Jornalistas e leitores, para o bem de todos, sejamos parceiros!
Ao facilitar o contato, as redes sociais tornam o jornalismo mais transparente, plausível e, acima de tudo, verdadeiro
Rafael Campos
atualizado
Compartilhar notícia

O jornalismo é uma profissão de egos inflados. Em meio a tanta informação, definir-se como o filtro do que realmente merece ser noticiado causa, em muitos de nós, uma empáfia responsável por nos cegar para a opinião alheia. E, durante muito tempo, isso era reforçado pelo distanciamento que a profissão mantinha do leitor.
Por mais que houvesse seção de cartas, a troca entre aquele que entregava a notícia e quem a recebia era mínima. Assim, o feedback também era restrito, reforçando no repórter a ideia de que ele sabia tudo. E, convenhamos, isso não é verdade em profissão alguma.
Essa realidade se torna ainda mais palpável em um site e obriga que o jornalista fique de olho no retorno trazido pelas redes sociais. Não é apenas uma questão de se analisar comentários – raivosos, humorísticos, ácidos, mas também com várias pistas para novas matérias. É uma forma de transformar o leitor em um parceiro.
É claro que a notícia não se faz sozinha. Não há lábia de repórter que supere um entrevistado sacal, assim como uma história de vida maravilhosa pode se perder nas mãos de quem não se entrega a ela. Por isso, ao facilitar o contato, as redes sociais tornam o jornalismo mais transparente, plausível e, principalmente, verdadeiro. Hoje, as pautas chegam por WhatsApp, Instagram, Facebook, Twitter e e-mail, tão velozes quanto todos esses meios.
O leitor pode contestar um texto de forma imediata, e o jornalista precisa redobrar a atenção para garantir a veracidade do que está escrito. O plágio se torna uma prática mais fácil de ser descoberta e as fontes se multiplicam. O que se mantém? A vontade do jornalista de produzir. Porque, ainda que todos se sintam um pouco repórteres e possam filmar, comentar e espalhar algo que viram, preferem (que bom) esperar para vê-lo publicado.
Assim, em tempos de fake news, essa conexão entre leitores e jornalistas deve se tornar mais forte. Do nosso lado, robustecendo o olhar crítico, o faro para boas histórias e a luta constante para desmentir notícias falsas. Do lado deles, apontando erros, trocando ideias e, mais ainda, consumindo informação de qualidade. Porque essa é uma parceria que não tem mais volta. E, acredito, só trará benefícios aos que prezam pelo jornalismo sério.
*Rafael Campos é social media do Metrópoles
