Bilionário da Cimed recusou acordo de R$ 81 mil com MPSP. Entenda

João Adibe, presidente da Cimed, recusou acordo para encerrar caso sobre desobediência de embargo em obra de mansão nos Jardins

atualizado

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Mansão de João Adibe
1 de 1 Mansão de João Adibe - Foto: Arte/Metrópoles

O bilionário João Adibe (foto em destaque), presidente da Cimed, recusou um acordo penal com o Ministério Público de São Paulo (MPSP) para o pagamento de R$ 81 mil no âmbito de uma investigação por suspeita do crime de desobediência a embargos da obra de uma mansão dele nos Jardins, bairro rico paulistano.

Se ele topasse o acordo, o caso seria encerrado sem processo judicial. Sem a transação penal, o inquérito segue na Polícia Civil.

Revelado pelo Metrópoles, o caso se trata de uma batalha jurídica entre o empresário, a associação do bairro, Ame Jardins, e um banqueiro vizinho de Adibe. O responsável pela construção é o empresário João Adibe , presidente da farmacêutica e 86º homem mais rico do país, com patrimônio estimado em R$ 5,2 bilhões, segundo a revista Forbes.

No fim de fevereiro, o caso teve um desfecho na área cível, com com acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que negou recursos do empresário e manteve embargo judicial da obra. Paralelamente a isso, corre um inquérito criminal. Em 28 de março, o MPSP determinou à polícia que tome depoimento de Adibe e de uma agente de vistoria que acompanhava o imbróglio.


Entenda o passo a passo do inquérito

  • Início da investigação: O inquérito foi aberto em 8 de dezembro do ano passado e teve origem em uma notícia-crime enviada pela Subprefeitura de Pinheiros, que relatou o descumprimento de um embargo de obra na rua Guadalupe, nos Jardins.
  • Manifestação da defesa: Adibe, por meio de advogados, apresentou uma petição na qual alegou que o embargo era parcial (apenas sobre o muro), que a obra possuía alvarás válidos e que a prefeitura já havia emitido o Certificado de Conclusão de Obra (“Habite-se”) em novembro de 2025.
  • Sugestão de arquivamento: O 15º Distrito Policial (Itaim Bibi) concluiu o inquérito sugerindo o arquivamento, sob a alegação de que não se configura quando já existem sanções administrativas previstas em lei (como as multas aplicadas pela prefeitura), citando jurisprudência do STF e STJ.
  • Remessa ao judiciário: Os autores foram enviados ao Foro Criminal de Garantias em 21 de janeiro. O MPSP analisou o caso e, por se tratar de menor potencial ofensivo, enviou o assunto para o Juizado Especial Criminal (Jecrim).
  • Acordo negado: No dia 25 de março, houve uma audiência virtual no Jecrim, quando o MPSP propôs uma transação penal no valor de R$ 81.050,00, a ser revertida para fundos municipais. Com isso, o MPSP desistiria de processar Adibe e o caso seria encerrado sem condenação. No entanto, o investigado e seu advogado recusaram a proposta.
  • Novo depoimento: Após a recusa do acordo, o MPSP mandou o caso novamente para a delegacia por 30 dias. O objetivo é realizar novas diligências consideradas “indispensáveis”, especificamente a oitiva da agente que lavrou o auto de fiscalização e um novo depoimento do investigado.
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Imagem da obra da mansão de João Adibe anexada ao processo
Imagem aérea de obra de mansão anexada ao processo
Imóvel de João Adibe visto de fora, em imagem anexada ao processo
Trabalhadores em obra de mansão de João Adibe, em imagem anexada ao processo
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Trabalhadores em obra de mansão de João Adibe, em imagem anexada ao processo

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Imagem aérea de obra de mansão anexada ao processo

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Imóvel de João Adibe visto de fora, em imagem anexada ao processo
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Imóvel de João Adibe visto de fora, em imagem anexada ao processo

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Tensão nos Jardins

A Associação dos Moradores dos Jardins (AME Jardins) entrou com uma ação civil pública alegando que a obra foi aprovada como uma simples reforma, mas resultou na demolição quase total da construção original — um imponente casarão que teria tido apenas a fachada preservada, segundo a petição. A defesa de Adibe, por sua vez, afirmou que a obra foi autorizada por todos os órgãos competentes e já foi concluída há meses.

O Jardim Paulista, onde fica o lote, é um bairro estritamente residencial e submetido a rígidas restrições urbanísticas. Segundo a associação, a construção desrespeita regras de tombamento dos Jardins, ao extrapolar alturas máximas, descumprir recuos obrigatórios e realizar intervenções não previstas no projeto aprovado, como a construção de um segundo pavimento em uma edícula.

 

A AME Jardins ainda denunciou a supressão da vegetação do lote, com pavimentação que compromete a permeabilidade do solo, além de danos como infiltrações, redução de insolação e invasão de privacidade imóvel vizinho.

A ação relata também que as obras continuaram apesar de embargos do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico de São Paulo (Condephaat) e da Subprefeitura de Pinheiros.

“Os vídeos em anexo, datados de 6/12/25 (sábado), demonstram com clareza a continuidade da conduta recalcitrante, irregular e mesmo ilegal dos réus, que menosprezam as decisões administrativas e as multas aplicadas, seguindo seu intento construtivo como melhor lhe aprouver, ainda que ao arrepio das normativas”, diz a inicial.

Casa de banqueiro com fissuras

Um dos vizinhos que se dizem diretamente afetados pelas obras é o banqueiro André Schwartz, CEO do banco Genial. Um laudo técnico anexado à ação aponta que a demolição quase integral do imóvel vizinho, somada a serviços de terraplenagem pesada e uso de equipamentos de grande porte, teria provocado danos à residência de Schwartz.

O documento aponta o surgimento de trincas e fissuras nas paredes da casa, além de prejuízos ao uso regular do imóvel, que fica ao lado da mansão.

Em meio à polêmica, o banqueiro apresentou uma petição ao Condephaat na qual classificou como “deboche” um vídeo publicado pela esposa de Adibe, a influencer Cinthya Marques, em meio às ordens de embargo.

Na gravação publicada no fim de agosto (veja abaixo), ela descreve a movimentação de trabalhadores no local. “A betoneira está rolando ali. Tem gesseiro, tem eletricista. Também não sei o nome de tudo”, destaca no vídeo, cujo link foi anexado ao documento.

Assista:

 

No perfil com quase 300 mil seguidores, Cinthya ainda mostra detalhes da residência – como a fonte de inspiração para a piscina. ”Quando eu assisti o documentário do Gianni Versace, eu tinha certeza de uma coisa, que a próxima piscina da minha casa ia ser inspirada nele. Eu acho que o Gianni Versace ia ficar orgulhoso de mim, hein?”

Em outros trechos, a influenciadora digital exibe a enorme garagem, o closet e o banheiro, acrescentando que a obra utilizou 43 tipos diferentes de pedras. “E as pedras mais bonitas são as nacionais”, frisa.

O que diz o dono da mansão

Os advogados de João Adibe, Daniel Bialski e Fabio Kadi, afirmaram, quando o Metrópoles revelou o caso, que “a obra da casa foi autorizada por todos os órgãos competentes e já foi concluída há meses, portanto, não procede qualquer imputação de embargo”.

“O imóvel inclusive possui o Habite-se, o que comprova a inidoneidade das alegações apresentadas. Aliás, a família reside no local há tempos”, acrescentou o texto.

A nota afirmou ainda que, em ação anterior, há um laudo elaborado por perito judicial que descartou qualquer responsabilidade de João Adibe sobre os problemas relatados pelo vizinhos. “O documento atesta, ainda, que os danos relatados são oriundos de má conservação daquele”.

De acordo com o comunicado, uma ação sobre o mesmo caso movida pelo vizinho teve todas as cautelares indeferidas pela Justiça.

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