Setor de serviços segue com desempenho robusto, dizem economistas
Em dezembro, o setor recuou 0,4% em relação ao mês anterior. Na comparação com o mesmo período de 2024, o volume de serviços cresceu 3,4%
atualizado
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Apesar do recuo de 0,4% no volume de serviços do país em dezembro do ano passado, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (12/2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desempenho do setor segue com um desempenho robusto. A avaliação é de economistas e analistas do mercado consultados pela reportagem do Metrópoles.
Em dezembro, o setor recuou 0,4% em relação ao mês anterior, na série com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo período de 2024, o volume de serviços cresceu 3,4%. O acumulado nos últimos 12 meses foi a 2,8%, e a média móvel trimestral ficou estável (variação de 0%).
Segundo o IBGE, o setor de serviços se encontra 19,6% acima do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia) e 0,4% abaixo do recorde da série histórica, alcançado em novembro de 2025. Ainda na série com ajuste sazonal, a média móvel trimestral do volume de serviços mostrou estabilidade (0%) em dezembro de 2025 em relação ao mês anterior.
A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) monitora a receita bruta de serviços nas empresas formais, com 20 ou mais trabalhadores. São excluídas as áreas de saúde e educação.
O que diz o mercado
Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, “o resultado de dezembro aponta moderação no crescimento do setor, apesar de ritmo ainda robusto”. “Entretanto, fica claro que setores mais cíclicos têm encontrado maiores dificuldades: 77% do crescimento do setor de serviços observado em 2025 vieram de apenas três atividades – serviços de TI, serviços de transporte aéreo e serviços técnicos-profissionais, com apenas os serviços de TI sendo responsável por 46% do crescimento do setor de serviços como um todo”, observa.
“O setor de TI tem se mostrado bastante descolado do ciclo econômico, um setor que é notoriamente conhecido por ser ‘asset light’ (modelo de negócios com estrutura leve, sem grandes ativos físicos), ou seja, menos sensível ao custo de capital, o que ajuda a explicar a resiliência do setor a despeito da elevada taxa de juros. Juntamente com o dado da produção industrial, que recuou 1,2% em dezembro, o dado de serviços reforça a expectativa de início do ciclo de cortes da Selic em março”, afirma Valério.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, avalia que, o setor de serviços “deve continuar sólido em 2026, assim como no ano passado, contribuindo para sustentar o crescimento da economia”. “Nossa projeção é a de que os serviços terminem o ano novamente em expansão, impulsionados por medidas promovidas pelo governo, como o estímulo à concessão de crédito e o aumento de gastos”, afirma.
“Ainda que os juros altos acabem limitando o consumo e desestimulando investimentos, não esperamos uma grande desaceleração da atividade nos próximos meses. Para 2026 e 2027, nossa expectativa é de que o PIB cresça 1,7%, uma vez que as medidas adotadas pelo governo devem ajudar a evitar um esfriamento mais intenso da economia”, projeta Moreno.
Matheus Pizzani, economista do PicPay, destaca que o resultado teve como principal característica “o efeito sazonal relacionado ao período de final de ano e à maior demanda por serviços de lazer e entretenimento”, que proporcionou uma alta de 1,1% para o grupo de serviços prestados às famílias, além da retomada do crescimento do grupo de serviços de tecnologia (+1,7%), “que se recuperou da queda do mês anterior e evitou uma retração ainda mais intensa do indicador como um todo”.
“Por outro lado, segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico apresentaram comportamento essencialmente negativo, com destaque para o grupo de serviços técnicos profissionais (-4,3%), que teve no seu subcomponente de serviços de apoio às atividades empresariais (-0,7%) uma das piores contribuições”, analisa Pizzani.
“Embora tenha sido negativa do ponto de vista do nível de atividade, a PMS de dezembro trouxe notícias relativamente positivas para a política monetária”, prossegue o economista.
“Além da queda generalizada do indicador reforçar a tendência de fechamento do hiato do produto, indicador acompanhado pelo Banco Central (BC) para tomada de decisão de juros, foi possível observar também um recuo de 0,7% na receita nominal dos serviços, magnitude superior até mesmo à queda do volume de serviços prestados, o que indica que a descompressão no volume foi acompanhada pelo alívio nos preços, sugerindo trajetória mais positiva para a inflação prospectiva de serviços”, diz Pizzani.
Para 2026, segundo o economista, a desaceleração prevista para o nível de atividade “deve fazer com que a foto do mês de dezembro se torne a tônica do ano, com os serviços dependendo em boa medida dos espasmos de crescimento proporcionados por fatores sazonais e da capacidade de resiliência de segmentos menos sensíveis ao nível de juros, como o de informação e tecnologia”.
Também ouvido pelo Metrópoles, o economista Maykon Douglas entende que o setor de serviços “enfrenta certa estabilização em níveis ainda elevados”. “No entanto, esse crescimento recente foi menos disseminado e mais dependente do segmento de transportes e logística, que tem puxado o setor. Como esse segmento ‘tropeçou’ em dezembro, o volume de serviços acaba sofrendo”, pondera.
“Minha expectativa é a de que o setor continue resiliente. Apesar do aperto monetário, a renda da população deve ganhar fôlego ao longo dos próximos meses, dado o impulso fiscal”, conclui.
O setor de serviços no Brasil
- A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) monitora a receita bruta de serviços nas empresas formais, com 20 ou mais trabalhadores. São excluídas as áreas de saúde e educação.
- A próxima divulgação da PMS, referente a janeiro de 2026, será em 13 de março.
- Em 2024, o volume de serviços fechou com alta de 3,1%, quarto ano seguido de crescimento.
Variação de outros setores em dezembro
- Serviços prestados às famílias: 1,1%
- Alojamento e alimentação: 0,9%
- Outros serviços às famílias: 8,5%
- Serviços de informação e comunicação: 1,7%
- Tecnologia da informação e comunicação (TIC): 0,6%
- Telecomunicações: 0,4%
- Serviços de TI: 0,2%
- Audiovisuais: 9,1%
- Serviços profissionais, administrativos e complementares: -0,3%
- Serviços técnico-profissionais: -4,3%
- Serviços administrativos e complementares: -0,3%
- Transportes, auxiliares e correio: -3,1%
- Transporte aquaviário: -1,4%
- Transporte aéreo: -5,5%
- Armazenagem e correio: -4,9%
- Outros serviços: -3,4%.
