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São Paulo

Caso Orixá: pai que acionou PM é indiciado por intolerância religiosa

Inquérito da Polícia Civil aponta que pai cometeu intolerância religiosa ao chamar PM após filha fazer desenho de orixá em atividade escolar

04/03/2026 19:10, atualizado 04/03/2026 20:06
Material cedido ao Metrópoles
desenho orixá pm apura ação agentes armados escola sp

A Polícia Civil de São Paulo indiciou por intolerância religiosa o pai de uma aluna que acionou a Polícia Militar após descobrir que a filha fez o desenho de uma orixá durante uma atividade escolar, na Emei Antônio Bento, zona oeste da capital paulista, em novembro do ano passado.

A decisão pelo indiciamento aconteceu em fevereiro e o inquérito policial já foi encaminhado à Justiça. A informação foi confirmada ao Metrópoles pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). A reportagem não conseguiu contato com a defesa do pai, que terá sua identidade preservada para não expor a filha. O espaço segue aberto para manifestação.

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Desenhos de alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em atividade intitulada "Ciranda de Aruanda"
Desenhos que alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, fizeram em atividade sobre religiões de matriz africana
Desenho da orixá Iansã que motivou pai de aluna de escola infantil de São Paulo a chamar a polícia
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Desenho da orixá Iansã que motivou pai de aluna de escola infantil de São Paulo a chamar a polícia

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Desenhos de alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em atividade intitulada "Ciranda de Aruanda"
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Desenhos de alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em atividade intitulada "Ciranda de Aruanda"

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Desenhos que alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, fizeram em atividade sobre religiões de matriz africana
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Desenhos que alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, fizeram em atividade sobre religiões de matriz africana

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O caso envolvendo o desenho foi revelado pelo Metrópoles e gerou repercussão nacional. Como mostrou a reportagem à época, no dia 12 de novembro de 2025, o pai da estudante chamou a PM após discordar de uma atividade feita pela filha, de 4 anos. O homem, que também é policial, disse aos agentes que sua filha estaria sendo obrigada a ter “aula de religião africana”, alegou que sua família era cristã e não concordava com aquilo.

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Os policiais que atenderam ao chamado entraram armados no colégio — um deles portava uma arma de grosso calibre. Segundo testemunhas, a ação assustou crianças que estavam no local.

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A atividade alvo da reclamação, no entanto, não era de ensino religioso, e fazia parte, na verdade, do

currículo antirracista da rede municipal de ensino.

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O que era a atividade?

  • A atividade que culminou no desenho estava ligada à leitura do livro infantil “Ciranda em Aruanda”, da autora Liu Olivina.
  • Na obra, a autora traz ilustrações de 10 orixás e apresenta, em textos curtos, as características das divindades – Oxóssi, por exemplo, é retratado como “o grande guardião da floresta”.
  • Uma professora da Emei leu a história para os alunos. Em seguida, cada estudante fez um desenho a partir da leitura. A menina, de 4 anos, desenhou Iansã, orixá ligada aos ventos e às tempestades.
  • Os desenhos foram expostos no mural da escola.
  • O livro têm o selo Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e faz parte do acervo oficial da rede municipal de ensino.
  • Após saber do caso, a autora Liu Olivina lamentou o episódio.

Após a repercussão do caso, diferentes autoridades se pronunciaram sobre o episódio, exigindo investigação sobre a atitude do pai e também dos policiais que atenderam a ocorrência. Como mostrou o Metrópoles, uma investigação preliminar do 16º Batalhão de Polícia Militar concluiu pelo arquivamento da apuração sobre o pai da criança e sobre o tenente que atendeu a ocorrência. Em nota, a SSP diz que ainda há um Inquérito Policial Militar aberto sobre o caso.