enquanto está preso no CDP 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo
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A filha de Paulo Cupertino já depôs contra o réu
Paulo Cupertino tentou se entregar e desistiu perto de delegacia - imagem 6
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Arte/Metrópoles
Plenário do júri de Paulo Cupertino, no Fórum Criminal de SP
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Plenário do júri de Paulo Cupertino, no Fórum Criminal de SP

Divulgação/TJSP
Segundo texto, réu enfrenta diversos problemas de saúde enquanto está preso no CDP 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo
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Segundo texto, réu enfrenta diversos problemas de saúde enquanto está preso no CDP 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo

Material cedido ao Metrópoles
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A filha de Paulo Cupertino já depôs contra o réu
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A filha de Paulo Cupertino já depôs contra o réu

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Polícia Civil/Reprodução
Paulo Cupertino e o ator Rafael Miguel
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Paulo Cupertino e o ator Rafael Miguel

Reprodução/Polícia Civil

Defesa afirmou que “motivo não é prova”

Também durante exposição da defesa nesta sexta, as advogadas de Cupertino pediram ao Conselho de Sentença que não se prendam à personalidade do réu para decidir pela culpa ou absolvição.

“Não cedam à pressão externa, não cedam ao que os senhores ouviram ao longo dos anos. Se atentem ao que será apresentado”, afirmou a advogada Juliane Santos de Oliveira.

A defensora enfatizou que “motivo não é prova”, se referindo à imagem construída pela acusação, de que o réu é agressivo e obsessivo.

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Entenda como funciona o julgamento

  • O julgamento pelo Tribunal do Júri começou na quinta-feira (29/5) com o sorteio dos jurados: de uma lista de 25 nomes, sete são sorteados para compor o Conselho de Sentença.
  • Os jurados sorteados fizeram a leitura das peças principais do processo, para se inteirar do caso julgado.
  • O Conselho de Sentença que decide sobre a condenação ou absolvição dos réus, cabendo ao juiz somente presidir os trabalhos, realizar a dosimetria da pena em caso de condenação e redigir a sentença.
  • Após a leitura dos casos, aconteceu as oitivas das testemunhas.
  • Nesta sexta-feira (30/5), começa a fase dos debates, quando representantes da Acusação, da Defesa e do Ministério Público expõem suas teses ao Conselho de Sentença.
  • A fase dos debates funciona da seguinte forma: Primeiro, a Acusação tem a palavra. O promotor de Justiça Thiago Alcocer Marin, representando o Ministério Público, e a assistente de Acusação Maria Gorete Silva Carvalho terão a palavra por duas horas e meia.
  • A seguir, será a vez da Defesa dos réus, por mais duas horas e meia. Se houver réplica do MP, o tempo é de mais duas horas para a Acusação e igual tempo para a tréplica da Defesa.
  • Após os debates, o Conselho de Sentença se reúne na sala secreta para votar os quesitos e decidir sobre a condenação ou absolvição dos réus.
  • A etapa final é a preparação da pena e leitura da sentença pelo juiz.

Relembre o crime

O triplo assassinato aconteceu em 2019 em Pedreira, na zona sul da capital paulistana. De acordo com denúncia do MPSP, Paulo Cupertino matou o ator Rafael Miguel, que na época tinha 22 anos, o pai dele, João Alcisio Miguel, de 52, e a mãe, Miriam Selma Miguel, de 50, porque não aceitava o namoro do jovem com a filha dele, Isabela Tibcherani, na época com 18 anos.

Os pais do ator estavam no local porque queriam conversar com Cupertino sobre o namoro dos filhos.

Segundo a denúncia, Cupertino disparou 13 vezes contra as vítimas. Depois do crime, fugiu para Mato Grosso do Sul e, em seguida, para o Paraguai. O acusado foi preso na mesma região onde o crime ocorreu, escondido em um hotel, em maio de 2022.

Em denúncia, o MPSP acusou o empresário de triplo homicídio qualificado. A pena para homicídio qualificado no Brasil é de 12 a 30 anos de reclusão. Para o advogado de Isabela, Guilherme Wiltshire, Cupertino deve ser condenado pelo Tribunal do Júri, e sentenciado a quase 100 anos de prisão.