BSB Grill faz bom churrasco entre a nostalgia e a renovação

A casa de carne entrega um boa comida saída direta da parrilla

JP Rodrigues/MetrópolesJP Rodrigues/Metrópoles

atualizado 05/04/2019 10:02

Costumo dizer que o BSB Grill aparece como um ponto fora da curva no empreendedorismo gastronômico familiar de origem síria e libanesa em Brasília. Quando os primos Issa Attie e Lucio Bittar abriram o restaurante, há 21 anos, o DNA brasiliense já pulsava mais do que o sangue árabe. Digo isso porque, afinal, o restaurante da dupla celebra a picanha e o churrasco, traços identitários dos mais proeminentes da gastronomia local.

Tradicional restaurante e choperia fundado na 304 Norte (futuramente agregando a segunda unidade na 413 Sul), o BSB Grill seguiria o caminho asfaltado pelos pioneiros no modelo de grelhados na cidade, como Dom Francisco e Lake’s.

Com a enorme concorrência das parrillas, jogando também em série profissional com outras técnicas de “assadoria” e cortes nobres, carregava uma sensação de que o BSB Grill ficara ultrapassado. Volto à casa para tirar uma conclusão. E, olha, os “brimos” não estão para brincadeira.

De quando em quando, o cardápio é repaginado para dar conta dos novos tempos. Esse é um método que garante a marca atravessar essas duas décadas incólume da enfadonha gourmetização, mas ancorado na necessária revitalização.

 

Voltando um pouco no tempo
BSB Grill adotou a culinária árabe de família como acessório de um cardápio típico da churrascaria nacional. Convenhamos que aquelas pastinhas de babaganush e homus somadas à famosa esfirra aberta de carne (R$ 11, a unidade) saem como uma combinação muito melhor do que os pavorosos bufês de sushi de rodízio.

A grande sacada do BSB Grill, contudo, não tem a ver com o alinhamento à cultura familiar, e sim ao acertar o “x” da questão quando falamos em comida: a qualidade da matéria-prima. (A ideia de churrasco não era também nenhum estranho para os árabes, afinal muitas das técnicas de manejo do fogo foram incorporados pelo mundo Ocidental a partir deles. Não à toa falamos de um dos maiores importadores da carne bovina brasileira)

Enquanto as churrascarias tradicionais batiam cabeça tirando tiras finíssimas do espeto para o cliente ter a ilusão de que comia um corte suculento no final dos anos 1990, o BSB Grill subia o sarrafo adotando cortes de gados de maior marmoreio – foi um dos precursores do trabalho com Angus escocês nas variedades (red e Aberdeen).

Na 304, com o toldo da Brahma escorrendo até o chão, o visual do BSB Grill pode não estar atualizado aos feitos das novas tendências “desconstruidonas” das casas de parrilla, a mimetizar ambientes rústicos com toque moderníssimos. Preservou-se o espírito antiquado, mas ao mesmo tempo identitário da cultura de botequim – apesar de manter em ambas as casas as referências ao automobilismo, esporte xodó dos proprietários, com roupas, capacetes e outras referências a esse universo. Na loja da Asa Sul, há até um carro pregado de cabeça para baixo no teto do estabelecimento.

De volta à cozinha: aqui não é o lugar das linguiças com chimichurri ou das empanadas. É o serviço volante das esfirras com o velho chope Brahma gelado que não precisou se reinventar. O salgado revela-se sempre uma boa distração. Fosse a massa aberta e montada na hora, garantindo maior frescor, também assaria melhor. Não deixa de ser uma abertura indispensável.

Mais uma opção para os viradores de copo vem com a clássica picanha acebolada a palito. Orna bem o clima de boteco, sobretudo na Asa Norte – a unidade Sul já possui um aspecto meio parrilleiro, ostentando a estátua enorme de um boi. Mas eu mesmo nunca estragaria uma bela peça de picanha dessa forma.

Antes de mergulhar no universo de opções de cortes bovinos assados, há de se considerar pratos periféricos não menos importantes. O bife à parmigiana (R$ 123 para dois) daqui é um dos melhores exemplares que você encontrará na cidade, seguramente. Molho de acidez equilibrada e ótima redução, filé-mignon tenro, de boa espessura e cozimento, com uma boa milanesa.

Os grelhados, contudo, seguem formando a constelação do cardápio. Para além da ótima picanha de procedência argentina (ponto certo, mas prejudicado pela falta de descanso), há um chorizo e um ancho grelhados corretamente, preservando a suculência.

Como teste cabal, entretanto, para uma casa de carnes, gosto de ver como o churrasqueiro se vira com um assado de tira. Corte fino, gorduroso, com osso e que pode ressecar ou passar do ponto num instante. Desafio superado com louvor. Se em grupo, não deixe de pedi-la na tábua para compartilhar chamada de hat trick: 900 gramas de uma seleção que reúne ainda maminha e fraldinha (R$ 129).

O serviço para grupos é importante também. Afinal, oferecer uma carne de pouca gramatura é desperdício de um bom corte (pois não chega a uma selagem correta sem passar do ponto). Há opções mais diversas quando o assunto é picanha, o corte ainda cultuado pela maioria dos carnívoros brasilienses: peça inteira teen beef assada (R$ 249), a palito (R$ 69), 400 gramas (R$ 84) e 700 gramas (R$ 139), fatiada ao lado da mesa (portanto, reservando maior tempo de descanso).

Importantes coadjuvantes das carnes, as guarnições do BSB Grill reverberam algumas das tradições mais arraigadas do imaginário do churrasco: tropeiro, arroz, mandioca, vinagrete etc. Mas, se você quer conhecer (ou já conhece) o BSB Grill de verdade, irá certamente na farofa de ovo a Dom Francisco, no arroz com brócolis e nas batatinhas souflées (guarnições variam de preço de R$ 8 a R$ 23). Os preços mudam de acordo com a unidade (usamos a referência da loja da Asa Sul).

Carne mais sal: a receita exitosa de uma boa casa de carnes depende apenas de matéria-prima de qualidade e de um assador sábio. Antes que houvesse parrilla por aqui, Issa e Lucio já haviam apostado nessa fórmula. O resto é perfumaria.

BSB Grill
Na 304 Norte, Bloco B, Loja 19. (61) 3326-0976. Na 413 Sul, Bloco D, Loja 36. Tel: (61) 3346-0036. De terça a sábado, das 12h à 0h; domingo, até 17h. Wi-fi. Ambiente interno e externo. Manobrista. Desde 1998

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