Olimpíadas. A torcida de Brasília mostrou que não sabe torcer
Primeiro ponto. A Seleção Brasileira de futebol masculino empatou porque não conseguiu jogar coletivamente, parecia um bando em campo, com jogadores espalhados e atuando sem harmonia. No entanto, a pífia atuação não justifica a outra vergonha da noite desse domingo (7/8): a torcida brasiliense não sabe torcer. Escrevo estas linhas com a certeza de que serei […]
Luiz Prisco
atualizado
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Primeiro ponto. A Seleção Brasileira de futebol masculino empatou porque não conseguiu jogar coletivamente, parecia um bando em campo, com jogadores espalhados e atuando sem harmonia. No entanto, a pífia atuação não justifica a outra vergonha da noite desse domingo (7/8): a torcida brasiliense não sabe torcer.
Escrevo estas linhas com a certeza de que serei muito xingado no tribunal do Facebook.
Para começar, o que foi o xingamento ao goleiro? É de um mau gosto terrível gritar “zika”. Vamos desejar uma doença grave a um ser humano?. “Bicha”, apesar de não surpreender, é a demostração da homofobia nossa de cada dia — engraçado que nos chocamos com a xenofobia e o racismo, mas falar “viado” ou similares não incomoda.
Torcedor torce. É a típica obviedade que os brasilienses não aprenderam. Como demonstrou o jornalista Mauro Cezar Pereira, dos Canais ESPN.
A reação dessa torcida de clientes em Brasília é típica de boa parte dos ditos torcedores brasileiros. Vaia implacável. Se faz o gol… muda
— Mauro Cezar (@MauroCezarESPN) August 8, 2016
Torcer não é apoiar apenas quando o time está bem em campo. É empurrar a equipe por 90 minutos, mesmo em uma atuação patética, como foi a do Brasil contra o Iraque. Nossos hermanos, na Argentina, têm muito a nos ensinar: cantam o jogo inteiro para, no final, demonstrar se gostaram ou não da partida.
Aqui em Brasília, o que se viu foi um grupo de pessoas que, ao perceber que as coisas iam mal em campo, começaram a vaiar e a zoar a Seleção. Lembraram o comandante italiano Francesco Schettino, que abandonou o navio quando este começou a afundar.
Gritar “Marta é melhor que Neymar” não engrandece a craque brasileira nem diminui Neymar. Ouso dizer que apenas reforça o machismo latente da cultura brasileira: para ofender o jogador do Barcelona, vamos dizer que ele é pior que uma mulher.
Além de “desistir” do time, os brasilienses ainda aplaudiram o cara que invadiu o campo. Sério? Ele merece apoio?
Ninguém está dizendo que não se deve vaiar ou protestar. Mas torcer é apoiar para, depois, criticar. No jogo, era nítido que a seleção Sub-23 do Brasil estava nervosa. A torcida não abraçou o time. Zeca não vai melhorar por ser criticado por 40 mil pessoas, ao contrário, vai se omitir do jogo. No desespero, os jovens só davam bola para o Neymar — que não foi bem, mas apareceu a partida inteira.
Fico com a frase de um jovem que estava ao meu lado: “Vaiar o Brasil durante o jogo é paia”.