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Fumantes são 90% dos portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica

Pelo Dia Mundial sem Tabaco, 31/5, Margareth Dalcolmo, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia, fala sobre os riscos do cigarro

Margareth Dalcomo, Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia

atualizado

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Pessoa cortando cigarro - metrópoles
1 de 1 Pessoa cortando cigarro - metrópoles - Foto: Getty Images

 O consumo de tabaco (nicotina) está presente em todos os tipos de cigarro, causando dependência e doença em adolescentes e adultos.

Dados mostram que fumantes passivos, os que estão próximos de pessoas que fumam, e ativos têm contato com aproximadamente 5 mil substâncias químicas a cada cigarro. Essa exposição pode causar sintomas como falta de ar, tosse crônica e, ao longo do tempo, a sensação de limitação para realizar atividades rotineiras se torna comum.

Esses podem ser sintomas da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), também conhecida como enfisema ou bronquite crônica. A doença é uma condição progressiva que limita o fluxo de ar nos pulmões causando desconforto, limitação ao exercício e às atividades do dia a dia. Ela é fatal para quatro brasileiros por hora, 96 por dia e um total de 40 mil por ano.

A jornada do paciente até o diagnóstico correto é longa e, 50% deles já estão em um estágio avançado da doença quando são diagnosticados. O percentual de subdiagnósticos em indivíduos com fatores de risco atendidos na atenção primária ainda é muito elevado (71,4%).

Para auxiliar os pacientes com diagnóstico de DPOC, é importante ampliar o arsenal terapêutico disponível para a doença, promover a cessação do tabagismo, oferecer reabilitação pulmonar e aplicar o tratamento adequado, levando em consideração tanto a molécula quanto o dispositivo recomendado pelas diretrizes. Esses fatores podem reduzir as taxas de exacerbação (crises respiratórias em que a falta de ar piora subitamente), diminuir as internações hospitalares e a mortalidade, especialmente em pacientes entre 50 a 70 anos de idade.

O tratamento também contribui para retardar a progressão da doença. Devido à exposição a fumaças orgânicas (por exemplo, provenientes da queima de lenha) ou ao início precoce do hábito de fumar, uma série de casos de DPOC são diagnosticados em pessoas entre 40 e 50 anos de idade, resultando em uma perda acelerada da capacidade pulmonar e ocasionando um alto custo socioeconômico, além de reduzir a qualidade e a expectativa de vida.

Uma das principais metas no tratamento da DPOC é melhorar a qualidade de vida do paciente e mantê-lo ativo, independentemente da gravidade da doença. Por isso, é de extrema importância realizar um diagnóstico precoce e iniciar o tratamento o mais cedo possível para retardar a progressão da doença, reduzir os riscos de exacerbação e, desta forma, mudar definitivamente o cenário da DPOC no Brasil e no mundo.

Sobre a articulista

*Doutora em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Dalcolmo é pesquisadora sênior da Fiocruz e foi eleita presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para o período de 2022 a 2024.

A pneumologista é membro das sociedades brasileiras de Pneumologia e Tisiologia e de Infectologia, da REDE TB de Pesquisa em Tuberculose e do Steering Committee do Grupo RESIST TB da Boston Medical School e membro da Academia Nacional de Medicina.

Ela integra o Grupo de Peritos para aprovação de medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde – OMS (Expert Group for Essential Medicines List), reconduzida em mandato até 2026, e faz parte do Regional Advisory Committee do Banco Mundial para projetos de saúde na África Subsaariana em tuberculose e doenças respiratórias ocupacionais. Tem mais de 100 artigos científicos publicados no Brasil e no exterior.

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