Quase metade dos brasileiros não sabe definir o Holocausto, diz estudo
A pesquisa Conhecimento sobre O Holocausto no Brasil foi apresentada nesta quinta (22/1), em São Paulo, no Memorial da Imigração Judaica
atualizado
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O conhecimento da população brasileira sobre o Holocausto é superficial. É o que mostra um estudo inédito apresentado pelo Grupo ISPO, nesta quinta-feira (22/1), em São Paulo. Segundo o material, 46,8% das pessoas não sabem definir o que foi o genocídio de judeus cometido pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
Realizada em 2025, a pesquisa foi encomendada por quatro instituições: Confederação Israelita do Brasil (Conib); Memorial do Holocausto, de São Paulo; Museu do Holocausto, de Curitiba; e a organização sem fins lucrativos StandWithUs Brasil.
No geral, o conteúdo demonstra que falta acesso sistemático, contínuo e qualificado à educação histórica, apesar de haver reconhecimento social da relevância do tema.
Conhecimento no Brasil sobre o Holocausto
A apresentação dos dados ocorreu no Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto, no bairro Bom Retiro, região central da capital paulista. Na ocasião, estiveram presentes dois sobreviventes da perseguição sistemática que moram atualmente no Brasil: o húngaro Gabriel Waldman, nascido em 1938, e a belga Hannah Charlier, nascida em 1944.
Durante o evento, Sérgio Napchan, representante da Conib, destacou que, em um mundo marcado pelo reconhecimento do antissemistismo, pela banalização da violência e pela circulação acelerada da desinformação histórica, é preciso combater para relativizações e o negacionismo.
“Preservar a memória do Holocausto não é um compromisso exclusivo da comunidade judaica. É uma responsabilidade coletiva, democrática e civilizatória”, afirmou Napchan. “É preciso transformar diretrizes em práticas contínuas, qualificadas e acessíveis”, completou.
Sarita Mucinic Sarue, do Museu do Holocausto, enfatizou a importância de acabar com discursos de ódio. “O nosso propósito é ser eloquente na sociedade brasileira para não corrermos o risco da justiça e dos direitos humanos se afastarem da razão de existir”, apontou. “A educação é a melhor forma de combater a desinformação”, acrescentou.
Principais resultados da pesquisa
Apesar de 59,3% dos entrevistados terem afirmado que obtêm conhecimento sobre o Holocausto, apenas 53,2% conseguiram defini-lo como o extermínio sistemático de 6 milhões de judeus pelo regime nazista.
O conhecimento fica ainda mais frágil quando são avaliados elementos específicos do tema, conforme revela o estudo. Apenas 38,5% das pessoas identificaram corretamente Auschwitz-Birkenau como um campo de extermínio, enquanto 51,6% declararam não saber responder.
A escola aparece como a principal fonte de conhecimento (30,9%), seguida por filmes e livros (18,6%) e internet/redes sociais (12,5%). Museus, memoriais e instituições especializadas representam apenas 1,7% das respostas, indicando baixo acesso a espaços formais de memória.
Além disso, o estudo evidencia que as desigualdades socioeconômicas interferem diretamente no nível de conhecimento dos brasileiros em relação ao Holocausto. Segundo o estudo, 42,6% das pessoas com renda de até dois salários mínimos acertaram a definição, contra 87,1% entre aquelas com renda acima de 10 salários mínimos.
Embora haja um conhecimento limitado, 64,4% dos entrevistados consideram fundamental o ensino do Holocausto nas escolas, e 56,6% atribuem papel prioritário a museus e memoriais. Contudo, o engajamento prático é baixo: 87,3% afirmam nunca terem participado de palestras, eventos educativos ou visitas a museus relacionados ao tema.
Metodologia
Para a concretização do estudo Conhecimento sobre O Holocausto no Brasil, no total, foram feitas 7.762 entrevistas, com abrangência em 11 regiões metropolitanas brasileiras. As coletas foram realizadas presencialmente em pontos de fluxo, como estações de transporte e centros comerciais, com controle por cotas sociodemográficas.
O perfil predominante foi de 54,2% mulheres; 31,4% jovens de 18 a 29 anos; 51,8% com ensino médio; 54,4% com renda familiar de até dois salários mínimos.
Com abordagem quantitativa descritiva, o intervalo de confiança do estudo é de 95%, com margem de erro de 4,7%.
