Parlamento suíço rejeita resgate de US$ 120 bilhões ao Credit Suisse
Na Câmara, foram 102 votos contrários ao resgate do Credit Suisse; votação é simbólica porque recursos já foram comprometidos pelo governo
atualizado
Compartilhar notícia

A Câmara dos Deputados da Suíça rejeitou, na terça-feira (11/4), a liberação de de US$ 120,5 bilhões (cerca de R$ 596,3 bilhões) em garantias financeiras para o resgate do Credit Suisse.
A votação é praticamente simbólica, já que o governo suíço já comprometeu os recursos para salvar o banco. No mês passado, o Credit Suisse foi vendido ao UBS Group AG por US$ 3,2 bilhões, em uma transação histórica que contou com a chancela do Banco Central do país e do Executivo. Em represália, alguns deputados falam em abrir uma comissão parlamentar de inquérito para investigar a operação.
Na Câmara, foram 102 votos contrários ao resgate, de um total de 200 deputados.
Mais cedo, a Câmara Alta do Parlamento suíço (equivalente ao Senado Federal no Brasil) havia aprovado o resgate do Credit Suisse, com 29 votos favoráveis em 46 possíveis. Por causa dessa divergências entre as duas casas legislativas, o tema deverá ser votado novamente nesta quarta-feira (12/4).
O Parlamento da Suíça foi convocado, em regime extraordinário, para analisar o resgate do Credit Suisse e a participação do governo nessa operação. Ouvido pelos congressistas, o presidente do país, Alain Berset, defendeu o negócio e disse que a quebra do banco teria “consequências desastrosas” para a economia.
A ministra das Finanças da Suíça, Karin Keller-Sutter, também defendeu a transação, classificada por ela como “a melhor saída possível” para resolver a crise no banco.
Apesar dos debates no Legislativo, as chances de o Parlamento suíço reverter a compra do Credit Suisse pelo UBS são praticamente nulas. O acordo entre os dois bancos foi assinado também por um pequeno grupo de parlamentares – a chamada “delegação financeira” –, que chancelaram a transação.
Na semana passada, a Procuradoria Federal da Suíça instaurou uma investigação sobre a transação bilionária. Segundo as autoridades suíças, serão investigadas supostas violações da lei criminal por parte de funcionários do governo, reguladores e executivos dos dois bancos.
