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Olhar pra dentro

Encontro com o inexorável

Sinto a oportunidade da vida reiniciar-se em reencontros mil.

Daniela Migliari04/03/2017 05:04, atualizado 03/03/2017 22:05
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Reprodução
Encontro com o inexorável

Quando me conecto ao amor em tudo, mesmo em cada agressão, em cada grito, em cada violência, em cada engano, em cada guerra, em cada morte, atravesso a impressão inexata da forma e transcendo além-tempo para o espaço da certeza e do absoluto.

Ali também Te vejo!

Sim, existe uma Ordem Maior. Para além das leis que regem os contextos humanamente sagrados: sim, existe continuidade do ser.

Quando vejo o encontro de dois corações, ainda que num ato violento, vejo um movimento de amor interrompido à espera de ressignificação e retomada do ponto em que foi partido. Sinto a oportunidade da vida reiniciar-se em reencontros mil.

Aqui também Te vejo!

Não há que se incumbir de fazer justiça.
Não há que se incumbir de precipitar julgamentos.
Não há de reabrir feridas.
Lamentar o passado.
Chorar a falta.
Mas se assim o faço, em quaisquer desses lugares, tudo bem.
É só mais tempo vivido na manifestação da experiência.

Para seguir com fluidez, há de concordar com a vida e suas formas.
Ela manifesta as ordens do amor numa plasticidade inequívoca e multifacetada.
Quanto mais dizemos “sim”, mais fluímos em paz e integração.
Tudo é! Luz e sombra são um só, temporariamente “divididos”.
Nos seus contrastes, formam o colorido pano de fundo do teatro da vida.

Escolho olhar a luz de cada um.
Escolho acolher todas as manifestações com pureza de coração.
Escolho apreciar todo e qualquer passo da caminhada.
Escolho honrar tudo em mim, e no outro.
Recebo tudo. Abraço tudo. Reverencio tudo.

Ao fazer isso, alimento a luz, foco no florescer, fluo no amor.
As partes que, em mim e no outro, se fecham, se estagnam, se apegam, são apenas enfeites do caminho.
São as pedras que compõem o refinado mosaico da vida.
Tudo coopera para o bem: cada erro, cada queda – tudo é aprendizado e movimento. Tudo é amor!

Sobre os erros e quedas…
Eu os vejo, mas não os alimento.
Eu os toco, mas não os fortaleço.
Eu os respeito, mas não os reforço.
Até que não mais os vejo, porque à luz se misturaram, se integraram.
Nem pressa precisa ter, posto que tempo não existe.

Respiro tudo! Tomo tudo da vida para mim!
Sou apenas a certeza do amor.
A plenitude da perfeição das leis do Pai, manifestas nas expressões da vida-Mãe.
Polaridades que atuam como duas faces de uma única moeda: a experiência do Ser.

Eu confio na luz e no amor que habita todos.
Eu Te vejo em todos.
Todos florescem.
Sem exceções.
Apenas certeza.