Clientes denunciam agressão com pedaços de pau em bar do centro de SP
Funcionários do Bar do China, no Vale do Anhangabaú, agrediram homem em aparente situação de rua sob suspeita de que ele estaria roubando
atualizado
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Clientes do Bar do China, no Vale do Anhangabaú, na região central de São Paulo, denunciam terem presenciado agressões a um homem de aproximadamente 60 anos de idade, em aparente situação de rua, na noite desse sábado (31/1).
De acordo com relatos colhidos pelo Metrópoles, funcionários do estabelecimento agrediram o homem com um pedaço de pau sob a justificativa de que ele teria roubado o bar.
Uma testemunha, que prefere não ser identificada, conta que viu um dos funcionários pegar um pedaço de pau e bater no homem. “Abriu o braço do senhorzinho e também bateu muito nas pernas e aí ele ficou naquela mureta em frente a gente, sangrando muito, muito, muito”, disse a mulher.
A reportagem recebeu fotografias dos ferimentos causados pelas agressões. Devido à quantidade de sangue, o machucado foi borrado. Veja:
“Eles falaram que agrediram o senhor porque ele estava roubando. Mas tipo assim, eu não sei o que ele poderia ter roubado porque lá tem um balcão em frente às geladeiras, que tem as bebidas e enfim, não daria pra ele roubar nada ali, sabe”, disse.
“Não parecia que era um caso de roubo, não deu a entender que era roubo. E mesmo se fosse, foi totalmente desproporcional. O cara ficou todo sangrando”, reforçou Guilherme Silva, de 32 anos, outro cliente que presenciou as agressões.
Os dois contaram ainda que viram funcionários do bar utilizando uma mangueira para limpar o sangue que ficou na fachada do estabelecimento. “Pra não ter provas, né”, disse a cliente.
PM e Bombeiros não atenderam ocorrência, denunciam clientes
Os clientes que presenciaram a cena procuraram uma base móvel da Polícia Militar (PM), localizada em uma das saídas da estação São Bento do metrô, próximo ao bar. Os agentes teriam se recusado a atender a ocorrência, segundo os relatos.
“Eles falaram que não podiam sair da base móvel e abandonar o veículo para ver esse senhor. Mandaram a gente ligar no 193 [Corpo de Bombeiros]”, relatou a mulher.
De acordo com Guilherme, o atendimento por ligação foi demorado. “O telefone demorou muito para atender. E quando atendeu, precisou fazer aqueles procedimentos para saber se a pessoa está tendo sinais vitais e tudo mais”, contou.
Quando ligavam para a emergência, o homem agredido se afastou. “Nesse processo de demora e de burocracia, a gente perdeu o senhor de vista”, disse o cliente.
“A moça do atendimento falou que, já que ele saiu do nosso lado, eles não podiam fazer nada, sendo que ele continuava na praça”, contou uma testemunha à reportagem.
Quando o chamado ao 193 foi encerrado, Guilherme questionou os funcionários do bar sobre o motivo das agressões. Em resposta, ele ouviu que o homem estaria roubando o estabelecimento.
Guilherme questionou novamente se o episódio se tratava apenas da suspeita de roubo. “Falaram para eu ficar na minha, para calar minha boca”, contou.
Bar tem histórico de agressões
A dupla de clientes relatou à reportagem que o Bar do China tem suposto histórico de agressões. Em um episódio anterior, ocorrido em 2024, funcionários do estabelecimento agrediram um jovem suspeito de pichar um dos banheiros do local.
“Eles são um bar no centro e tão, assim, pra mim, fazendo práticas de tortura”, denunciou a mulher que pediu para manter a identidade preservada.
Outro lado
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que, até o momento, não localizou registro de ocorrência relacionado ao caso. A situação, no entanto, está sendo apurada.
“Em situações de emergência ou apoio policial, a orientação é ligar para o telefone 190 para direcionamento de equipe disponível mais próxima do local, garantindo rapidez no atendimento”, acrescentou a pasta.
Procurado, o Corpo de Bombeiros afirmou que também não encontrou registro do caso. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para atender a ocorrência. A vítima foi removida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vergueiro, na região central de São Paulo.
A reportagem procurou ainda o Bar do China para comentar as denúncias. Não houve retorno até a última atualização deste texto. O espaço segue aberto.








