Cães menores são mais agressivos e meio social influencia, diz estudo
Pesquisa do Instituto de Psicologia da USP indicou que cães menores podem ser mais agressivos e o meio social pode influenciar comportamento

São Paulo – Um estudo do Instituto de Psicologia (IP) da Universidade de São Paulo (USP) apontou que cães menores são mais agressivos e que o contexto social do animal também influencia a agressividade.
O artigo “Relações entre fatores morfológicos, ambientais, sociais e perfis de agressividade em cães brasileiros de estimação” indicou ainda que cachorros que brincavam e passeavam com os tutores tinham uma propensão mais baixa a reações violentas.
Flavio Ayrosa, pesquisador do Departamento de Psicologia Experimental do IP e autor principal da pesquisa, relatou que cães menores e mais novos são mais energéticos e responsivos devido ao metabolismo.
Escala de agressividade
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPO levantamento reuniu informações sobre 665 cães. Os tutores responderam questionários online que abordavam aspectos gerais, como idade e características do cachorro, interação entre o animal e o tutor, e agressividade.
A ausência de agressão era representada pela nota zero. A escala aumentava até cinco e incluía ações como rosnar, latir, abocanhar o ar até tentar morder ou morder uma pessoa. O levantamento mensurava ainda a reação do pet ao ser corrigido verbalmente pelo tutor ou por um morador da casa.

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Ver todas“O estudo é um tijolinho compondo a construção de um pensamento científico que defende que o comportamento do cão, e também de qualquer outro organismo, emerge da interação entre o indivíduo e o ambiente social e físico: não está programado, embora esteja restrito justamente por estes aspectos físicos e sociais”, disse Briseida Dogo de Resende, professora do IP e autora do artigo.
Método
Inicialmente, a proposta dos pesquisadores era que os questionários fossem respondidos presencialmente também. No entanto, a pandemia de Covid-19 frustrou esse plano.
A participação apenas virtual na pesquisa aumentou a chance de a subjetividades dos tutores impactar os resultados. Porém, Flavio afirmou que testes presenciais em laboratórios também poderiam acarretar estresse e, assim, influenciar a avaliação.
“Com o nosso questionário, nós quisemos deixar a situação mais naturalista possível, então, a pessoa vai responder sobre o seu cachorro no dia a dia”, explicou o autor principal.
Cachorros de focinho achatado
O artigo mensurou que cachorros de focinho achatado ou braquicefálicos, de raças como Pug, Shih Tzu e Buldogue francês, apresentavam maior agressividade.
Essa constatação vai contra outros resultados da literatura científica. O estudo considerou que por serem pequenos incomodam menos ao latir e rosnar. Assim, frequentemente, são menos corrigidos ou treinados para não agirem assim.
“No nosso caso, a gente discute como um cão braquicefálico é um cachorro da moda no contexto urbano brasileiro”, destacou Flavio Ayrosa.











