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LEO RENATO

iStock?Foto ilustrativa
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Com o imediatismo digital perdemos a capacidade de esperar

Leo Renato
 

Já disse em outro texto que estávamos na Era do Compartilhamento e da Colaboração. Mas permita-me adicionar mais um substantivo: imediatismo. Concordo que esta vontade de querermos tudo para ontem não é tão nova assim. Mas, na medida em que a tecnologia vai avançando, o tempo do imediato vai ficando cada vez mais perto do zero.

Na minha opinião, essa nossa busca pelo instantâneo deve-se ao fato de termos, hoje, muita coisa na palma da mão. Graças à tecnologia internet e aos celulares conseguimos realizar diversas tarefas, independentemente de onde estivermos (vide a Internet das Coisas), e ter acesso à informação de forma rápida.

A cada vez mais queremos ter a possibilidade de fazer muitas coisas estando em diferentes lugares ao mesmo tempo. Porém, com o constante bombardeio de informações, perdemos algo fundamental: a concentração. Esperar? É tudo para agora! E esse imediatismo tem muito a ver com o nosso tempo, que é o bem mais precioso que temos.

 

Para ilustrar um pouco esse imediatismo digital, vimos nascer uma nova unidade de tempo: os “micro-momentos”. O Google apresentou o termo ao mundo em 2015. Nada mais é que aquele instante em que nós desejamos respostas imediatas ao fazer uma pesquisa, seja para comprar alguma coisa, comparar produtos, saber como fazer um jantar especial ou qualquer outra coisa que precisamos naquela bendita hora.

Já reparou que o Google sempre te mostra quanto tempo ele demora para trazer os resultados de uma busca. Uma coincidência? Acredito que não. A empresa sabe desse nosso imediatismo e, como o objetivo dela sempre foi gerar uma experiência boa para os usuários, nos entrega o melhor conteúdo no menor tempo possível. E quando você começa a digitar algo e a ferramenta já te sugere algo? É exatamente para economizarmos tempo!

 

Um estudo feito pela Amazon em 2012 concluiu que, se as páginas deles demorassem apenas um segundo a mais para carregar, eles perderiam US$ 1,6 bilhão em vendas a cada ano. O Google fez uma pesquisa semelhante e perceberam que, se os resultados de busca tardassem apenas quatro décimos de segundo a mais para ser exibidos, eles poderiam perder 8 milhões de pesquisas por dia, o que afetaria negativamente a receita publicitária.

O tempo de carregamento das páginas na internet é tão importante que é utilizado pelo próprio buscador como métrica fundamental de avaliação de experiência do usuário em diferentes endereços on-line para mensurar a posição que os sites ocuparão no resultado de uma busca.

Estamos com os celulares em mãos, conectados à internet 100% do tempo, a um comando ou a uma fala (sim, a busca por comandos de voz vem aumentando) de buscar uma informação. Na verdade, o nosso comportamento vem mudando desde sempre. Com a tecnologia, essas alterações aumentam e nos deixam cada vez mais ansiosos e impacientes.


Leo Renato Bernardes é jornalista e especialista em Marketing e Comunicação Digital

 
 


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