Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Negócios

Para BC, caso Americanas afetou rentabilidade do sistema financeiro

Tal impacto foi resultado das reservas feitas pelos bancos para arcar com eventual prejuízo em empréstimos concedidos à varejista

09/03/2023 11:26, atualizado 09/03/2023 12:04
Igo Estrela/Metrópoles
Fachada da loja Americanas em brasília - Metrópoles

O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central (BC) registrou, em

documento divulgado nesta quinta-feira

Carregando PDF...
(9/3), o impacto do caso da Americanas sobre os bancos. De acordo com o órgão, o episódio foi responsável pelo “recuo da rentabilidade anual do SFN” (o sistema financeiro nacional), ainda que o valor de tal retração não tenha sido mencionado.

O Comef não cita, literalmente, o caso da Americanas. Menciona, porém, um “evento específico relacionado a empresa de grande porte”. Quanto ao “recuo da rentabilidade”, ele foi resultado das reservas (no jargão, as “provisões”) feitas pelos bancos, e especificadas nos balanços do último trimestre de 2022, para arcar com um eventual prejuízo em empréstimos concedidos à varejista.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

A Americanas, que está em processo de recuperação judicial, deve cerca de R$ 20 bilhões somente aos seis maiores bancos do país. Nessa lista, o maior credor é o Bradesco, com R$ 5,1 bilhões a reaver. No total, os débitos da varejista alcançam pelo menos R$ 42,5 bilhões. Esses números foram atualizados pela última vez em meados de fevereiro.

O órgão do BC informou ainda, em ata sobre a reunião realizada entres 1º e 2 de março, que tais casos “pontuais em empresas de grande porte” provocaram uma deterioração nos preços de ativos no mercado de títulos privados. “Em decorrência desses eventos, a volatilidade, os spreads e a aversão ao risco aumentaram”, cita a ata. “Também foram observados efeitos em algumas linhas no mercado de crédito. O Comef acompanha a evolução e os desdobramentos dos eventos recentes e segue pronto para atuar em caso de disfuncionalidade.”

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
Provisões “adequadas”

O comitê definiu, contudo, como “adequadas” as reservas feitas pelos bancos. “O aumento das provisões está condizente com a maior materialização de risco”, afirma a ata, acrescentando: “O Banco Central estimou o impacto potencial remanescente, acrescido de um cenário de contágio sobre toda a cadeia de produção e fornecimento que depende da empresa de forma relevante. Nesse cenário extremo, o impacto para o SFN consolidado é insignificante e não se verificaria desenquadramento de capital em qualquer instituição financeira”.

No geral, o Comef observou que o crescimento do crédito amplo desacelerou em diferentes modalidades. “Nas pessoas físicas, a desaceleração foi maior nas operações de maior risco, como as ligadas a transações de pagamento”, destaca o órgão. “Nas pessoas jurídicas, o crédito desacelerou marginalmente. O mercado de capitais reduziu o seu ritmo de expansão, mas se mantém como fonte relevante de financiamento, principalmente para as grandes empresas.”