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Analfabeto, amigo de morto pela PM teve que assinar papel em delegacia

O colega de trabalho de Guilherme Santos Ferreira, morto por um policial militar minutos após sair do trabalho, diz ter sido coagido por PMs

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Guilherme Dias Santos Ferreira
1 de 1 Guilherme Dias Santos Ferreira - Foto: Reprodução

O colega de trabalho de Guilherme Santos Ferreira, morto por um policial militar minutos após sair do trabalho, na zona sul de São Paulo, em 4 de julho, foi levado algemado a uma delegacia por suspeita de participação em um roubo. Analfabeto, ele precisou assinar um papel, do qual desconhece o conteúdo, para ser liberado.

O rapaz, de 21 anos, não sabe ler e nem escrever. Ele prestou depoimento no Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de São Paulo, no dia seguinte à execução de Guilherme, com quem trabalhava há aproximadamente cinco meses.

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O PM diz ter reagido a uma tentativa de roubo e confundido o jovem com um dos assaltantes
Guilherme Dias Santos Ferreira, 26 anos, foi morto pela PM após ser confundido com ladrão
Guilherme Dias Santos Ferreira, 26 anos, foi morto pela PM após ser confundido com ladrão
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Guilherme Dias Santos Ferreira, 26 anos, foi morto pela PM após ser confundido com ladrão

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O PM diz ter reagido a uma tentativa de roubo e confundido o jovem com um dos assaltantes
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O PM diz ter reagido a uma tentativa de roubo e confundido o jovem com um dos assaltantes

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Guilherme Dias Santos Ferreira, 26 anos, foi morto pela PM após ser confundido com ladrão
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Guilherme Dias Santos Ferreira, 26 anos, foi morto pela PM após ser confundido com ladrão

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À polícia, o jovem disse que, naquela noite, os dois trabalharam até 22h28, quando chegou a tirar foto da máquina de ponto. Os dois foram juntos sentido ao ponto de ônibus da Estrada Ecoturística de Parelheiros, a cerca de 10 minutos da empresa.

Ao chegarem na avenida, eles atravessaram a faixa de pedestres. Foi quando o rapaz ouviu um tiro e viu Guilherme cair ao chão. Em seguida, o homem, autor do disparo, atravessou a rua e o abordou, lhe acusando de participar de um suposto roubo cometido na região.

O jovem disse que foi algemado, mesmo informando que havia acabado de sair do trabalho. Ele foi levado até a delegacia, onde não prestou depoimento, “porque estava se sentindo coagido pelos policiais militares que lá estavam”, conforme o testemunho feito no DHPP.

Sozinho, e mesmo sem saber ler e escrever, os policiais presentes disseram que ele precisava assinar um papel para ser liberado, o que foi feito. O rapaz não sabe dizer o que estava escrito no documento.

No DHPP, o jovem foi acompanhado pelo advogado da empresa em que trabalha, que também não sabe qual o teor do papel assinado.

SSP explicou teor do documento

Em nota enviada nesta terça (15/7), a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o rapaz foi ouvido e assinou um termo de declaração. Ele não teria informado à autoridade policial da delegacia que era analfabeto.

“É importante ressaltar que, conforme o artigo 216 do Código de Processo Penal, quando a testemunha declara essa condição, é designada uma testemunha de leitura. Nesse procedimento, o policial realiza a leitura integral do depoimento na presença do declarante e da testemunha, e, se houver concordância, o documento é assinado pelo depoimento por meio da escrita ou impressão digital”, disse a pasta.

Sobre a execução de Guilherme, a secretaria afirmou que a investigação segue em andamento pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que aguarda a emissão dos laudos periciais para concluir e relatar o inquérito policial ao Poder Judiciário. O policial militar envolvido na ocorrência segue afastado das atividades operacionais.


Jovem negro é morto “por engano” pela PM


Vídeo mostra jovem batendo ponto no trabalho

Vídeos de câmeras de segurança mostram o momento exato em que o trabalhador bateu o ponto em seu trabalho, às 22h23, apenas alguns minutos antes de ser morto pelo policial militar.

Câmera flagrou PM atirando em outros suspeitos antes de matar Guilherme

Da mesma forma, uma câmera de segurança da rua flagrou o PM Fabio Anderson Pereira de Almeida atirando contra dois suspeitos antes de matar Guilherme por engano. De acordo com boletim de ocorrência obtido pelo Metrópoles, os motociclistas haviam anunciado um assalto contra Almeida, que reagiu com disparos.

No vídeo, dois homens aparecem em uma motocicleta até que são vítimas de tiros do agente. Na sequência, os suspeitos deixam a moto e fogem a pé.

Sem relação com a ocorrência, Guilherme aparece saindo do trabalho, minutos depois de bater o ponto, e atravessa a rua para pegar um ônibus, quando é possível ouvir o barulho de mais um tiro do policial.

“Justiça”

A morte de Guilherme Dias Santos Ferreira foi criticada por entidades ligadas aos direitos humanos e autoridades de diferentes esferas. O governo do presidente Lula se manifestou, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), cobrando investigações rápidas e eficientes.

“A justiça para Guilherme Dias e sua família é um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais justa”, afirmou a pasta, que também defendeu que a cor da pele não pode definir o risco de morte no país.

De acordo com a nota, o episódio é “um alerta contundente de que precisamos, urgentemente, repensar as políticas de segurança pública e o papel de nossas forças policiais”. Além disso, o comunicado diz que é inadmissível que agentes responsáveis por proteger a população sejam protagonistas de ações violentas e discriminatórias.

 

A reportagem questionou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) sobre o que se refere o documento supostamente assinado pelo rapaz e aguarda um posicionamento.

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