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LEO RENATO

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WhatsApp e Facebook dividem o protagonismo no período eleitoral

Leo Renato
 

Não há dúvidas que o principal termo dessas eleições é “fake news”. Contudo, as redes que inflamam as discussões e funcionam como propagadoras da desinformação na Internet também merecem destaque: Facebook e WhatsApp.

Eles dividiram a cena nesse período. O primeiro, que já foi o queridinho de todo mundo, andava com a relação estremecida por conta dos últimos escândalos de vazamento de dados, pela falta de novidades na plataforma e devido ao avanço do Instagram, principalmente do Instagram Stories. O segundo, com uma comunicação ágil, tem nos grupos e nas listas de transmissão a sua grande força.

Pela primeira vez em eleições presidenciais e para o governo dos estados e do DF, candidatos puderam investir em anúncios pagos na Internet. E aí, correram todos para o Google e para o Facebook. Nada mais óbvio. Você anuncia onde estão as pessoas. E garanto que você passa pelo menos algumas dezenas de vezes por esses sites no seu dia. Como o WhatsApp ainda não aceita anúncios, o jeito foi disseminar de forma orgânica as informações no aplicativo.

Nessa época, o uso dessas plataformas ajudou a distribuir tudo quanto foi tipo de conteúdo. Memes, textos, textinhos, textões, vídeos reais, montagens, áudios. É uma pena não haver dados do WhatsApp para analisarmos quanta gente saiu de grupos de amigos e de família nesse período."

E no meio dessa bagunça que se tornou o cenário eleitoral nas redes sociais, na terça-feira (23), o Facebook, protagonista que está sendo, soltou mais uma nota para mostrar quais foram as ações adotadas pela empresa para combater a desinformação. Uma dessas iniciativas para conter esse problema foi esse post (imagem abaixo) que aparecia nas timelines.

Entre as ações tomadas para garantir uma eleição sem desinformação estão: remoção de publicações com informações incorretas, como fotos adulteradas e outras imagens sugerindo o dia errado da eleição, exclusão de perfis fakes, de grupos e de páginas que criavam e espalhavam fake news e a criação de um programa de verificação de fatos em parceria com as agências Lupa, Aos Fatos e France-Presse (AFP).

Em setembro, o próprio Zuckerberg tinha emitido uma nota para falar sobre as ações que o Facebook adota desde as eleições americanas, em 2016, com o objetivo de combater as interferências eleitorais.

Mas será que essa quantidade de informação, muitas vezes de origem e conteúdo duvidosos, influenciou em algo? Segundo a pesquisa Ibope sobre a influência no voto desses conteúdos no WhatsApp, não. E o resultado da pesquisa vai diretamente contra a minha opinião de que as duas redes foram determinantes nessa eleição.

A pesquisa mostrou que três em cada quatro pessoas ouvidas disseram não ter recebido mensagens contra candidatos à Presidência. Sobre críticas ou ataques a candidatos, 73% afirmaram não ter recebido nenhum conteúdo nos celulares. Além disso, 75% dos entrevistados informaram que o que foi encaminhado pelo WhatsApp não ajudou a decidir o voto. Concordo com o que a própria pesquisadora do Ibope alertou. Cara a cara com o pesquisador, muita gente não assume que acredita e que envia esse tipo de informação.

via GIPHY

Ao que tudo indica, em relação às empresas de Zuckerberg, o foco continua no Facebook. Tudo bem que parece que as eleições brasileiras deram uma reaquecida na plataforma. Antes, estava bem morna e parecia estagnada, sem apresentar novidades. Aparecia mais nos escândalos, como o do vazamento de dados no caso Cambridge Analytica.

Agora, na época de eleição, o formato da rede social, que permite uma discussão maior em relação ao Instagram Stories, ajudou a promover comentários e respostas acaloradas entre os usuários. Parece que a chama “facebookiana” reacendeu. Não acredito que isso vá durar muito tempo, e o Instagram Stories voltará a ser a principal rede social aberta. Destronar o WhatsApp é que vai ser bem difícil.

Leo Renato Bernardes é jornalista e especialista em marketing e comunicação digital

 
 


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