Carnaval: 5 momentos marcantes dos desfiles das escolas de samba de SP
Desfiles das 14 escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo levantaram arquibancada com momentos de alegria e tensão
atualizado
Compartilhar notícia

Os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo de 2026 foram marcados pela emoção, luxo nas fantasias e grandiosidade de carros alegóricos. Também surgiram alguns transtornos em meio às apresentações. Para você não ficar de fora, o Metrópoles separou cinco momentos que se destacaram no fim de semana de Carnaval no Anhembi.
De forma geral, episódios que ficaram na memória de quem assistiu aos desfiles devem provocar impacto na avaliação dos jurados, que terão os votos apurados a partir das 16h desta terça-feira (17/2).
Paradinhas e bossas da bateria da Mocidade Alegre
Na noite da última quinta-feira (12/2), em conversa com a reportagem na dispersão do Anhembi, Mestre Sombra não quis “entregar o ouro” sobre quais novidades a Mocidade Alegre levaria para a avenida em 2026. Entretanto, deixou escapar que botaria o povo para cantar. E foi exatamente isso que a bateria da Morada do Samba fez ao longo do desfile em homenagem à atriz Léa Garcia, criando longas paradinhas ou outras bossas que permitiram que as vozes dos integrantes da escola se sobressaíssem em meio à apresentação musical.
Seja no “lerê, lerê”, em alusão à novela Escrava Isaura, ou no “ô, malunga ê”, o coral se destacou, com força. De bônus, a rainha de bateria Aline Oliveira, que já fez de tudo um pouco ao longo de mais de duas décadas na escola, ainda agitou um bandeirão em meio aos ritmistas e levantou a arquibancada.
Ritual xamânico da Gaviões da Fiel que justifica ausência do verde
Como representar a floresta presente no samba-enredo de luta indígena e ambiental sem usar a cor verde, associada ao rival Palmeiras e vetada desde sempre na quadra da Gaviões da Fiel e nas arquibancadas onde a torcida faz a festa? A pergunta que não quis calar foi respondida nos primeiros minutos da apresentação da escola alvinegra.
A comissão de frente mostrou um ritual xamânico com o alucinógeno yakoana, que embaralha os sentidos e cria novas realidades, incluindo a substituição de cores. Tudo o que veio depois estava justificado sob esse manto lisérgico, incluindo o abre-alas gigantesco (maior carro alegórico do Carnaval deste ano, com 72 metros).
A letra do samba até deu uma dica: “Um caminho a reluzir, entre as matas, um brilho de estrelas”. Então tudo ficou prateado ou azulado, nada de verde.
Atraso no desfile da Rosas de Ouro por causa do óleo na pista
Na Fórmula 1, uma bandeira com listras amarelas e vermelhas é agitada sempre que algum carro deixa um rastro de óleo na pista, colocando em risco a integridade dos pilotos. E no Carnaval? No sambódromo, não tem como reduzir a velocidade, chamar um carro-madrinha ou interromper um desfile na metade.
Depois que uma alegoria da Acadêmicos do Tatuapé soltou óleo na avenida, o que levou até escorregão e queda de mestre-sala e porta-bandeira da própria escola, a Rosas de Ouro optou por esperar que tudo fosse resolvido antes de dar início à apresentação.
Foram longos 40 minutos de espera da limpeza completa do pavimento, tempo suficiente para que os ritmistas da agremiação revisitassem, durante um esquenta mais que prolongado, uma série de sambas-enredo do passado, cantos que fizeram a alegria da nação do azul e rosa em outros momentos.
Mocidade Unida da Mooca causa surpresa em estreia na elite
A Mocidade Unida da Mooca abriu a primeira noite de desfiles como uma novata cheia de marra, que quis mostrar a que veio. Foi a estreia da escola no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo. A apresentação consistente prestou uma homenagem ao Geledés, o Instituto da Mulher Negra. Alegorias de primeira e cheias de significado deram o tom da apresentação.
Um dos momentos mais emocionantes trouxe, durante uma paradinha, os integrantes da bateria com punhos cerrados para o alto, um eterno símbolo da luta antirracista. A expectativa de quem viu o desfile é a de que a agremiação de um dos bairros mais tradicionais de São Paulo permaneça entre as principais do samba. O clima estava tão bom que a escola quase estourou o tempo máximo de permanência na avenida, escapando por 20 segundos de sofrer uma punição.
Pane trava carro da Camisa Verde e Branco
Foi no 14º e último desfile do Grupo Especial, já na manhã de domingo (15/2), que surgiu o principal problema envolvendo carros alegóricos no Carnaval deste ano em São Paulo. Tudo se encaminhava para que nenhuma escola sofresse punições por estourar o tempo na avenida, até que a alegoria representando Exu, que transportava a velha guarda da Camisa Verde e Branco, bateu na lateral direita da avenida.
Travou ali, em meio ao desespero dos integrantes da agremiação, que tentavam de todas as formas fazer com que o veículo se soltasse e pudesse terminar a jornada na dispersão. No fim, a escola cruzou o portão alguns segundos após o limite de 1h05min59, o que leva à perda automática de 0,2 ponto, fora os danos referentes à avaliação sobre a evolução da agremiação, que ficou com buracos entre alas. A falha pode ser crucial e até definir o rebaixamento para o Grupo de Acesso em 2027.



































