Mercado aposta em Selic a 15%, mas tarifaço deve adiar queda dos juros

Para analisas do mercado, sobretaxa de 50% imposta por Trump aumenta o grau de incerteza na economia e pode influenciar decisão do Copom

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida de dado de madeira escrito Selic, que é a taxa básica de juros do Brasil - Metrópoles - Foto: Getty Images

É quase unânime entre analistas do mercado a opinião de que a taxa básica de juros, a Selic, será mantida em 15% ao ano nesta quarta-feira (30/7), ao final da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC). A dúvida, contudo, é como os integrantes do órgão vão avaliar o impacto no tarifaço na economia do país.

Nesse campo, embora existam divergências, há alguns consensos. Um deles aponta que a sobretaxa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros aumenta o nível de incerteza entre os agentes econômicos. Nesse cenário, a tendência é de que os juros permaneçam nas alturas por mais tempo.

E “mais tempo” é um aspecto relevante dessa avaliação. Isso porque o Copom já havia anunciado após sua última reunião, em 18 de junho, que a Selic seria elevada para 15% e o ciclo de alta da taxa seria interrompido. Mas, observou o órgão em comunicado, os juros deveriam permanecer em patamar elevado por um “período bastante prolongado”. Agora, na prática, dizem alguns técnicos, esse prazo deve aumentar ainda mais.

Dólar e inflação

Na avaliação de Eduardo Grübler, gestor de investimentos da Asset Management da corretora Warren, a tensão do tarifaço tem forte efeito sobre o dólar e pode provocar uma eventual alta da cotação da moeda americana. “E isso é é relevante para a nossa inflação“, diz. “E é mais um motivo para manter uma política monetária restritiva.”

Julio Ortiz, CEO e co-fundador da CX3 Investimentos, tem opinião semelhante. “Vivemos um momento de incertezas depois do anúncio dos EUA de tributar em 50% as exportações brasileiras”, afirma. “E como o Copom irá se posicionar neste quadro? O caminho natural deve ser o conservadorismo.”

Ortiz pondera, contudo, que o Boletim Focus, realizada semanalmente pelo BC com agentes econômicos, tem mostrado um quadro otimista para a inflação. A estimativa de IPCA para 2025 vem caindo há nove semanas seguidas e está em 5,09%. Ele acrescenta que outro ponto positivo tem sido o dólar, com queda quase constante nas últimas semanas. “Com a atual incerteza, mas inflação sob controle e câmbio em baixa, o mais indicado para o Copom é manter a taxa de juros, indicar que está atento aos acontecimentos e que, se necessário, fará ajustes.”

Duas possibilidades

O fato é que, grosso modo, o Copom está diante de duas possibilidades – sem que sejam excludentes. Ele pode avaliar a sobretaxa de 50% sob o ponto de vista do câmbio. Nesse caso, o risco é elevado.  O outro ponto de perspectiva é olhar para um possível efeito deflacionário da medida. Aí, o perigo diminui.

Impacto desinflacionário

Paula Zogbi, estrategista-chefe a Nomad, acredita nessa segunda opção. “O impacto das tarifas aplicadas pelo governo americano sobre produtos brasileiros tende a ser leve e até desinflacionário, considerando que a oferta doméstica para os produtos que exportamos pode aumentar, e a demanda dos EUA, diminuir”, diz. “Como exportamos principalmente commodities, uma redistribuição dessa cadeia é esperada, evitando efeitos mais agudos. Nesse sentido, há pouco impacto projetado para o Copom ou a Selic relacionado a esse movimento.”

A economista observa que, caso o Brasil decida retaliar e aplicar tarifas mais elevadas a produtos e serviços americanos, a situação pode mudar. “Isso, sim, seria um movimento potencialmente inflacionário, que poderia forçar o Copom a adotar uma postura mais dura, possivelmente afastando ainda mais o início do corte da Selic. Como essa retaliação ainda não faz parte do cenário mais esperado pelos agentes econômicos, por ora, nossa visão é que os efeitos do tarifaço tendem a ser limitados para a reunião desta semana, com no máximo alguma menção a esses riscos no comunicado.”

Queda dos juros

Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, também considera que o tarifaço possa provocar um excedente de oferta no mercado interno, devido à redução das exportações brasileiras, e resulte num processo desinflacionário no curto prazo. “De qualquer forma, o  Copom deve manter a Selic em 15% por um período bastante prolongado, como foi firmado no comunicado anterior”, diz. “A nossa expectativa é que o BC somente inicie o ciclo de flexibilização da política monetária em março do próximo ano, muito por conta da persistente volatilidade econômica global e doméstica, o que exige uma postura cautelosa, principalmente com a ancoragem das expectativas.”

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