VoePass pede reestruturação financeira sete meses após tragédia em SP
Medida é considerada uma preparação para a recuperação judicial. Acidente com avião da VoePass, em Vinhedo, provocou a morte de 62 pessoas
atualizado
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A VoePass ajuizou nesta segunda-feira (3/2) um pedido de tutela preparatória para reestruturação financeira. De acordo com a empresa, os voos seguirão sendo operados de acordo com a programação. A solicitação contempla a reestruturação do endividamento e tem como objetivo organizar os passivos e o fluxo de caixa da companhia. Esse tipo de medida pode servir de preparação para uma recuperação judicial (RJ).
Em 9 de agosto do ano passado, um avião da VoePass partiu de Cascavel (PR) às 11h40 e deveria pousar no Aeroporto Internacional de São Paulo (Guarulhos). A aeronave, contudo, perdeu sustentação e caiu em Vinhedo, no interior paulista, às 13h22. Morreram 62 pessoas – 58 passageiros e os quatro integrantes da tripulação.
A medida anunciada nesta segunda é uma ferramenta presente na lei de recuperação judicial (Lei 11.101/05), que permite a concessão de uma tutela cautelar aos devedores. Ela é solicitada como se fosse um anúncio de que a empresa pode pedir RJ, mas não está pronta. Nesse caso, a companhia solicita à Justiça um alívio antecipado para que todas as execuções contra ela sejam suspensas.
Em comunicado divulgado à imprensa, a VoePass informou que, em meados de 2024, contava com uma ampla malha e saúde financeira propícia para continuar sua expansão programada, que foi impactada após o trágico acidente do voo 2283, em agosto.
“É importante ressaltar que a medida não engloba os processos indenizatórios ligados ao acidente ocorrido em agosto de 2024, já que esses estão sendo realizados através da seguradora”, diz a nota. “A companhia segue empenhada nas tratativas com as famílias para garantir a conclusão do processo da forma mais ágil e satisfatória possível.”
Na avaliação da VoePass, a medida adotada “se fez necessária, já que o mercado da aviação comercial passa por uma crise setorial”. Com a pandemia, afirma o comunicado, houve o fechamento do espaço aéreo, que restringiu a 30% de realização da projeção de passageiros transportados para o ano de 2020 e impactou drasticamente o fluxo de caixa da companhia”.
Na nota, a empresa disse que “seguirá priorizando salários e benefícios dos colaboradores normalmente ao longo desse processo”. Além disso, ela “cumprirá com os pagamentos pelos serviços prestados e produtos entregues a partir da data deste processo”.

































