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Após forte repercussão negativa, moradores do condomínio de luxo Smart Residence Service, no Lote 11 da Avenida Sibipiruna de Águas Claras, decidiram remover das paredes dos elevadores dos edifícios o abaixo-assinado contra barulho causado pelas sirenes de viaturas do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF).

Localizado a menos de 100m do condomínio, o 25º Grupamento do CBMDF foi o alvo das reclamações. Os sustos causados a crianças e idosos pelos sinais sonoros estariam entre as principais justificativas para as queixas.

Em resposta à solicitação, o major Datames, responsável pela unidade, disse ter esclarecido ao síndico não poder agradar a todos. Afinal, os avisos sonoros são importantes para o trabalho dos militares, que prestam um serviço imprescindível para toda a população. 

Se não usamos a sirene, nós não conseguimos chegar nas ocorrências a tempo. É uma questão de necessidade"
Major Datames, responsável pelo 25º Grupamento do CBMDF

Para o oficial, o caso não tem solução, pois mesmo que ligue as sirenes longe do condomínio, “sempre haverá outro prédio mais à frente”. “Pedi que os militantes tivessem bom senso, mas meu trabalho depende disso. Como que eu vou fazer? Vou deixar de socorrer por causa do barulho?”, questionou.

Procurado pelo Metrópoles, o CBMDF ressaltou a importância da unidade para a região e disse que o 25° Grupamento é responsável pela resposta, em média, de 180 ocorrências por mês.

“Nos três últimos meses, foram atendidas 545 ocorrências, sendo 176 em março, 173 em abril e 196 em maio. Das especialidades mais demandadas, o atendimento a emergências pré-hospitalares (trauma e clínico) é o mais presente, seguido pelos acidentes de trânsito, vazamentos de GLP [gás liquefeito de petróleo], superaquecimento de panelas e captura de insetos como abelhas”, disse a corporação.

Os bombeiros destacaram ainda que, em maio, o 25° Grupamento atuou em oito tentativas de suicídio e no incêndio do Edifício Rivoli.

“O poder operacional da unidade é composto por 88 militares e quatro viaturas, sendo uma de salvamento rápido, uma de combate a incêndio, uma ambulância e uma autoescada mecânica”, completou a corporação.

Reprodução

 

Baixa adesão
Longe de ser unanimidade, apenas 26 moradores dos mais de 1 mil habitantes do complexo decidiram assinar o documento desde que a proposta foi divulgada, no último dia 5.

Revoltada, a estudante e residente do prédio Rayanne Karla Sales, 26 anos, criticou a atitude da administração do condomínio. “É um absurdo isso aqui. Muita gente que não tem mais o que fazer. É um exagero sem tamanho”, reclama.

De acordo com o síndico do Smart, Leonardo Conte, 34, o abaixo-assinado não foi proposto pela unidade, mas por uma residente.

Ela pediu autorização para deixar o documento na portaria e, como síndico, cumpri meu papel e autorizei. Fizemos uma reunião e o abaixo-assinado já foi retirado, por conta da baixa adesão e também da repercussão negativa"
Leonardo Conte, síndico do Smart Residence Service

Nas proximidades do residencial, funcionam também uma escola particular e o 17º Batalhão de Polícia Militar. Já na parte de trás do Smart, há uma ferrovia que incomoda residentes como Jéssica Nathália Costa, 21 anos. “Estamos cercados por barulho. O trem é o que mais me tira o sono, mas o que eu vou fazer? Os bombeiros precisam trabalhar e o trem precisa passar por lá”, diz.

Google Street View/Reprodução

Fachada do condomínio Smart

 

Incêndio em apartamento
Uma das ocorrências de maior destaque atendidas pelo 25º Grupamento do CBMDF nas últimas semanas foi em 7 de maio, quando os bombeiros atuaram no controle de um incêndio que consumiu dois apartamentos do Edifício Rivoli, na Rua 37 Sul.

A corporação chegou ao local às 16h15, seis minutos após o chamado para atender a ocorrência. Foram deslocados nove caminhões, dois carros de apoio e três motos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O uso das sirenes para se deslocar pelas vias é fundamental para que os bombeiros possam chegar o mais rapidamente possível aos locais de ocorrência. Nesse caso, graças à ação dos militares, os danos não foram maiores.

 

 

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