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Real tem 2ª maior valorização sobre o dólar entre 28 moedas em janeiro

Divisa brasileira avançou 5,9%, ficando atrás apenas do peso chileno, que subiu 6,2% neste mês. Para consultoria, resultado surpreende

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Priscila Zambotto/Getty Images
Moedas e notas de real, dinheiro brasileiro
1 de 1 Moedas e notas de real, dinheiro brasileiro - Foto: Priscila Zambotto/Getty Images

O real registrou a segunda maior valorização em relação ao dólar entre 28 moedas globais em janeiro, considerados os dados até o fechamento do mercado na quinta-feira (29/1). A informação consta em um levantamento da consultoria Elos Ayta, que classifica o início deste ano como “estatisticamente incomum para o câmbio brasileiro”.

No período analisado, o real acumulou alta de 5,9% frente ao dólar Ptax, a taxa de referência calculada pelo Banco Central (BC). O desempenho fica ligeiramente abaixo apenas do peso chileno, que anotou valorização de 6,2%. Na sequência aparecem moedas de economias desenvolvidas e emergentes relevantes, como a coroa norueguesa (5,77%), o dólar australiano (5,63%) e o rand sul-africano (5,34%).

Segundo o levantamento, a moeda americana perdeu em 22 das 28 economias monitoradas. Em apenas cinco países, o dólar registrou avanço frente às divisas locais (Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Turquia e Índia). Em um caso (Arábia Saudita), houve estabilidade. “Ou seja, a desvalorização da moeda americana é um movimento global”, diz Einar Rivero, sócio da Elos Ayta. “Mas acontece com intensidades distintas, e o Brasil aparece entre os principais destaques positivos.”

Para Rivero, a valorização do real ganha mais relevância quando observada sob uma perspectiva histórica. O avanço registrado em janeiro é o maior desde janeiro de 2025, quando a moeda brasileira subiu 6,21%. Ele também figura como a quarta maior valorização para meses de janeiro desde 2020. “Em termos estatísticos, trata-se de um início de ano raro para o câmbio brasileiro”, afirma o especialista.

Histórico de desvalorizações

Desde 2020, a maior desvalorização mensal do real ocorreu em março daquele ano (-13,46%), no auge da aversão global ao risco provocada pela pandemia. O segundo pior episódio veio em junho de 2022 (-9,72%), em meio ao aperto monetário global. Já em junho e outubro de 2024, a moeda voltou a sofrer, com quedas de -5,71%, em um ambiente de incertezas fiscais domésticas. “Frente a esse histórico, o desempenho de janeiro de 2026 sinaliza uma inflexão relevante no humor do mercado”, diz Rivero.

Resultado diverso

No recorte internacional, o estudo também mostra que o enfraquecimento do dólar não é homogêneo. As maiores desvalorizações cambiais em janeiro concentram-se em economias específicas. A rúpia indiana lidera as perdas, com queda de 1,96%, seguida pela lira turca (-0,99%) e pela rupia indonésia (-0,56%). O dado reforça que fatores domésticos seguem determinantes para o desempenho relativo das moedas, mesmo em um ambiente global mais favorável a ativos fora dos Estados Unidos.

Em suma, para a Elos Ayta, o comportamento do câmbio neste início de ano sintetiza um cenário atípico: dólar mais fraco de forma disseminada, moedas emergentes selecionadas se destacando e o real figurando entre as principais valorizações globais, algo pouco comum na história recente.

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