Câmara de SP quer destravar pauta após semestre turbulento. Veja lista
Prefeito Ricardo Nunes (MDB) se reuniu com cerca de 40 vereadores para discutir as prioridades da gestão no 2º semestre na Câmara Municipal
atualizado
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A Câmara Municipal de São Paulo terá, nesta quarta-feira (6/8), sua primeira sessão plenária após o retorno do recesso de meio de ano. Após um primeiro semestre turbulento, com mudanças na Presidência da Casa e no perfil dos vereadores após a eleição de 2024, a base do prefeito Ricardo Nunes (MDB) busca destravar a pauta e fazer andar os projetos de interesse da gestão.
Nessa terça-feira (7/8), Nunes foi até a Câmara e se reuniu com cerca de 40 vereadores, além do presidente da Casa, Ricardo Teixeira (União Brasil).
O encontro durou cerca de duas horas e tratou das prioridades para o segunda metade do ano legislativo. Entre as novidades, o líder do governo, Fábio Riva (MDB), anunciou que o Executivo enviará um projeto para desburocratizar as regras de abertura de empresas na capital.
“A ideia é que a gente possa fazer um projeto principalmente quando a gente fala do autodeclaratório. Muitas cidades do mundo já adotam o autodeclaratório. [A ideia é que] você possa desburocratizar a apresentação da documentação necessária para ter o licenciamento de uma atividade aqui na cidade de São Paulo”, disse Riva, em entrevista após a reunião. O vereador ainda disse que a Câmara deve formar um subcomissão para discutir o assunto e auxiliar a prefeitura na formulação do projeto.
Nos bastidores, vereadores criticaram ao longo do primeiro semestre a ausência de projetos importantes enviados pelo Executivo à Casa. Desde o início do ano, Nunes enviou 13 projetos para a Câmara Municipal e viu oito serem aprovados, sendo que dois deles se referem à Lei Orçamentária e o reajuste dos servidores, que, tradicionalmente, são votados todos os anos.
Entre os textos aprovados, estão alguns considerados de pouco impacto ou protocolares, como a criação do Conselho Municipal de Promoção de Segurança Jurídica Tributária, a criação da Secretaria Municipal de Planejamento, a mudança no slogan oficial do município e a prorrogação de mandatos de membros do Conselho Municipal de Habitação.
Também foi aprovado um PL (Projeto de Lei) que alterou alinhamentos viários nas regiões de Grajaú e Cidade Dutra, para possibilitar a construção da nova Ponte Graúna-Gaivotas, na zona sul da cidade.
Polícia Municipal e Mototáxi
Além disso, o governo dedicou esforços e pressionou pela aprovação de um projeto da vereadora Edir Sales (PSD) que alterava o nome da Guarda Civil Metropolitana (GCM) para Polícia Municipal, o que acabou barrado na Justiça posteriormente.
Outro tema abraçado por Nunes foi a discussão sobre a regulamentação do serviço de mototáxi na cidade, atualmente proibido por um decreto municipal e alvo de uma batalha judicial entre a Prefeitura de São Paulo e os aplicativos. Em meio ao debate, a Câmara realizou audiências públicas e instaurou uma subcomissão para avaliar o assunto. As discussões serão retomadas neste segundo semestre.
Nessa terça-feira (5/8), Teixeira negou que a Câmara tenha tido um ritmo lento de aprovação de projetos nos seis primeiros meses do ano.
“São números positivos, aprovamos mais leis comparado com os outros semestres. O assunto mototáxi é que levou muito tempo de discussão, que não é um assunto novo. Praticamente todas as lideranças colocaram, que é um assunto que envolve vida e que, portanto, precisa tomar muito cuidado, mas nesse semestre, com certeza, a gente fecha esse assunto”.
A Câmara encerrou o primeiro semestre com a aprovação de 202 projetos de lei. Desse total, 133 foram aprovados em primeiro turno e ainda dependem da segunda votação. Já 69 tiveram a tramitação concluída. Os dados incluem apenas PLs, sem considerar outras proposituras, como PDLs (Projetos de Decreto Legislativo), que tratam majoritariamente de concessão de honrarias.
Dificuldades no 1º semestre
- Com uma oposição mais forte e a falta de controle sobre as bancadas da base, que possuem em seus quadros vereadores com postura de independência, o governo teve dificuldade na relação com o Legislativo.
- Um dos exemplos foi a aprovação em plenário de duas CPIs com potencial de danos à gestão, como a CPI do Jardim Pantanal e a das fraudes nas Habitações de Interesse Social (HISs). Com a criação aprovada pelos vereadores, a base aliada autuou para boicotar a instalação dos colegiados, não indicando seus membros.
- A oposição interpretou o episódio como uma pressão indevida do Executivo sobre a Casa, classificou o movimento como quebra de acordo e judicializou a questão.
- Outro fator de instabilidade foi a troca na presidência. Segundo vereadores, o ex-presidente Milton Leite (União), que comandou a Casa em sucessivos mandatos, instaurou um modo próprio de conduzir os trabalhos e tinha a confiança dos pares.
- Embora elogiado pela abertura ao diálogo, Teixeira teve dificuldades em conter os ânimos de um plenário inclinado a discussões ideológicas e aplicar um estilo próprio de condução, de acordo com a avaliação de parlamentares da base e da oposição.
- Além disso, vereadores reclamam de pouco diálogo por parte de Ricardo Nunes e da liderança do governo. Para auxiliar Riva na articulação com as bancadas, no final do semestre, Nunes indicou o vereador Gilberto Nascimento Jr. como vice-líder do governo.
Veja os principais projetos que devem ser votados no 2º semestre da Câmara Municipal de SP:
Expansão do Butantan
O projeto de autoria do Executivo que pretende ampliar o parque fabril do Instituto Butantan, na zona oeste da cidade, visando o aumento na produção de vacinas. Para isso, o texto altera a lei de zoneamento na área e aumenta o gabarito de construção dos prédios do órgão, que poderão ter até 48 metros de altura.
Nessa terça (5/8), uma audiência pública na Câmara discutiu o assunto. Na ocasião, a liderança do governo apresentou, em parceria com o Butantan, um substitutivo delimitando a área do novo projeto apenas ao atual parque fabril e aos terrenos onde já há construções, excluindo as áreas de alta densidade arbórea que constavam da proposta anterior, que foi alvo de críticas.
Segundo o órgão, com a verticalização, não haverá necessidade de ocupação de novas áreas e ou de retirar cerca 6.600 árvores no terreno, como constava no texto original — que já foi aprovado em 1ª votação.
Além da mudança de zoneamento da área onde hoje fica o Instituto Butantan, a audiência pública de terça também discutiu o projeto de lei da prefeitura que aumenta em dez vezes a multa para os responsáveis por deixar fios abandonados na capital.
Lei Cidade Limpa
Um dos temas polêmicas que serão discutidos pelos vereadores está a revisão da Lei Cidade Limpa, implementada pelo então prefeito Gilberto Kassab e que baniu publicidade na cidade a partir de 2006. Um projeto de lei do vereador Rubinho Nunes (União) visa flexibilizar a legislação e permitir anúncios até 200% maiores, além da cobertura de até 70% da fachada de imóveis com publicidade.
A justificativa para as mudanças é supostamente tornar a cidade mais atrativa para investimentos em publicidade, gerando mais empregos no setor de marketing, criando uma espécie de “Times Square” paulistana. A iniciativa sofreu fortes ataques de Kassab, que classificou o movimento como uma “punhalada nas costas” de São Paulo.
“Tem 20 anos que ela existe. A Casa e o Executivo entendem que há necessidade de uma revisão. É um assunto que vamos debater muito no segundo semestre”, disse Ricardo Teixeira. O presidente da Câmara chegou a conversar com Kassab para explicar a necessidade de uma atualização da lei.
Procon Municipal
Também deve avançar nos próximas semanas a tramitação de um projeto do prefeito que prevê uma reestruturação do Procon municipal. O órgão já existe no âmbito da cidade de São Paulo, mas de acordo com Fábio Riva, será fortalecido com o novo texto.
“É uma revisão que vai dar um pouco mais de rigidez ao atendimento ao consumidor paulistano. Tem o Procon que é o estadual, mas aqui na cidade de São Paulo nós temos várias reclamações e a Secretaria de Justiça efetivamente vai organizar todo esse papel do Procon municipal”, afirmou Riva, que negou que a inciativa crie novos cargos.
Bonificação para GCMs
Outro projeto do Executivo que está em discussão na Câmara é a bonificação de R$ 1 mil para guardas civis metropolitanos que atuarem em ocorrências de recuperação de motos roubadas.
O valor será pago para cada veículo recuperado, desde que haja comprovação da efetiva participação do agente na ação, e deverá ser validado pela autoridade competente. De acordo com o projeto, a bonificação não será incorporada ao salário do GCM e poderá ser paga de forma individual ou em equipe, a depender da ocorrência.
