SP será o estado mais penalizado por tarifaço de Trump. Veja lista

Indústria paulista respondeu por 32% das vendas para o mercado americano no primeiro semestre de 2025, com produtos como aeronaves e sucos

atualizado

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1 de 1 Imagem de avião da Embraer - Metrópoles - Foto: Etienne DE MALGLAIVE/Gamma-Rapho via Getty Images

São Paulo lidera as exportações do Brasil para os Estados Unidos e, por isso, será o estado mais prejudicado com a implementação das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros enviados ao mercado americano. A sobretaxa foi anunciada pelo presidente Donald Trump em 9 de julho e deve ser implementada a partir de 1° de agosto.

Os artigos da indústria paulista representaram 31,9% das exportações brasileiras para os EUA — o equivalente a US$ 6,4 bilhões — no primeiro semestre de 2025. O dado consta em um levantamento feito pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).

Entre os demais estados brasileiros, o segundo lugar é ocupado pelo Rio de Janeiro, com 15,9%, ou US$ 3,2 bilhões, metade do valor de São Paulo. A seguir, vem Minas Gerais, com 12,4%, ou US$ 2,5 bilhões, Espírito Santo, 8,1% (US$ 1,6 bilhão), e Rio Grande do Sul, 4,7% (US$ 950,3 milhões).

A lista de principais produtos exportados por São Paulo é formada por aeronaves (leia-se Embraer), sucos de frutas e equipamentos de engenharia. A relação dos dez itens mais vendidos pela indústria brasileira em geral para os americanos inclui ainda commodities como o petróleo e celulose (veja lista abaixo).


Os dez produtos mais exportados para os EUA*

  • Óleos brutos de petróleo — US$ 2,3 bilhões
  • Semi-acabados de ferro ou aço — US$ 1,9 bilhão
  • Café não torrado — US$ 1,16 bilhão
  • Aeronaves — US$ 1 bilhão
  • Ferro-gusa — US$ 865,8 milhões
  • Óleos combustíveis — US$ 830,6 milhões
  • Carne bovina — US$ 791,2 milhões
  • Sucos de frutas — US$ 743,2 milhões
  • Celulose — US$ 718 milhões
  • Equipamentos de engenharia civil — US$ 592.1 milhões

*1º semestre de 2025

Repercussão política

Além do impacto econômico, a participação expressiva da indústria paulista na corrente de comércio com os Estados Unidos provocou uma saia justa política. Pouco depois do anúncio do tarifaço, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou o governo federal, responsabilizando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelas medidas anunciadas por Trump.

Depois disso, à medida que o prejuízo paulista com a sobretaxa se tornou evidente, Tarcísio suavizou esse discurso. E foi além: defendeu a união de esforços entre os governos estadual e federal para enfrentar os efeitos das tarifas e elogiou a atuação diplomática do governo petista.

Tal postura, no entanto, despertou a ira dos bolsonaristas, em especial do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Na quarta-feira (16/7), no entanto, o parlamentar, que está nos EUA, afirmou que já se entendeu com o governador.

Saldo favorável aos EUA

O saldo comercial no primeiro trimestre deste ano foi superavitário para os EUA em US$ 1,7 bilhão. Aliás, desde 2009, os americanos mantêm superávits no primeiro semestre nas relações econômicas com o Brasil.

Nos primeiros seis meses de 2025, as exportações do Brasil para os EUA totalizaram US$ 20 bilhões, valor que representou um aumento de 4,4% em relação ao mesmo período de 2024. Tal desempenho foi melhor do que as exportações brasileiras para o mundo em geral, que caíram 0,6%. Em relação à China, o recuo foi de 7,5% e, na comparação com a União Europeia, houve baixa de 2,6%.

Entre os cinco maiores destinos dos produtos brasileiros, apenas a Argentina (+55,4%) teve alta acima da obtida com o comércio com os EUA.

Já as importações brasileiras provenientes dos EUA totalizaram US$ 21,7 bilhões no primeiro semestre deste ano, um aumento de 11,5%, ou US$ 2,2 bilhões a mais em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento foi maior do que o das compras totais feitas pelo Brasil como o mundo (+8,3%) e de parceiros como a União Europeia (+4,4%) e o Mercosul (-0,9%).

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