O gol contra da Anvisa no jogo da vaidade

É totalmente desarrazoado crer que a Anvisa não conseguiu fazer valer sua autoridade antes do início da partida entre Brasil e Argentina

Autor Lilian Tahan

atualizado

metropoles.com

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MB Media/Getty Images
Brasil x Argentina
1 de 1 Brasil x Argentina - Foto: MB Media/Getty Images

A propósito de vencer de goleada sob os holofotes emprestados das Eliminatórias da Copa do Mundo do Catar, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) marcou um gol contra. E quem não enxergou o vacilo da bola balançando a rede brasileira se deixou enganar.

É inquestionável que a Anvisa tem a obrigação de zelar pelos protocolos sanitários estabelecidos por autoridades de saúde. É legítimo, inclusive, que, se preciso for, a agência vá até as últimas consequências e utilize seu poder de polícia.

Agora, é totalmente desarrazoado acreditar que a Anvisa não conseguiu fazer valer sua autoridade antes do início da partida entre Brasil e Argentina, suspensa após os primeiros minutos de jogo na Arena Corinthians, em São Paulo, na tarde desse domingo (5/9).

Desde a sexta-feira (3/9), é de conhecimento público que a Anvisa sabia do descumprimento das regras sanitárias por parte de integrantes da delegação argentina. Ora, por que, então, não empreendeu todos os esforços, até mesmo uma advertência pública sobre a possibilidade de não haver partida, nas 48 horas que antecederam o jogo?

Por um motivo óbvio: porque, além de fazer valer a lei, a direção da Anvisa queria também dar espetáculo. Se por um lado, neste caso, as autoridades brasileiras pretenderam demonstrar rigor na aplicação de suas regras, por outro, acabaram, mais uma vez, colocando o Brasil em uma posição de vulnerabilidade de sua credibilidade.

Se ficamos protegidos do ponto de vista sanitário, tornamo-nos alvo de críticas e incredulidade estrangeira. A história que, por aqui, convenceu alguns desavisados virou prato cheio para a imprensa internacional apontar inconsistências. Afinal, o Brasil ficou muito longe dos índices de recuperação exibidos no Reino Unido, país de procedência dos quatro jogadores que foram interditados em solo brasileiro.

Aqui também não se viu, em nenhum momento da pandemia, o mesmo rigor dos protocolos sanitários que foram seguidos à risca no Reino Unido. Portanto, a estratégia de impedir os jogadores apenas quando chegassem em campo empresta todo o sentido à expressão “para inglês ver”.

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