Investigada por matar o ex é condenada por missa de 7º dia para vivos
Empresária acusada tomar fortuna do ex-marido, Elimara de Carvalho encomendou missa de 7º dia para pessoas vivas ligadas ao processo
atualizado
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Investigada desde 2024, acusada de dopar o ex-marido com remédios controlados por uma fortuna, avaliada em R$ 50 milhões, a empresária Elimara de Carvalho, de 55 anos, foi condenada pela Justiça de São Paulo por coação no curso do processo após encomendar uma missa de sétimo dia em nome de pessoas vivas ligadas às ações judiciais do caso.
O caso aconteceu em 2024, após a mulher ser investigada por se apropriar dos bens do empresário Benedito Amaral, com quem manteve um relacionamento por quase três décadas, em São José dos Campos, no interior paulista.
A condenação, porém, envolve outro episódio considerado pela Justiça como uma forma de intimidação contra pessoas ligadas aos processos da empresária. Segundo a sentença, Elimara encomendou uma missa de sétimo dia em nome de três pessoas. Entre as vítimas citadas na missa estavam o advogado Márcio Alexandre Boccardo Paes, uma testemunha protegida e Fabrício Coutinho Camargo, autor de uma ação contra Elimara e filho de Benedito Amaral.
Para a Justiça, o ato teve caráter de ameaça velada. Isso porque a cerimônia religiosa, tradicionalmente realizada após a morte de alguém, foi interpretada como uma “promessa de mal grave”, em meio às disputas judiciais que cercavam o caso.
Acusada por golpe milionário
- O caso veio à tona em outubro de 2024, quando a empresária Elimara de Carvalho, de 55 anos, passou a ser acusada por suspeita de dopar o ex-companheiro com remédios controlados ao longo de pelo menos dois anos, em São José dos Campos, no interior de São Paulo.
- Segundo as investigações, o alvo seria o patrimônio do empresário Benedito Amaral, avaliado em cerca de R$ 50 milhões. Além da suposta tentativa de se apropriar dos bens, Elimara também é acusada de ter planejado a morte do ex-marido.
- Benedito e Elimara eram primos de primeiro grau e mantiveram um relacionamento por 27 anos. Apesar do divórcio, em 2017, os dois continuaram convivendo e a divisão oficial do patrimônio nunca chegou a ser concluída.
- Fabrício Coutinho Camargo, filho de Benedito, afirmou ao Metrópoles que o pai já desconfiava das intenções da ex-companheira em relação à fortuna da família. Segundo ele, a ausência da partilha de bens após o fim do casamento teria beneficiado Elimara.
- Conhecida na cidade como uma empresária bem-sucedida, Elimara costumava compartilhar nas redes sociais uma rotina ligada a treinos, viagens e luxo. Nos bastidores, porém, a família de Benedito afirma que o empresário enfrentava um processo de fragilidade física e emocional causado pelo uso frequente de medicamentos.
- Benedito Amaral construiu parte da fortuna após trabalhar no Iraque, nos anos 1980, treinando militares para operar tanques de guerra brasileiros. De acordo com o filho, o empresário recebia salários altos e adicionais por risco de vida durante o período fora do país.
- A investigação ganhou novos desdobramentos após a Justiça condenar Elimara por coação no curso do processo. Segundo a sentença, ela teria encomendado uma missa de sétimo dia em nome de pessoas vivas ligadas às ações judiciais que envolvem o caso.
As vítimas descobriram a realização da missa após receberem ligações e mensagens de pessoas conhecidas que estavam na igreja no momento da celebração.
Depois dos avisos, as vítimas foram até a paróquia para entender o que havia acontecido. No local, uma funcionária confirmou que uma mulher havia solicitado a inclusão dos três nomes na cerimônia religiosa. As imagens das câmeras de segurança da igreja e a gravação da própria missa foram analisadas posteriormente e, segundo o processo, confirmaram tanto a presença de Elimara de Carvalho na igreja quanto a leitura dos nomes das vítimas durante a celebração.
Potencial intimidatório
A defesa de Elimara de Carvalho negou as acusações e afirmou que a empresária jamais solicitou a missa de sétimo dia em nome das vítimas. Em depoimento, ela disse que esteve na igreja apenas para buscar água benta e velas, já que mora próximo ao local, e alegou ter sido confundida nas imagens das câmeras de segurança.
Outro argumento apresentado foi o de que a situação não configuraria crime, já que a suposta ameaça estaria ligada a um rito religioso e não representaria uma ameaça concreta. A tese, no entanto, foi rejeitada pela Justiça, que entendeu que a celebração de uma missa de sétimo dia para pessoas vivas possui forte potencial intimidatório.
















