CPMI do INSS: bolsonarista e petistas querem ouvir doador de Onyx

Bolsonarista e petistas pediram convocação à CPMI do INSS de empresário que doou R$ 60 mil à campanha de Onyx Lorenzoni, em 2022

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Marcos Corrêa/PR
O ex-ministro Onyx Lorenzoni
1 de 1 O ex-ministro Onyx Lorenzoni - Foto: Marcos Corrêa/PR

A convocação de Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB) e doador de campanha do ex-ministro da Previdência Social, Onyx Lorenzoni (Progressistas), para depôr na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI)  do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) uniu bolsonaristas e petistas.

Gomes fez a doação de R$ 60 mil à candidatura de Onyx ao governo do Rio Grande do Sul, nas eleições de 2022 — o ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro (PL) nega conhecer o empresário.

CPMI do INSS: bolsonarista e petistas querem ouvir doador de Onyx - destaque galeria
3 imagens
PF deflagrou a Operação Sem Desconto em abril deste ano
Em abril de 2023, durante a deflaração da operação Sem Desconto, a PF apreendeu uma frota de carros de luxo em posse do Careca do INSS, das empresas dele e do filho do empresário
CPMI do INSS: bolsonarista e petistas querem ouvir doador de Onyx - imagem 1
1 de 3

Marcos Corrêa/PR
PF deflagrou a Operação Sem Desconto em abril deste ano
2 de 3

PF deflagrou a Operação Sem Desconto em abril deste ano

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Em abril de 2023, durante a deflaração da operação Sem Desconto, a PF apreendeu uma frota de carros de luxo em posse do Careca do INSS, das empresas dele e do filho do empresário
3 de 3

Em abril de 2023, durante a deflaração da operação Sem Desconto, a PF apreendeu uma frota de carros de luxo em posse do Careca do INSS, das empresas dele e do filho do empresário

Reprodução

Em março daquele ano, quando ele ainda era ministro da Previdência, a Amar Brasil pediu para firmar acordo com o INSS, com o intuito de efetuar descontos de mensalidades associativas de aposentados.

Pelo menos três requerimentos foram feitos para que o empresário preste depoimento. Um deles é de autoria da senadora Damares Alves (Republicanos).

O empresário está numa longa lista de requerimentos de Damares, que envolvem convocações e quebras de sigilo de operadores, empresários e agentes públicos investigados na Operação Sem Desconto, que investiga a farra dos descontos indevidos do INSS, revelada pelo Metrópoles.

Petistas também deixaram de citar a doação a Lorenzoni em seus pedidos. O senador Randolfe Rodrigues (PT) afirma que há “indícios de que a associação funcionou como fachada para operações financeiras irregulares, utilizando a estrutura de convênios com o INSS para captação ilícita de recursos, o que caracteriza grave violação dos direitos dos beneficiários”.

Assim como Damares, Randolfe também fez uma série de pedidos sobre outros envolvidos nos esquemas.

O deputado federal Rogério Correia (PT) afirmou que a “associação encontra-se arrolada nos inquéritos policiais como uma das entidades responsáveis pelas fraudes objeto desta CPMI”.

Pagamentos milionários

Segundo documentos da PF, obtidos pelo Metrópoles, Felipe Macedo Gomes recebeu R$ 17,9 milhões da entidade investigada nas fraudes do INSS por meio da EMJC Serviços, firma de “consultoria e gestão empresarial” aberta em dezembro de 2022, com capital de R$ 20 mil. Quando a ABCB entrou com pedido de acordo com o INSS, Gomes era seu presidente.

O endereço é uma sala comercial em Barueri, na Grande São Paulo, onde outros dirigentes da entidade que receberam quantias milionárias dela também sediam suas empresas. Todos são sócios de uma mesma companhia e atuam na área de correspondentes bancários de venda de crédito consignado.

Juntas, as empresas de dirigentes da Amar Brasil receberam R$ 79 milhões da entidade investigada pela PF, dos quais R$ 17,9 milhões foram para a empresa de Gomes, o doador de campanha do ex-ministro da Previdência.

Investigação sobre a ABCB

  • Segundo dados da Controladoria-Geral da União (CGU), a Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB) arrecadou, entre 2022 e junho de 2024, R$ 143,2 milhões com descontos de aposentados, sendo que no primeiro ano o valor foi de pouco mais de R$ 1 milhão, o que demonstra uma evolução nos rendimentos no auge da farra do INSS.
  • Relatórios da Polícia Federal (PF) mostram que a entidade foi fundada em novembro de 2020 e começou a receber recursos do Ministério da Previdência dois anos depois, após assinar o acordo de cooperação técnica.
  • A empresa foi registrada na Receita Federal no endereço de um escritório de advocacia que foi consultado por Gomes, em março de 2020, sobre o acordo com o Ministério da Previdência que seria assinado meses depois.
  • Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da ABCB e doador da campanha do ex-ministro Lorenzoni, tem dois jet skis e um Porsche registrados em seu nome, de acordo com a PF.
  • Quando o contrato foi assinado, a ABCB informou um endereço em Minas Gerais – o mesmo que a Foco Brasil Clube de Benefícios. No entanto, a CGU visitou o local em julho de 2024 e descobriu que, na verdade, a empresa Exponencial Distribuidora de Materiais Elétricos LTDA é que está no imóvel (veja imagem abaixo).
  • A investigação mostra, ainda, a relação da ABCB com o contador Mauro Palombo Concilio, que também trabalha para empresas de familiares de Virgílio Oliveira Filho, ex-procurador afastado do INSS que recebeu R$ 11,9 milhões de alvos da PF, e André Fidelis, ex-diretor do INSS demitido após o escândalo ser revelado pelo Metrópoles.

Onyx chama PF de tendenciosa

À época em que o Metrópoles publicou a reportagem sobre a doação, Onyx rebateu a investigação e disse que, enquanto ministro da Previdência, não tinha conhecimento sobre quais entidades foram habilitadas pelo INSS para descontar de aposentadorias, um direito adquirido pelas associações em 1991.

O ex-ministro também criticou a atuação da PF no caso.

“O cara da Polícia Federal fez um relatório tendencioso porque é uma coisa óbvia que não tem relação de causa e efeito porque o cara [Felipe Macedo Gomes] fez uma doação legal. Eu não conheço ele, pode ser até que alguém das minhas relações conheça e possa até ter pedido [a doação]”, disse Onyx ao Metrópoles.

Após a publicação da reportagem, a defesa de Felipe Macedo Gomes se manifestou. Os advogados Rogério Cury, Levy Magno, Daniela Cury e Victor Fanty afirmam que a empresa de Gomes “empresa presta serviços profissionais ao longo dos últimos anos, e que os recebimentos dela decorrentes foram devidamente declarados às autoridades competentes, de acordo a legislação vigente”.


A farra do INSS

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?