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LEO RENATO

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WhatsApp deve começar a ter anúncios no Status

Leo Renato
 

Há pouco mais de um mês, escrevi sobre a repercussão negativa dos testes de publicidade entre episódios na Netflix. Falei que parecia que a única grande rede que ainda conseguia se safar de qualquer tipo de anúncio era o WhatsApp. Mas parece que o aplicativo de mensagens não vai ficar mais livre de propagandas.

Depois de uma entrevista de Brian Acton, um dos criadores do WhatsApp, à revista Forbes na semana passada, os rumores em relação aos anúncios no aplicativo de mensagens aumentaram. Ele disse que Mark Zuckerberg, dono do Facebook e do WhatsApp, decidiu buscar maneiras de rentabilizar o serviço.

A primeira forma, segundo ele, é mostrar anúncios direcionados no Status, funcionalidade semelhante ao Stories do Instagram. Os anúncios seriam exibidos a partir de um determinado número de visualizações.

Acton também afirma que o Facebook tem a ideia de rentabilizar a plataforma ao vender ferramentas pelo WhatsApp para que as empresas pudessem conversar com usuários da plataforma. Depois disso, ainda de acordo com ele, o Facebook também espera vender ferramentas de análise.

via GIPHY

Fato é que o aplicativo usado por mais de 1,5 bilhão de pessoas ao redor do mundo oferece uma rede fechada, com mensagens criptografadas e sem anúncios como seus principais recursos. Porém, o investimento altíssimo de US$ 22 bilhões, feito por Zuckerberg, para comprar a plataforma há quatro anos tem que se transformar em receita.

O problema nesse caso seria, além de pensar na experiência dos usuários, a criptografia de ponta a ponta usada no aplicativo, que impede tanto o WhatsApp quanto o Facebook de lerem as mensagens. Ou seja, teoricamente, as empresas não sabem o que se passa dentro de um grupo, por exemplo, somente as pessoas que estão ali.

Assim, para vender anúncios, eles teriam que encontrar outras formas de saber seus interesses. Como o Facebook e o Instagram fazem parte do mesmo grupo, e você provavelmente tem uma conta lá, não seria muito difícil descobrir.

Acton disse que o Facebook poderia usar uma sequência de números atribuídos a cada telefone para fazer o elo entre contas do WhatsApp, do Facebook e do Instagram. A outra forma é fazer a correspondência de números de telefones cadastrados no Facebook com contas do WhatsApp.

Parece que a repercussão não foi muito positiva para Zuckerberg e, como ainda é um rumor e não houve nenhum comunicado oficial do WhatsApp sobre isso, começaram a surgir milhares de perguntas."

Haverá uma migração em massa para o Telegram ou até mesmo para o Skype? Será que, diante do impacto negativo, a solução seria voltar a cobrar uma taxa anual ou a cada dois anos para ficarmos longe dos anúncios?

Fora as perguntas, acho que a discussão mais importante aqui é, mais uma vez, sobre a experiência das pessoas ao usar o aplicativo. Até porque o app tem esse alto valor de mercado porque tem uma base de usuários gigantesca.

Por que ninguém diz que vai sair do Google por causa dos anúncios? Na minha opinião, justamente porque não atrapalham a navegação. Eles se misturam aos resultados da busca e, muitas vezes, as pessoas nem se dão conta de que os primeiros resultados são anúncios pagos.

No caso do WhatsApp, além de pensar na experiência, para que o anúncio não se torne uma coisa chata e seja atrativo para marcas e usuários, há muitas dúvidas em relação à criptografia. Isso porque, se essa publicidade avançar às mensagens e não só ao status, a criptografia estaria ameaçada.

A busca por receita em detrimento de uma boa experiência do usuário ao usar o produto ou serviço pode ser um tiro no pé. Por isso, pra mim, uma solução seria criar uma versão do aplicativo, gratuita com anúncios, e uma paga sem as propagandas. Com um preço bastante acessível. O YouTube e o Spotify já usam esse modelo.

Que somos dependentes dessa comunicação rápida e eficaz, não há dúvidas. Usamos o WhatsApp para trabalhar, para nos informar, enfim, abrimos o aplicativo dezenas ou até centenas de vezes ao dia. Então, essa alteração também vai mostrar se estamos dependentes desse modelo de comunicação, o que é mais possível, ou do próprio aplicativo.

O desafio é entregar uma publicidade sem que atrapalhe o usuário enquanto usa o aplicativo de mensagens. Ainda há muita pergunta sem resposta, mas o burburinho já começou e, enquanto não se posicionarem oficialmente, continuará por um bom tempo.

Leo Renato Bernardes é jornalista e especialista em marketing e comunicação digital

 
 


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