BC diz que vai interromper ciclo de alta da Selic, a maior em 19 anos

Informação consta do comunicado emitido pelo órgão, que decidiu elevar a taxa básica de juros do país para 15% ao ano

atualizado

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Raphael Ribeiro/ Banco Central
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1 de 1 Imagem colorida de membros do Copom do BC em 2025 - Metrópoles - Foto: Raphael Ribeiro/ Banco Central

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), vai interromper o ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, embora ela deva permanecer em patamar elevado por um “período bastante prolongado”. É isso o que afirma o comunicado divulgado pelo órgão, nesta quarta-feira (18/6).

O documento faz uma análise da conjuntura econômica nacional e internacional. Ele apresenta ainda os dados que balizaram a decisão do colegiado, que decidiu elevar em 0,25% a taxa básica do Brasil. Com isso, a Selic foi fixada em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006.

No sétimo parágrafo, diz o comunicado: “Em se confirmando o cenário esperado, o Comitê antecipa uma interrupção no ciclo de alta de juros para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado, ainda por serem observados, e então avaliar se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”.

Cenário externo

O Copom reafirmou nesta quarta-feira a avaliação de risco sobre o cenário global, feita na última reunião do órgão, no início de maio. Mais uma vez, nesse caso, o ênfase recaiu sobre a política de tarifas adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“O ambiente externo mantém-se adverso e particularmente incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, principalmente acerca de suas políticas comercial e fiscal e de seus respectivos efeitos”, afirma o texto.

Ambiente doméstico

Em relação ao cenário doméstico, diz o Copom, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho ainda tem apresentado algum dinamismo, mas observa-se certa moderação no crescimento. “Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação”, pondera o documento.

Inflação projetada

A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2026, o atual horizonte relevante de política monetária, foi fixada em 3,6%, o mesmo valor da reunião de maio. Em março, contudo, ela estava em 3,9%.

O termo “horizonte relevante” é uma referência ao período em que as decisões de política monetária, como a taxa de juros Selic, terão um impacto significativo na economia e na inflação. Atualmente, esse horizonte é o terceiro trimestre de 2026. Note-se, porém, que o centro da meta para a inflação é de 3% (no comunicado, como mencionado, ainda permanece em 3,6%).

Riscos

Para os membros do Copom, composto pela diretoria do BC, os riscos de alta para a inflação também foram mantidos. Eles incluem uma “desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado”, “uma maior resiliência na inflação de serviços” e “uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”.

Quanto às possibilidades de baixa da inflação, chamados tecnicamente de “riscos de baixa”, o órgão do BC também destacou três deles. Foram “uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada”, “uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza” e, por fim, “uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários”.

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