Ampliação de aterro em São Mateus pode derrubar quase 63 mil árvores

Número de árvores cortadas é seis vezes maior do que o anunciado na época em que ampliação do aterro foi debatida na Câmara Municipal

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Sergio Barzaghi / Prefeitura de SP
imagem colorida mostra área verde em aterro em são mateus
1 de 1 imagem colorida mostra área verde em aterro em são mateus - Foto: Sergio Barzaghi / Prefeitura de SP

O projeto desenvolvido pela ECOUrbis para a ampliação do aterro sanitário da Central de Tratamento de Resíduos (CTL) Leste, em São Mateus, na zona leste da capital paulista, prevê a derrubada de quase 63 mil árvores da região.

O número aparece em uma apresentação preparada pela empresa, a qual o Metrópoles teve acesso, e é mais de seis vezes superior ao que era debatido quando a Câmara Municipal aprovou a ampliação do aterro, em dezembro de 2024. Naquela época, a previsão era de que o local perderia 10 mil árvores.

Entre as 62.722 espécies que serão derrubadas, caso o projeto siga adiante, estão desde vegetações de menor porte quanto espécies maiores, utilizadas para reflorestamento, como eucaliptos. A cobertura vegetal retirada para a obra atingirá uma área total de 48,77 hectares — ou 487 mil m².

As informações constam em um Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) feito pela ECOUrbis. O levantamento é uma etapa anterior ao início das obras e está agora sob análise da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que deve emitir um parecer sobre o tema.

Ao Metrópoles, a ECOUrbis disse que aguarda a “avaliação da Cetesb para dar andamento ao projeto, que cumprirá todas as obrigações legais e ambientais existentes”.

“É importante ressaltar que a supressão vegetal a ser realizada será aprovada pela Cetesb, e que a contrapartida ambiental, tem a previsão de plantio próximo de 4 vezes o número de espécies arbóreas a serem suprimidas, preferencialmente nas redondezas do próprio empreendimento, em São Mateus”, diz a nota.

A ampliação do aterro sanitário é defendida pela gestão Ricardo Nunes (MDB). Em 2024, o Executivo enviou à Câmara de Vereadores o projeto de lei 799 que mudou a legislação de proteção da área para permitir a extensão do aterro.


Relembre o caso

  • O PL 799/2024, enviado por Nunes à Câmara e aprovado em 20 de dezembro daquele ano, mudou a legislação urbana na região do aterro de São Mateus.
  • O local deixou de ser uma Macroárea de Preservação dos Ecossistemas Naturais e passou a ficar definido como Macroárea de Controle e Qualificação Urbana e Ambiental.
  • Na prática, a mudança permite que sejam feitas obras no terreno, aumentando a capacidade de coleta de lixo.
  • Além de ampliar o aterro, a Prefeitura de SP também quer construir no local um incinerador e um ecoparque.
  • Como mostrou o Metrópoles, moradores do bairro são contrários à mudança e dizem que ela piorará a qualidade de vida no local.

Para a vereadora Marina Bragante (Rede), os dados sobre o corte de árvores mostram uma contradição no discurso da prefeitura de querer tornar a cidade mais verde.

“O que mais me preocupa é a mensagem que a prefeitura está passando pra cidade, que é ambígua. Eles falam que estão querendo plantar 120 mil árvores, que vai ser o maior plantio de árvores da cidade, […] mas, ao mesmo tempo, [entre] aquelas que já estão plantadas, a gente vai reduzir 62 mil, que é metade do que a cidade está se gabando que vai plantar”.

A parlamentar afirma que seu gabinete tem sido procurado por moradores preocupados com o tema. Segundo ela, o aterro já oferece uma série de incômodos para a população do bairro atualmente e o corte das árvores vai piorar a situação.

“Isso é gritante, porque a gente tá falando de uma das regiões com os menores índices de cobertura arbórea da cidade, que é a zona leste”. A vereadora defende que a prefeitura não trate o tema como um “detalhe técnico” e busque soluções para preservar o verde no local.

Outro lado

Em nota, a gestão Nunes disse que o licenciamento é de competência da Cetesb, “cabendo à prefeitura responder a manifestações técnicas eventualmente solicitadas”.

“Importante ressaltar que o projeto está em fase de licenciamento ambiental e seguirá todos os ritos do órgão estadual, incluindo audiência pública para definir os detalhes, condicionantes e compensações previstas em lei”, diz a prefeitura. Segundo a gestão, o aterro recebe em média sete mil toneladas de resíduos por dia.

Já a ECOUrbis disse que, em razão do crescimento da cidade, a vida útil do aterro está se esgotando e que, “para garantia do futuro da gestão de resíduos da cidade de São Paulo, é fundamental planejar sua ampliação”.

“Além de assegurar a destinação adequada dos resíduos da cidade de São Paulo, a ampliação do CTL contemplará a implementação de novas tecnologias para valorização dos resíduos, tornando a cidade de São Paulo cada vez mais sustentável e reafirmando seu compromisso com o meio ambiente e com as pessoas”, termina a nota.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?