Após 13 dias, busca por jovem levado por enxurrada em SP é suspensa
Erick Silva, de 24 anos, está desaparecido desde a noite de quinta (6/2), quando seu carro foi arrastado por uma enxurrada na zona sul de SP
atualizado
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São Paulo — O Corpo de Bombeiros suspendeu temporariamente as buscas por Erick Silva, de 24 anos, desaparecido desde a noite de 6 de fevereiro, quando seu carro foi levado por uma enxurrada no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, durante as fortes chuvas que atingiram a capital paulista (veja vídeo abaixo). A decisão foi tomada “após esgotamento das possibilidades viáveis de localização”, segundo a corporação.
“Após oito dias de operação minuciosa, em que as equipes buscaram em pontos estratégicos ao longo de todo o córrego, proximidades do local da ocorrência e também no Rio Pinheiros, o efetivo inicia a fase de monitoramento, incluindo o da região. Em caso de novas informações sobre o paradeiro da vítima, as operações serão imediatamente retomadas”, diz a nota da Secretaria da Segurança Pública (SSP).
O caso foi registrado no 47º Distrito Policial, no Capão Redondo, como desaparecimento de pessoa e encaminhado ao Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que segue com as diligências necessárias para o completo esclarecimento dos fatos.
O que se sabe até agora
- Os bombeiros foram informados pelo primo da vítima de que ele havia sido levado pela inundação e estava desaparecido no último dia 6/2.
- As equipes foram até o local, na Rua Marmeleira da Índia, e apenas encontraram o veículo, parado no meio do Córrego da Cohab Adventista.
- As buscas foram feitas na região da Ponte Solidariedade até o início da madrugada do dia 7/2..
- Na manhã dos dias 8 e 9/2, duas equipes estavam empenhadas realizando as buscas, com início pela Av. Integrada, no Capão Redondo, informou o Corpo de Bombeiros.
- A família chegou a cogitar que Erick poderia estar no piscinão do Capão Redondo, obra municipal em andamento desde 2022. Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que estava “à disposição das autoridades policiais que seguem na busca do munícipe”.
- “As equipes da empresa responsável pela construção do piscinão no Capão Redondo, contratada pela SPObras, estavam já com bombas provisórias no local para esvaziar e, assim, dar andamento à obra”, informou a nota, dizendo que essas bombas auxiliariam na busca por Erick.
- No dia 10/2, equipes do Corpo de Bombeiros se dividiram em três frentes de trabalho para procurar o motorista. Duas delas fizeram buscas na Marginal do Rio Pinheiros, a partir da ponte João Dias, e a outra concentrou os trabalhos na região do piscinão e do Parque Santo Dias.
- No dia 11/2, três equipes retomaram as buscas na área do Rio Pinheiros e região para uma maior abrangência das buscas.
- Na última sexta-feira (14/2), uma equipe retomou as buscas pela manhã, em princípio na área do Rio Pinheiros. Esta foi a última atualização do Corpo de Bombeiros sobre o caso.
Um vídeo registrou o momento em que o carro foi arrastado. Veja:
Família mobilizada
Desde o dia em que o carro de Erick foi arrastado pela enxurrada, os parentes têm se envolvido diretamente nas buscas. No dia do desaparecimento, parte da família entrou no córrego para procurar o motorista quando soube que o Corpo de Bombeiros interromperia os trabalhos por causa da baixa visibilidade no local.
Nos dias seguintes, o grupo se revezou para acompanhar os trabalhos dos bombeiros, fez um protesto na região cobrando uma solução para o caso, e buscou vereadores e deputados à procura de apoio para pressionar o poder público.
Jadiel Duarte, primo de Erick, diz que a família está desesperada e “se sentindo impotente” em meio à falta de informações sobre o primo.
Noiva de Erick, Katarine Martins, de 24 anos, cobra mais atenção do poder público nas buscas. “A gente vota, paga imposto. Todo mundo é trabalhador, sabe? A gente faz o nosso dever. Por que eles não fazem o deles?”, diz a jovem.
Nessa terça-feira (18/2), a irmã de Erick, Ayla Silva, compartilhou nas redes sociais que, após 13 dias, a família não tem nenhuma notícia.
“Minha família foi na delegacia hoje conversar com o investigador e saber todas as ações que estão sendo feitas. Os bombeiros fizeram sua parte e ficaram 10 dias nas buscas sem parar”, escreveu. “Agora é a vez da polícia entrar em ação e começar a investigar para a gente ter uma resposta de onde o meu irmão se encontra.”






