Ataque hacker: Justiça bloqueou R$ 270 milhões da conta de criminosos
Dinheiro foi bloqueado na mesma operação que prendeu o suspeito de participar do ataque hacker, realizada na noite de terça-feira (3/7)
atualizado
Compartilhar notícia

Além da prisão de um homem suspeito de participar do ataque hacker sofrido pela C&M Software, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 270 milhões de uma conta utilizada por criminosos envolvidos no esquema para recepcionar os valores milionários desviados.
João Nazareno Roque, de 48 anos, que trabalhava como operador de TI da empresa C&M, foi detido na noite dessa quinta-feira (3/7) em operação conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (veja o momento da prisão abaixo).
O detido confessou que deu acesso a hackers, por meio da máquina dele, ao sistema sigiloso da C&M. O ataque, que ocorreu na terça-feira (1º/7), abalou o sistema financeiro e expôs fragilidades na segurança de empresas responsáveis pela mensageria do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), que inclui o Pix.
Prisão de envolvido em ataque hacker
O Deic, por meio da 2ª Delegacia da Divisão de Crimes Cibernéticos, cumpriu mandado de prisão e buscas em desfavor de um dos autores da maior invasão de dispositivo eletrônico do país, que resultou em prejuízo milionário. Um inquérito policial foi instaurado para apuração de um esquema de furto qualificado por meio eletrônico, através de operações fraudulentas via Pix, contra a empresa BMP Instituição de Pagamento S/A, resultando em um prejuízo de aproximadamente R$ 541 milhões.
Veja o momento da prisão:
No decorrer das investigações, foi possível identificar que um funcionário da empresa C&M, que custodia/acautela transações via PIX entre a BMP e o Banco Central, estaria envolvido no esquema, facilitando que demais indivíduos realizassem transferências eletrônicas em massa.
Banco Central desligou conexões da C&M
Há relatos de que os criminosos teriam desviado, inicialmente, ao menos R$ 400 milhões ao invadir os sistemas da empresa e acessar contas de instituições financeiras, entre elas a BMP, uma provedora de serviços bancários digitais.
A C&M confirmou ao Metrópoles que foi vítima direta do ataque e afirmou, em nota, que os sistemas críticos seguem funcionando normalmente. A empresa também disse estar colaborando com as autoridades, como o Banco Central e a Polícia Civil de São Paulo.
O Banco Central, por sua vez, determinou o desligamento das conexões da C&M com instituições afetadas, como medida preventiva. A BMP informou que o ataque atingiu apenas recursos de sua conta reserva no BC e que nenhum cliente foi prejudicado.
Em nota, o advogado Jonas Reis, que representa João Nazareno Roque, os fatos relacionados à prisão temporária decretada no âmbito de
investigação da DEIC/2ª DCCIBER, que apura um suposto golpe financeiro praticado contra uma instituição bancária privada.
“O Sr. João Nazareno foi detido na data de 3 de julho de 2025, após o cumprimento de mandado judicial, tendo prestado todos os
esclarecimentos necessários às autoridades competentes. Sua conduta foi pautada pela colaboração, transparência e respeito à legalidade, inclusive franqueando o acesso a seus dispositivos eletrônicos e residência”, diz o texto.
A defesa esclarece que João Nazareno não possui antecedentes criminais, é profissional da área de tecnologia, pai de família, e sempre exerceu suas funções com responsabilidade e boa fé. “As informações colhidas até o momento demonstram que ele pode ter
sido corrompido e manipulado por terceiro ainda não identificado, que se valeu de aparente autoridade para induzi-lo a colaborar com atos cuja natureza criminosa não lhe era clara”.
“É prematuro e injusto atribuir ao investigado a pecha de liderança ou de participação estruturada em qualquer organização criminosa, sem que a apuração dos fatos tenha sido concluída e sem o devido contraditório. A defesa reforça seu compromisso com a verdade e reitera plena confiança na Justiça, que há de restabelecer a verdade dos fatos ao longo da instrução processual”, reforça o advogado.
“Por fim, esta defesa repudia qualquer forma de exposição indevida da imagem de João Nazareno Roque, especialmente em veículos de comunicação que, por sua relevância, devem observar rigorosamente os princípios da presunção de inocência e da imparcialidade”, completa a nota, enviada ao Metrópoles.








