Anvisa descarta risco à saúde após furto em laboratório da Unicamp
Professora furtou amostras de vírus de laboratório com nível máximo de biossegurança. Ela foi presa e liberada para responder em liberdade
atualizado
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Após a professora Soledad Palameta Miller, de 36 anos, ter furtado material biológico de um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) descartou risco à saúde pública. Ela foi presa em flagrante pela Polícia Federal (PF) no dia 23 de março, suspeita de retirar amostras de vírus do Instituto de Biologia, mas acabou solta e vai responder às acusações em liberdade.
Após a análise do material, a Anvisa informou que não há perigo para a população, afastando a possibilidade de uma ameaça sanitária. O órgão também participou das buscas realizadas no laboratório, mas não divulgou detalhes por conta do sigilo das investigações.
Em nota, a Unicamp afirmou que está colaborando com as autoridades e conduz uma apuração interna. A universidade também reforçou que o material não representa risco e destacou o compromisso com os protocolos de biossegurança.
Entenda o furto na Unicamp
- A Polícia Federal prendeu em flagrante, na tarde de segunda-feira (23/3), Soledad Palameta Miller, suspeita de furtar amostras de vírus de um laboratório da Unicamp.
- Ela foi presa durante uma operação em Campinas, com cumprimento de dois mandados de busca e apreensão.
- O material biológico estava armazenado no Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da universidade.
- Durante a operação, o material foi localizado no prédio da Faculdade da Engenharia de Alimentos da Unicamp e encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com apoio técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
- Segundo a Polícia Federal, as investigações buscam esclarecer as circunstâncias do caso; os envolvidos podem responder por furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.
- A Universidade Estadual de Campinas instaurou sindicância interna, afirma colaborar com as investigações e mantém sob sigilo informações sobre o material furtado
Quem é a professora
A professora presa é Soledad Palameta Miller. Ela nasceu na Argentina, tem 36 anos e é docente da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas. Com atuação nas áreas de ciência de alimentos, biotecnologia e virologia, ela integra o Departamento de Ciência de Alimentos e Nutrição (DECAN), onde desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Formada em Biotecnologia pela Universidade Nacional de Rosario, na Argentina, Soledad é doutora em Ciências pela Unicamp, na área de fármacos, medicamentos e insumos para a saúde. Ao longo da carreira, atuou em projetos científicos de alta complexidade, incluindo pesquisas com vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais voltados ao tratamento de câncer, além de estudos ligados ao desenvolvimento de vacinas e testes diagnósticos.
A docente também realizou pós-doutorado no Laboratório de Virologia da Unicamp, com foco em vacinas vetorizadas e diagnósticos de doenças, e participou de iniciativas de vigilância de vírus zoonóticos. Atualmente, segundo dados institucionais, coordena o Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos, com pesquisas voltadas à vigilância epidemiológica e ao desenvolvimento de diagnósticos e terapias relacionadas a vírus transmitidos por alimentos e água, dentro do conceito de “One Health”.
