Com motos à frente, trânsito paulistano tem 300 mortes em 4 meses
Cidade de São Paulo teve 300 mortes no trânsito entre janeiro e abril, uma alta de 5,6%. Motociclistas estão entre principais vítimas
atualizado
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O número de mortos no trânsito paulistano cresceu 5,6% nos primeiros quatro meses do ano, em comparação com igual período do ano passado. Segundo dados do Infosiga, do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP), foram 300 mortes de janeiro a abril na cidade de São Paulo, mortalidade puxada pelos casos envolvendo motociclistas.
Os motociclistas destacam-se entre os grupos envolvidos em mortes no trânsito. No primeiro quadrimestre, foram 135 óbitos, mais de um por dia, ante 128 no mesmo período de 2025, um aumento de 5,5%.
Com relação a abril, especificamente, houve um aumento de 16,1% no número de motociclistas mortos, com 36 registros, cinco a mais que no mesmo mês do ano passado.
O aumento no número de mortes de motociclistas acontece em meio a discussões sobre a eficácia de medidas como a Faixa Azul, uma das principais bandeiras da gestão de Ricardo Nunes (MDB) para a segurança viária.
Em janeiro, estudo produzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal do Ceará (UFC) e do Instituto Cordial, com apoio da organização Vital Strategies, apontou que a Faixa Azul aumenta em até 120% o risco de acidentes fatais com motociclistas em cruzamentos e faz com que a velocidade média nas vias com essa segregação salte de 58,3 km/h para 72,2 km/h, por transmitir sensação de mais segurança aos condutores.
O levantamento foi questionado pela administração municipal, que chegou a contratar outro estudo, da Fundação Vanzolini, para “contrapor” e “contestar” o que foi apurado pela USP, UFC e Instituto Cordial.
Nos primeiros quatro meses do ano, cresceu também o número de pedestres mortos na cidade de São Paulo. Foram 130 óbitos, ante 116 de igual período de 2025, um aumento de 12,1%. Houve ainda variação nos óbitos envolvendo ciclistas, passando de 7 para 8.
Estado
No estado de São Paulo como um todo, foram 1.812 mortes no trânsito nos primeiros quatro meses do ano, uma queda de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025.
A participação dos motociclistas entre as vítimas também se destaca, sendo 815 mortes entre janeiro e abril.
Apesar da redução nos óbitos em geral, houve aumento de 2,2% nas mortes envolvendo pedestres, chegando a 460 vítimas.
O que diz a Prefeitura de São Paulo
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), afirma que realiza ações contínuas para ampliar a segurança do sistema viário e reduzir acidentes.
“Entre as principais iniciativas, destacam-se a Faixa Azul, com 233,3 km em 46 vias, beneficiando cerca de 500 mil motociclistas por dia, com meta de alcançar 400 km até 2028, e o Programa Operacional de Segurança em pontos com maior índice de acidentes”, afirma.
Segundo a CET, intervenções como Áreas Calmas (30 km/h), Rotas Escolares Seguras, ampliação do tempo de travessia, das faixas de pedestres e das travessias elevadas e a implantação de minirrotatórias e Frentes Seguras, aumentam a visibilidade e a segurança viária.
A CET também diz que monitora diariamente os acidentes e reforça a fiscalização com equipes em campo, presença de agentes em cruzamentos, uso de equipamentos eletrônicos e painéis informativos, além da realização de campanhas educativas.
















