Tácio Lorran

VoePass dá calote de R$ 163 mil em rede de hotéis e é condenada

Rede de hotéis acionou Justiça após cobrar dívida de VoePass por diversos meses sem successo

atualizado

metropoles.com

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Divulgação/VoePass
Avião da VoePass - Metrópoles
1 de 1 Avião da VoePass - Metrópoles - Foto: Divulgação/VoePass

A VoePass foi condenada ao pagamento de R$ 163.530,14, mais juros de mora e correção monetária, após dar calote em uma rede de hotéis. O valor corresponde a dívidas acumuladas ao longo de dois anos por serviços de hospedagem prestados pela Atlântica Hotels à companhia aérea que não foram quitados.

A decisão foi tomada pela 9ª Vara Cível do Foro de Ribeirão Preto, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), no último dia 16. A companhia aérea ainda pode recorrer à segunda instância. Procurada, não se manifestou.

Trecho da decisão que condenou VoePass por calote em rede de hotéis
Trecho da decisão que condenou VoePass por calote em rede de hotéis

A VoePass vive uma grande crise econômica depois do acidente em Vinhedo (SP) com o voo 2283, em agosto do ano passado, que deixou 62 mortos. Desde então, a empresa vem suspendendo a venda de passagens aéreas e a operação de voos para diversos destinos, concentrando toda a operação comercial com a Latam. O processo deixa claro que a crise financeira enfrentada pela companhia aérea é ainda pior, uma vez que as dívidas da empresa com a Atlântica Hotels antecedem o acidente e a crise que acometeu a empresa no ano passado.

Na ação, a rede de hotéis relata que manteve longa relação comercial com a VoePass. A parceria servia tanto para os tripulantes da companhia aérea, como para os passageiros que ganhavam diárias em casos de adiamentos ou cancelamentos de voos, como determina a Anac. Contudo, a aérea não pagou as despesas referentes às estadias realizadas, segundo a rede hoteleira.

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Rota aérea de avião da VoePass de Cascavel para Guarulhos
Avião da VoePass após acidente em Vinhedo
Avião da VoePass após acidente em Vinhedo
Avião da VoePass após acidente em Vinhedo
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Avião da VoePass após acidente em Vinhedo

Arquivo Pessoal
Rota aérea de avião da VoePass de Cascavel para Guarulhos
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Rota aérea de avião da VoePass de Cascavel para Guarulhos

Reprodução/ FlightRadar24
Avião da VoePass após acidente em Vinhedo
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Avião da VoePass após acidente em Vinhedo

Arquivo Pessoal

 

A ação cita hospedagens não pagas nos anos de 2022 e 2023, nas redes de hotéis Comfort e Quality, nas cidades de São Paulo, Maceió, Goiânia, Joinville (SC) e Guarulhos (SP).

“Tendo em vista que a ré [VoePass] até os dias atuais não efetuou a quitação dos serviços efetivamente prestados pela autora [Atlântica Hotels], conforme documentação comprobatória carreada aos autos, não restou alternativa senão a cobrança judicial dos valores em aberto”, escreveu a Atlântica Hotels, em inicial ajuizada no último dia 16 de maio pelo escritório Vello & Ohy Advogados Associados.

Em sua defesa, a VoePass contestou o crédito alegado, questionando a validade das notas fiscais apresentadas, que considerava documentos unilaterais e sem comprovação contratual formal.

A Atlântica Hotels rebateu. “O fato é que o requerido, embora tente negar, sempre se utilizou dos hotéis da autora para hospedar sua tripulação, usufruindo regularmente dos serviços de hospedagem e alimentação”, escreveu.

“Perceba, excelência, que o requerido [VoePass] não questiona nenhum dos nomes das pessoas hospedadas, não alega que não pertençam à sua tripulação, não questiona a validade das assinaturas, e muito menos a autenticidade dos e-mails apresentados. A alegação de não conhecimento dos débitos e de inexistência de contrato entre as partes, portanto, é genérica e vazia”, prosseguiu a rede de hotéis.

VoePass já tem dívida de R$ 26,6 milhões com a União
VoePass já tem dívida de R$ 26,6 milhões com a União

Na decisão, o juiz Alex Ricardo dos Santos Tavares, da 9ª Vara Cível de Ribeirão Preto, deu razão ao pedido da rede de hotéis e entendeu que os documentos apresentados pela Atlântica foram suficientes para comprovar a relação de prestação dos serviços, afastando a tese de que as notas de débito seriam inválidas por falta de contrato formal.

“A autora [Atlântica Hotels] colacionou aos autos não apenas as notas de débito/faturas, mas também diversos documentos comprobatórios, tais como fichas de registro de hóspedes, extratos de conta assinados, e-mails, e solicitações de reserva, evidenciando a efetivação dos serviços”, assinalou o magistrado.

“Resta clara a prestação dos serviços e não havendo prova de pagamento pela ré [VoePass], tem-se configurado o inadimplemento”, escreveu o juiz. “Assim, a quantia reclamada de R$ 163.530,14, conforme demonstrativos e memórias de cálculo anexadas, revela-se devida”, completou.

À coluna, o advogado Juliano Vello afirmou queo valor atualizado da dívida até 31 de dezembro de 2024, considerando correção monetária e juros de mora, é de R$ 191.752,34.

O que diz a VoePass

Procurada, a VoePass informou que aguardará ser comunicada oficialmente para se manifestar.

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