“Caixa” do crime organizado: saiba por que PCC tentou blindar Deolane

Polícia Civil de São Paulo diz que operadores do PCC fragmentavam referências a Deolane para ocultá-la em “balancetes” da facção criminosa

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Quem são os alvos da operação que mira Marcola, do PCC, e Deolane
1 de 1 Quem são os alvos da operação que mira Marcola, do PCC, e Deolane - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles e Reprodução

Integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) demonstraram preocupação em preservar a identidade da advogada e influenciadora Deolane Bezerra Santos dentro do esquema de lavagem de dinheiro atribuído à facção, segundo relatório final da Polícia Civil de São Paulo.

Ela foi presa na quinta-feira (21/5), em sua mansão na Grande São Paulo, durante ação conjunta da Polícia Civil com o Ministério Público paulista (MPSP).

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Batizada de Operação Vérnix, a ação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.
Deolane Bezerra posa em Roma antes de ser presa
As investigações apontam para um esquema sofisticado de ocultação de patrimônio, que utilizaria empresas e terceiros para movimentar recursos atribuídos à facção criminosa. Segundo os investigadores, uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, interior paulista, teria sido usada para lavar dinheiro da família de Marcola.
Marcola, líder máximo do PCC
Os investigadores afirmam que Deolane recebeu depósitos considerados suspeitos entre 2018 e 2021.
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21/5), em Alphaville, na Grande São Paulo, durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
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A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21/5), em Alphaville, na Grande São Paulo, durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Batizada de Operação Vérnix, a ação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.
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Batizada de Operação Vérnix, a ação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.

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Deolane Bezerra posa em Roma antes de ser presa
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Deolane Bezerra posa em Roma antes de ser presa

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As investigações apontam para um esquema sofisticado de ocultação de patrimônio, que utilizaria empresas e terceiros para movimentar recursos atribuídos à facção criminosa. Segundo os investigadores, uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, interior paulista, teria sido usada para lavar dinheiro da família de Marcola.
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As investigações apontam para um esquema sofisticado de ocultação de patrimônio, que utilizaria empresas e terceiros para movimentar recursos atribuídos à facção criminosa. Segundo os investigadores, uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, interior paulista, teria sido usada para lavar dinheiro da família de Marcola.

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Marcola, líder máximo do PCC
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Marcola, líder máximo do PCC

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Os investigadores afirmam que Deolane recebeu depósitos considerados suspeitos entre 2018 e 2021.
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Os investigadores afirmam que Deolane recebeu depósitos considerados suspeitos entre 2018 e 2021.

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De acordo com os investigadores, Everton de Souza — apontado como operador financeiro da organização criminosa — repassava ordens recebidas de integrantes da cúpula do Primeiro Comando da Capital e evitava mencionar diretamente o nome da influenciadora em movimentações financeiras ligadas ao grupo.

“[Ele] externava claramente a preocupação em não identificar Deolane, obviamente por esta ser uma das principais engrenagens na complexa estrutura de lavagem de capitais ora desnudada”, afirma trecho do relatório policial.

Nessa sexta-feira (22/5), Deolane foi transferida da Penitenciária Feminina de Sant’Ana, na zona norte paulistana, para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior.

O deslocamento ocorreu porque a investigação que culminou na prisão preventiva da influenciadora foi conduzida na região de Presidente Venceslau, no oeste do estado.

“Balancetes” e contas fragmentadas

A Polícia Civil afirma que Everton de Souza enviava números de contas bancárias usadas em “acertos” e “balancetes” mensais da facção. Em uma dessas movimentações, segundo o relatório, apareceria uma conta ligada a Deolane.

“Essa conta informada, ainda que fragmentada com relação ao nome do titular, nos trouxe até a investigada Deolane Bezerra Santos após confirmação do envio do comprovante de depósito”, aponta o documento.

Os investigadores sustentam que a fragmentação do nome da influenciadora fazia parte da estratégia para dificultar a identificação dela dentro das movimentações do PCC.

Segundo o relatório, duas contas atribuídas a Deolane receberam valores oriundos da facção criminosa.

Papel estratégico na engrenagem

A investigação aponta que Deolane exercia função relevante na estrutura financeira usada para ocultar recursos da organização criminosa.

“Deolane […] movimenta milhões de reais em nome da facção, sob o manto de sua atuação pública”, diz o relatório policial.

A decisão judicial que autorizou a prisão preventiva da influenciadora reforça essa linha investigativa ao afirmar que ela foi identificada como beneficiária de valores recebidos em contexto de “acerto” e “fechamento” financeiro da facção, “e não como remuneração lícita por serviços advocatícios”.

Segundo a Polícia Civil, empresas ligadas à influenciadora apresentavam características típicas de estruturas de lavagem de dinheiro, com movimentações incompatíveis com o faturamento declarado, além de depósitos milionários sem origem identificada.

Veja o que Deonale disse em audiência

Mais de R$ 40 milhões movimentados

O relatório aponta que Deolane movimentou mais de R$ 40 milhões como pessoa física. Parte dos créditos e débitos, segundo os investigadores, não teve origem ou destinatário identificados.

“Isso não é apenas prova irrefutável de ato de branqueamento de valores, mas também de que a movimentação ilícita por suas contas é tamanha gerando certo descontrole nos cálculos e posteriores lançamentos”, diz a Polícia Civil.

Entre os bens citados pela investigação está uma Ferrari SF90 avaliada em mais de R$ 4,7 milhões, além de outros veículos de luxo registrados em nome de empresas ligadas à influenciadora.

Investigação nasceu em transportadora do PCC

O caso começou a ser desdobrado a partir da investigação sobre a transportadora Lopes Lemos, apontada como empresa usada pelo PCC para lavagem de capitais e movimentação patrimonial da facção.

As apurações indicam que integrantes da família de Marcola utilizavam operadores financeiros e empresas de fachada para ocultar patrimônio e distribuir recursos da organização criminosa.

Segundo o MPSP e a Polícia Civil, Deolane, Everton de Souza, integrantes da família Herbas Camacho e outros investigados integrariam esse núcleo financeiro ligado à facção, entre eles Marcola — principal liderança do PCC.

Defesa nega ligação com facção

A defesa de Deolane nega qualquer vínculo da influenciadora com o PCC ou com lavagem de dinheiro.

Familiares dela afirmam que a investigação tenta transformar “suposições em condenações” e sustentam que os valores movimentados têm origem lícita.

Em audiência de custódia (assista acima) Deolane alegou que foi presa por conta de seu trabalho como advogada, para o qual teria recebido R$ 24 mil referentes a um processo “antigo”. “Fui presa por estar advogando”, afirmou.

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