Aneel deve decidir sobre processo de caducidade da Enel SP em agosto
Distribuidora pede anulação ou arquivamento da abertura do processo de caducidade do contrato aberto pela Aneel em abril deste ano

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve analisar em agosto o pedido de reconsideração apresentado pela Enel São Paulo que pede a anulação ou arquivamento da decisão de abertura do processo de caducidade do contrato da empresa após falhas e recentes apagões que atingiram a região metropolitana de São Paulo. O tema será pautado no próximo dia 11, última reunião do diretor da Aneel Fernando Mosna, que devei deixar o colegiado no dia 13 de agosto.
As alegações finais da Enel foram apresentadas no último dia 23. A distribuidora alega que a Aneel atribuiu um peso desproporcional ao evento climático de dezembro de 2025, utilizando-o como o único critério para declarar a ineficácia das medidas estruturais.
A empresa defende que a avaliação deveria considerar a evolução positiva dos indicadores ao longo de todos os 16 meses de monitoramento, e não ser anulada por um único evento excepcional e imprevisível. Segundo a Enel, nunca houve uma imposição formal de metas específicas para restabelecimento de energia no Plano de Recuperação e que esses parâmetros eram apenas sugestões técnicas internas que não foram transformadas em obrigações contratuais.
Para a Enel, a via sancionatória correta seria a aplicação de multas, conforme a gradação prevista na Resolução Normativa 846/2019 da Aneel, e não a medida extrema da caducidade após as falhas constatadas pela Agência.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPRecomendação de fim do contrato da Enel
Em 7 de abril, a diretoria da Aneel decidiu, por unanimidade, instaurar um processo administrativo para recomendação do fim do contrato da distribuidora no estado. Além disso, estabeleceu-se a suspensão da análise de renovação do negócio. No entanto, o órgão determinou um prazo de 30 dias para a empresa se manifestar.

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Ver todasAnteriormente, a Enel já havia contestado a nota técnica da Aneel que propôs a penalidade máxima de caducidade do contrato após as falhas e os recentes apagões que atingiram a capital paulista. O documento, enviado em 1º de abril, foi assinado pelo CEO da empresa no Brasil, Antonio Scala, e pelo presidente da Enel São Paulo, Guilherme Lencastre.
A companhia alega que o relatório ignorou uma evolução significativa nos indicadores de atendimento. Segundo a Enel, o número de interrupções prolongadas diminuiu em 86%. A melhora “consistente e comprovada” também inclui o atendimento e a recomposição da rede em eventos severos, com desempenho acima da média nacional.
O contrato da Enel na Grande São Paulo tem validade até 2028. Somente após a análise da defesa da Enel, se um eventual recurso for negado, a Agência encaminhará a recomendação para o Ministério de Minas e Energia (MME), responsável pelo veredito.
Decisão da Aneel
De acordo com o entendimento da Aneel, a Enel SP “não conseguiu alcançar os padrões de desempenho satisfatórios e permaneceu abaixo da média de outras distribuidoras em eventos climáticos extremos semelhantes”.
“Falhas na prestação de serviços continuaram, com elevado tempo de atendimento emergencial, aumento de interrupções superiores a 24 horas e falhas no planejamento e execução de planos de contingência”, informou.
No processo, a agência reguladora avaliou os eventos climáticos severos ocorridos na Grande São Paulo, em 2023, 2024 e 2025, “que resultaram em interrupções prolongadas no fornecimento de energia elétrica”.
A Enel apresentou um Plano de Recuperação para sanar as falhas apontadas, mas a área técnica concluiu que as medidas adotadas foram insuficientes. A empresa também apresentou manifestações e pareceres jurídicos. Contudo, os argumentos foram rejeitados pela Aneel.



