Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Ponto de vista

WhatsApp e Facebook dividem o protagonismo no período eleitoral

Não há dúvidas que “fake news” é o principal termo dessas eleições. As duas redes sociais se destacaram na divulgação dos conteúdo

Foto de LEO RENATOLEO RENATO
27/10/2018 05:39, atualizado 27/10/2018 13:15
istock
WhatsApp e Facebook dividem o protagonismo no período eleitoral

Não há dúvidas que o principal termo dessas eleições é “fake news”. Contudo, as redes que inflamam as discussões e funcionam como propagadoras da desinformação na Internet também merecem destaque: Facebook e WhatsApp.

Eles dividiram a cena nesse período. O primeiro, que já foi o queridinho de todo mundo, andava com a relação estremecida por conta dos últimos escândalos de vazamento de dados, pela falta de novidades na plataforma e devido ao avanço do Instagram, principalmente do Instagram Stories. O segundo, com uma comunicação ágil, tem nos grupos e nas listas de transmissão a sua grande força.

Pela primeira vez em eleições presidenciais e para o governo dos estados e do DF, candidatos puderam investir em anúncios pagos na Internet. E aí, correram todos para o Google e para o Facebook. Nada mais óbvio. Você anuncia onde estão as pessoas. E garanto que você passa pelo menos algumas dezenas de vezes por esses sites no seu dia. Como o WhatsApp ainda não aceita anúncios, o jeito foi disseminar de forma orgânica as informações no aplicativo.

Nessa época, o uso dessas plataformas ajudou a distribuir tudo quanto foi tipo de conteúdo. Memes, textos, textinhos, textões, vídeos reais, montagens, áudios. É uma pena não haver dados do WhatsApp para analisarmos quanta gente saiu de grupos de amigos e de família nesse período.

E no meio dessa bagunça que se tornou o cenário eleitoral nas redes sociais, na terça-feira (23), o Facebook, protagonista que está sendo, soltou mais uma nota para mostrar quais foram as ações adotadas pela empresa para combater a desinformação. Uma dessas iniciativas para conter esse problema foi esse post (imagem abaixo) que aparecia nas timelines.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Entre as ações tomadas para garantir uma eleição sem desinformação estão: remoção de publicações com informações incorretas, como fotos adulteradas e outras imagens sugerindo o dia errado da eleição, exclusão de perfis fakes, de grupos e de páginas que criavam e espalhavam fake news e a criação de um programa de verificação de fatos em parceria com as agências Lupa, Aos Fatos e France-Presse (AFP).

Em setembro, o próprio Zuckerberg tinha emitido uma nota para falar sobre as ações que o Facebook adota desde as eleições americanas, em 2016, com o objetivo de combater as interferências eleitorais.

Mas será que essa quantidade de informação, muitas vezes de origem e conteúdo duvidosos, influenciou em algo? Segundo a pesquisa Ibope sobre a influência no voto desses conteúdos no WhatsApp, não. E o resultado da pesquisa vai diretamente contra a minha opinião de que as duas redes foram determinantes nessa eleição.

A pesquisa mostrou que três em cada quatro pessoas ouvidas disseram não ter recebido mensagens contra candidatos à Presidência. Sobre críticas ou ataques a candidatos, 73% afirmaram não ter recebido nenhum conteúdo nos celulares. Além disso, 75% dos entrevistados informaram que o que foi encaminhado pelo WhatsApp não ajudou a decidir o voto. Concordo com o que a própria pesquisadora do Ibope alertou. Cara a cara com o pesquisador, muita gente não assume que acredita e que envia esse tipo de informação.

via GIPHY

Ao que tudo indica, em relação às empresas de Zuckerberg, o foco continua no Facebook. Tudo bem que parece que as eleições brasileiras deram uma reaquecida na plataforma. Antes, estava bem morna e parecia estagnada, sem apresentar novidades. Aparecia mais nos escândalos, como o do vazamento de dados no caso Cambridge Analytica.

Agora, na época de eleição, o formato da rede social, que permite uma discussão maior em relação ao Instagram Stories, ajudou a promover comentários e respostas acaloradas entre os usuários. Parece que a chama “facebookiana” reacendeu. Não acredito que isso vá durar muito tempo, e o Instagram Stories voltará a ser a principal rede social aberta. Destronar o WhatsApp é que vai ser bem difícil.

Leo Renato Bernardes é jornalista e especialista em marketing e comunicação digital

WhatsApp e Facebook dividem o protagonismo no período eleitoral