Rott: um bar de Brasília que leva o churrasco a sério

No subsolo do Sudoeste, casa aposta em cardápio enxuto com burgers e cortes menos convencionais

atualizado 16/08/2019 20:18

Igo Estrela/Metrópoles

Depois que nossas andanças pelo Distrito Federal colocaram o insuspeito bar Rott entre as três melhores receitas de hambúrguer da cidade, a pequena bodega começou a pegar fogo. Aliás, fogo já pegava desde que os amigos de infância e sócios Bruno Curuja e Jonas Aurélio resolveram abrir um boteco com a cara deles, sem se apegar a qualquer modismo: cerveja, rock das antigas e churrasco. Eis a fórmula de um estabelecimento que faltava pelos buracos de Brasília.

O atestado underground da casa está no próprio endereço: um subsolo na quadra 103 do Sudoeste. De certa forma, o estilo do Rott guarda algumas semelhanças ou mesmo inspirações em famosos bares paulistanos, como o Boca de Ouro e o Underdog, por exemplo.

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Aqui o cliente terá um tratamento respeitoso, mesmo com a equipe minúscula, mas é importante que saiba de antemão a proposta da casa, pra não chegar lá atrás de milkshake de bem casado e fritas com cheddar. Não há. Este é um bar para quem quer apreciar uns “oldies” na tevezinha sobre a entrada e usufruir de uma boa carne sobre uma parrilla, único aparado de cocção disponível na cozinha (um dos motivos pelos quais não há fritas).

O hambúrguer ocupa boa parte da predileção dos clientes, muito devido ao momento oportuno e, claro, o pequeno frisson que nós mesmos ajudamos a causar ali – devo reconhecer. Porém, meu programa favorito ali é abrir uma gelada (há desde Sol e Heineken a especiais produzidas artesanalmente) e mandar descer alguns poucos, porém ótimos cortes bovinos.

Uma outra nota interessante que Curuja toca sobre a chama é que ele evita os lugares-comuns das casas de parrilla. O churrasco aqui só tem acém, entranha, flat iron, bananinha e timo. Carnes de boa procedência, ótimo corte e marmoreio e, como cereja do bolo, pontos perfeitos. Faça só o favor de não atrapalhar o trabalho de quem leva a sério o calor da brasa e peça tudo ao ponto (ou pra mal).

Curiosidade desses cortes, pouco convencionais para os cardápios costumazes com muitos chorizos, anchos, picanhas etc., é o fato de serem absolutamente favoráveis para se petiscar. A bananinha e a entranha são exemplares, pois guardam a suculência de um contrafilé (até por se situarem nas proximidades) com a potência untuosa da costela.

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Quanto às carnes mais magras (denver steak e flat iron), surgem com opções mais sangrentas, para compor com uma IPA ou Pale Ale.

Eis o porém, dentre os muitos molhos e picles, produzidos artesanalmente pelo próprio Curuja com ingredientes de produção local, o chimichurri se impõe com demasiada força e frequência no cardápio. O fato de alguns cortes virem à mesa já besuntados na salsa portenha apaga muito da personalidade do próprio ingrediente central e de sua salga.

Quanto aos hambúrgueres, com três ou quatro opções na carta, são alguns dos melhores exemplares encontrados pelo DF, de fato. Blend com um perfeito equilíbrio de gordura, bem temperado e servido ao ponto para mal passado. Os mimos que fazer deste um sanduíche peculiar são os molhos chipotle, os defumados Leo Hamu (bacon, copa, pancetta) e os picles de pimenta. Saborosíssimos.

Vale um reforço: não vá esperando um lugar luxoso, hipster, com sofazinho e apresentação descolada. Não é a proposta. A simplicidade da casa se reflete nos preços: sandubas de R$ 20, cortes de R$ 35, por exemplo.

A depender do dia, você pode dar a sorte de encontrar umas panelas de dobradinha ou de sarapatel produzidos de forma literalmente caseira pela avó do chef. Não gosta ou tem preconceito? Peça ao menos para provar. E lembre-se de não sair de casa com a armadura gourmet de foodie-instagramer.

Rott
Na Quadra 103 do Sudoeste, subsolo. De segunda a sábado, das 18h às 22h. Ambiente interno e externo. Desde 2019

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