Brasileira se despede antes de morte assistida na Suíça: “Vou em paz”. Veja vídeo

Diagnosticada com Atrofia Muscular Progressiva (AMP) há cerca de 1 ano e meio, Célia Maria Cassiano optou por morte conduzida por médicos

atualizado

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Imagem colorida mostra professora que viajou a Suíça para procedimento de morte assistida. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra professora que viajou a Suíça para procedimento de morte assistida. Metrópoles - Foto: <p>Reprodução/Instagram/@<br /> celiamariacassiano</p><div class="m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle"><div id="div-gpt-ad-geral-quadrado-1"></div></div>

A brasileira Célia Maria Cassiano publicou um vídeo de despedida nas redes sociais antes de passar por um procedimento de morte assistida na Suíça. Há cerca de um ano e meio, a professora de Campinas, no interior de São Paulo, foi diagnosticada com Atrofia Muscular Progressiva (AMP).

“Eu decidi que eu iria lutar pelo meu direito de ter uma morte digna. Porque eu, especificamente eu, apenas eu, não queria estar presa em uma cama ligada em aparelhos. Resolvi exercer o meu direito de escolher quando colocar um fim na minha vida. Então, nos últimos seis meses eu tive um trabalho muito intenso para localizar uma organização na Suíça, onde o suicídio assistido é permitido por lei”, afirmou Célia na publicação.

“Estou no meu limite da minha dignidade. Vivi uma vida deliciosa. Inclusive, esses últimos dias aqui foram os melhores da minha vida. Daqui a pouco vou descansar para sempre, como todos nós vamos. Todo mundo vai morrer, eu só quis anteceder. Sou uma privilegiada por estar aqui, privilegiada porque eu tinha muitos recursos, porque é muito caro e muito trabalhoso. Não é uma obrigação, é só uma escolha para quem assim o desejar. Então, vou em paz, fiquem em paz”, finalizou a professora no vídeo.

Célia justificou a decisão pelo sofrimento que ela vinha enfrentando desde o diagnóstico. “Eu estou perdendo a voz, perdi meus movimentos. Estou vivendo um processo de degeneração física. Estou super afiada intelectualmente, mas, fisicamente, estou sendo destruída por uma doença. Eu não aguentaria ficar nem um dia a mais, estou sofrendo. Hoje eu preciso de três pessoas para me levarem ao banheiro. Estou no meu limite da minha dignidade”, disse.

A Atrofia Muscular Progressiva é caracterizada pela degeneração do neurônio motor inferior e causa fraqueza, atrofia muscular, cãibras e contrações involuntárias. Não há cura e os pacientes precisam passar por tratamentos paliativos.

Em outra publicação, a professora comentou a dependência de cuidados constantes, inclusive para atividades básicas, além da perda de parte da vida social. Segundo Célia, ela passava a maior parte do tempo com funcionários e profissionais contratados para assisti-la.

Viagem para a Suíça

O planejamento para a morte assistida na Suíça começou há cerca de seis meses. A professora afirmou que chegou a procurar assistência do Brasil, mas que as pessoas desistiam de apoiá-la quando ficavam sabendo dos motivos. Ela precisou de um advogado para retirar documentos nos fóruns e de um laudo médico para poder seguir com o procedimento.

Célia pegou um voo para Zurique há cerca de uma semana. Ela contou que o trajeto foi complexo e que precisou da companhia de uma cuidadora. Para ir ao banheiro no avião, dois comissários precisaram ajudá-la. “A viagem em si é confortável, você vai deitada, mas tem que imaginar que vai ser bem trabalhosa mesmo.”

Antes do procedimento, a professora aproveitou para conhecer a Suíça. Ela visitou lugares como os museus Fondation Beyeler e Kunsthaus Zürich, o maior do país.


Morte assistida

  • A morte assistida consiste em procedimentos médicos para que os pacientes possam morrer sem dor e com a ajuda de profissionais. Ela pode ser executada por meio de eutanásia ou suicídio assistido.
  • No caso da eutanásia, o médico faz a prescrição e também aplica a substância que induz o paciente à morte.
  • Já no suicídio assistido, o médico faz a prescrição e auxilia, mas o próprio paciente é quem conduz o ato.
  • “Existem requisitos que dependem do país. Alguns contêm normas mais rígidas para doenças físicas; já outros, como a Suíça, querem liberar até para pacientes com transtornos mentais, autismo e depressões”, explicou Fábio Aurélio Leite, psiquiatra do Hospital Santa Lúcia Norte, em entrevista anterior ao Metrópoles.
  • No Brasil, a eutanásia e o suicídio assistido são práticas ilegais. Na Suíça, o suicídio assistido é permitido por lei, desde que não seja praticado por motivações egoístas.

 

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